Alberto de Serpa

Alberto de Serpa

Alberto de Serpa foi um poeta português cuja obra se insere no contexto do Neorrealismo e da poesia social. A sua escrita é marcada por um profundo compromisso com a realidade social e política do seu tempo, refletindo as lutas e as aspirações do povo. Com uma linguagem direta e um tom interventivo, Serpa procurou dar voz aos marginalizados e denunciar as injustiças. O seu legado poético é o de um artista engajado, cuja poesia se tornou um instrumento de intervenção e de esperança na construção de um mundo mais justo. A sua obra é um testemunho da força transformadora da palavra poética.

1906-12-12 Porto
1992-10-08 Lisboa, Portugal
11637
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Mar Morto

A noite caiu sobre o cais, sobre o mar, sobre mim...
As ondas fracas, contra o molhe, são vozes calmas de afogados.
O luar marca uma estrada clara e macia nas águas,
mas os barcos que saem podem procurar mais noite,
e com as suas luzes vão pôr mais estrelas além ...
O vento foi para outros cais levar o medo,
e as mulheres, que vêm dizer adeus e cantar,
hoje sabem canções com mais esperança,
canções mais fortes que a ressaca,
canções sem pausas onde passe uma sombra da morte...
Velhos marítimos — a terra é já a sua terra —
olham o mar mais distante e têm maior saudade...
Pára o rumor duns remos...
Não vão mais às estrelas as canções com noite, amor e morte...
Penso em todos os que foram e andam no mar,
em todos os que ficam e andam no mar também ...
E a luz do farol, lá longe, diz talvez...

1832
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