Abus Novas

Abus Novas é um poeta cuja obra se distingue pela exploração profunda da condição humana, abordando temas como a efemeridade do tempo, a busca por sentido e a complexidade das relações interpessoais. A sua escrita é marcada por uma linguagem evocativa e uma sensibilidade ímpar na construção de imagens poéticas que ressoam com o leitor. O seu percurso literário demonstra uma maturidade crescente, com uma evolução notável na forma e no conteúdo das suas composições. Abus Novas consolidou-se como uma voz relevante no panorama poético contemporâneo, com um estilo que combina introspeção e uma observação atenta do mundo, criando poemas que convidam à reflexão e ao diálogo com a existência.

1982-10-29 Riade
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Deus sabe que ninguém tem

Deus sabe que ninguém tem
instrumento igual ao meu:
venham medi-lo e hão-de ver
o tesouro que El me deu.
Tomai-o – isso! – na mão:
é meu timbre de valor.
Quem o gosto lhe descobre
sucumbe de temo ardor.
Tão alto como um pilar
(como um pilar não encolhe)
visto ao longe na distância
de qualquer lado que se olhe.
Venham pegar, e apertá-lo
com força na vossa mão.
E levai-o à vossa tenda,
entre onde os montes estão.
Sede vós a lá guardá-lo
com vossa mão cuidadosa.
Vede quanto ergue a cabeça
como bandeira orgulhosa!
Nem dareis por sua entrada,
tão corajoso ele avança!
Jamais pende como a vela
quando o vento se descansa.
Que el seja asa da panela
entre as pernas escondida,
tão vazia desde o fundo
até à borda cingida.
Venham ver a maravilha
que logo se ergue tão pronta!
Tão rara e tão portentosa,
tão rica de bens sem conta!
E vejam como endurece
tão forte e tão magistral:
E coluna dura e longa
de uma força sem igual.
Se quereis pega segura,
ou colher que bem remexa,
outra melhor não tereis
para panelas sem queixa.
Pegai nesta – que ela esteja
na vossa panela ardente,
lá onde só um instrumento
haverá que vos contente!
Nem sonhais – amores –
o gosto que vos dará tal espada,
mesmo em panela de cobre
ou de prata chapeada.

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