
Frederico de Brito
Frederico de Brito foi um poeta e ensaísta português cuja obra se distingue pela profundidade reflexiva e pela exploração das complexidades da condição humana. A sua poesia, marcada por uma linguagem cuidada e por uma musicalidade intrínseca, aborda frequentemente temas como a memória, o tempo, a passagem da vida e a busca por significado. Ao longo da sua carreira, Brito consolidou uma voz poética singular, explorando as potencialidades da língua portuguesa com rigor estético e sensibilidade.
1894-01-01 Lisboa, Portugal
1977-01-01 Coimbra, Portugal
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Fado das queixas
Pra que te queixas de mim
Se eu sou assim
como tu és,
Barco perdido no mar
Que anda a bailar
Com as marés?
Tu já sabias
Que eu tinha o queixume
Do mesmo ciúme
Que sempre embalei...
Tu já sabias
Que amava deveras;
Também quem tu eras,
Confesso, não sei!
Estribilho:
Não sei
Quem és
Nem quero saber,
Errei
Talvez,
Mas que hei-de fazer?
A tal paixão
Que jamais findará,
-- Pura ilusão! --
Ninguém sabe onde está!
Dos dois,
Diz lá
O que mais sofreu!
Diz lá
Que o resto sei eu!
Pra que me queixo eu também
Do teu desdem
Que me queimou
Se é eu queixar-me afinal
Dum temporal
Que já passou?
Tu nem calculas
As mágoas expressas
E a quantas promessas
Calámos a voz!
Tu nem calculas
As bocas que riam
E quantas podiam
Queixar-se de nós!
Estribilho
Se eu sou assim
como tu és,
Barco perdido no mar
Que anda a bailar
Com as marés?
Tu já sabias
Que eu tinha o queixume
Do mesmo ciúme
Que sempre embalei...
Tu já sabias
Que amava deveras;
Também quem tu eras,
Confesso, não sei!
Estribilho:
Não sei
Quem és
Nem quero saber,
Errei
Talvez,
Mas que hei-de fazer?
A tal paixão
Que jamais findará,
-- Pura ilusão! --
Ninguém sabe onde está!
Dos dois,
Diz lá
O que mais sofreu!
Diz lá
Que o resto sei eu!
Pra que me queixo eu também
Do teu desdem
Que me queimou
Se é eu queixar-me afinal
Dum temporal
Que já passou?
Tu nem calculas
As mágoas expressas
E a quantas promessas
Calámos a voz!
Tu nem calculas
As bocas que riam
E quantas podiam
Queixar-se de nós!
Estribilho
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