

Manuel Laranjeira
Manuel Laranjeira foi um médico e escritor português, figura proeminente do Renascimento português. Destacou-se como um dos primeiros poetas a utilizar o português em obras de caráter científico e filosófico, abordando temas como a alma humana, a moral e a natureza. A sua obra é um testemunho da erudição e do espírito crítico do seu tempo, contribuindo para a afirmação da língua portuguesa como veículo de pensamento complexo.
1877-09-17 Mozelos
1912-02-22 Espinho
8518
0
5
CARTA A NINGUÉM
Não tornes a queixar-te! Se morreu
aquele grande amor e malfadado,
porque o mataste, filha? Ai! o culpado
bem vês que não fui eu...
Julguei-te abandonada, solitária:
quis fazer da tu'alma a ideal
e doce irmã da minha... e afinal
ela era como as outras – ordinária...
Não tornes a queixar-te mais de mim!
Eu não te posso amar: amar assim,
como os outros, não sei... era um engano...
Foi bem maior que a tua a minha dor:
tu sofreste o desamor,
mas eu, filha, sofri – o desengano...
aquele grande amor e malfadado,
porque o mataste, filha? Ai! o culpado
bem vês que não fui eu...
Julguei-te abandonada, solitária:
quis fazer da tu'alma a ideal
e doce irmã da minha... e afinal
ela era como as outras – ordinária...
Não tornes a queixar-te mais de mim!
Eu não te posso amar: amar assim,
como os outros, não sei... era um engano...
Foi bem maior que a tua a minha dor:
tu sofreste o desamor,
mas eu, filha, sofri – o desengano...
686
0
Mais como isto
Ver também
Escritas.org