

Renata Pallottini
Renata Pallottini foi uma poeta, dramaturga, contista e tradutora brasileira, uma das vozes mais significativas da poesia contemporânea. Sua obra é marcada pela intensidade lírica, pela reflexão sobre a condição humana, o amor, a morte e a passagem do tempo, com uma linguagem ora coloquial, ora erudita, mas sempre envolvente. Ela explorou diversas formas poéticas, do verso livre a estruturas mais rígidas, e sua escrita frequentemente transita entre o pessoal e o universal, o íntimo e o social. Pallottini também atuou como tradutora de importantes obras literárias, enriquecendo o panorama cultural brasileiro com seu talento e sensibilidade.
1931-01-20 São Paulo
2021-07-08 São Paulo
41295
0
9
Vestibular
De novo acomodo o corpo
(que de novo me incomoda)
na carteira de pau áspero;
de novo tomo a caneta.
De novo passo entre as filas
ponho a mão no ombro trêmulo
de alguma estudante tímida
(e agora sou professora).
De novo é aquela angústia,
não saber o que se sabe
ser de novo examinada
e de novo posta à prova.
De novo adivinho o amor,
olho-me e olho; já fui
o que hoje sou. Já sofri
o que sofro. E vem de novo
esse temor, como novo.
Ensino, ou sou ensinada?
Estou acima, ou me afogo?
De novo perco o respiro
ou já domino a questão?
De novo sofro e transpiro
porque hoje sou a mestra
tão escassa como sempre
e como sempre carente.
Olho-me quieta de novo
e vejo toda essa gente.
Passas de novo a meu lado
e me pões a mão no ombro
e me marcas com teu sopro
e me deixas tua sombra.
In: PALLOTTINI, Renata. Cantar meu povo. São Paulo: Massao Ohno, 198
(que de novo me incomoda)
na carteira de pau áspero;
de novo tomo a caneta.
De novo passo entre as filas
ponho a mão no ombro trêmulo
de alguma estudante tímida
(e agora sou professora).
De novo é aquela angústia,
não saber o que se sabe
ser de novo examinada
e de novo posta à prova.
De novo adivinho o amor,
olho-me e olho; já fui
o que hoje sou. Já sofri
o que sofro. E vem de novo
esse temor, como novo.
Ensino, ou sou ensinada?
Estou acima, ou me afogo?
De novo perco o respiro
ou já domino a questão?
De novo sofro e transpiro
porque hoje sou a mestra
tão escassa como sempre
e como sempre carente.
Olho-me quieta de novo
e vejo toda essa gente.
Passas de novo a meu lado
e me pões a mão no ombro
e me marcas com teu sopro
e me deixas tua sombra.
In: PALLOTTINI, Renata. Cantar meu povo. São Paulo: Massao Ohno, 198
1739
0
Mais como isto
Ver também
António Carvalho
Adoro a poesia da autora, eu desconhecia ela... Obrigado
07/fevereiro/2023
Escritas.org