

Renata Pallottini
Renata Pallottini foi uma poeta, dramaturga, contista e tradutora brasileira, uma das vozes mais significativas da poesia contemporânea. Sua obra é marcada pela intensidade lírica, pela reflexão sobre a condição humana, o amor, a morte e a passagem do tempo, com uma linguagem ora coloquial, ora erudita, mas sempre envolvente. Ela explorou diversas formas poéticas, do verso livre a estruturas mais rígidas, e sua escrita frequentemente transita entre o pessoal e o universal, o íntimo e o social. Pallottini também atuou como tradutora de importantes obras literárias, enriquecendo o panorama cultural brasileiro com seu talento e sensibilidade.
1931-01-20 São Paulo
2021-07-08 São Paulo
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Noite Afora
A quem devo dizer que em tua carne
se sobreleva o tempo e o duradouro,
mancha de óleo no azul, alaga e intensifica
o contratempo a que chamei amor?
A quem devo dizer dos meus perigos
quando, o corcel furioso, olhei ao longe
e não vi mais limites que o oceano
nem mais convites que o das ondas frias?
Como antepor o corte nas montanhas
— Liberdade — ao dever que a si mesma impõe a terra
de estender-se conforme o espaço havido?
Malícia do destino, ardil composto outrora...
Arde a grama da noite em que te vais embora,
e essa chama caminha, essa chama, essas vinhas,
essas uvas, cortadas noite afora.
Poema integrante da série Noite Afora.
In: PALLOTTINI, Renata. Noite afora. São Paulo: Brasiliense, 197
se sobreleva o tempo e o duradouro,
mancha de óleo no azul, alaga e intensifica
o contratempo a que chamei amor?
A quem devo dizer dos meus perigos
quando, o corcel furioso, olhei ao longe
e não vi mais limites que o oceano
nem mais convites que o das ondas frias?
Como antepor o corte nas montanhas
— Liberdade — ao dever que a si mesma impõe a terra
de estender-se conforme o espaço havido?
Malícia do destino, ardil composto outrora...
Arde a grama da noite em que te vais embora,
e essa chama caminha, essa chama, essas vinhas,
essas uvas, cortadas noite afora.
Poema integrante da série Noite Afora.
In: PALLOTTINI, Renata. Noite afora. São Paulo: Brasiliense, 197
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