António Pocinho

António Pocinho foi um poeta português, cuja obra se insere no contexto da poesia contemporânea, marcada por uma linguagem depurada e uma reflexão sobre a condição humana. A sua poesia explora temas como a efemeridade do tempo, a solidão, a busca de sentido e a relação com a memória. Apesar de ter tido uma produção literária discreta, a sua obra é reconhecida pela sua profundidade e pela sua capacidade de evocar emoções e sensações de forma subtil e impactante. Poeta de um lirismo contido e de uma introspeção cuidada, Pocinho deixou um legado poético que convida à contemplação e à reflexão sobre os mistérios da existência. A sua poesia, embora não associada a grandes movimentos literários, partilha com a poesia moderna uma sensibilidade para as nuances da alma humana e uma busca incessante pela palavra exata.

1958-01-01 Condeixa
2010-08-12 Abrantes
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em caso de fogo

Em caso de fogo, a primeira coisa que se deve fazer é perder a cabeça. O pior inimigo do fogo é a cabeça. Começa-se por querer sair dali a qualquer preço, não olhar a nada, esquecer tudo, desaparecer, mesmo que seja para o interior de si próprio, onde por sinal há muito mais fogos do que no litoral.
Cento e trinta e cinco por cento das vítimas do fogo são homens. O restante são mulheres e crianças e nenhuma delas abandonou a cabeça. Embora nenhuma vítima tenha sequer tido tempo para pensar que poderia estar noutro local, como no interior ou no litoral de si próprio, todas foram encontradas agarradas às coisas mais incontroláveis, como uma beata, uma bóia ou uma recordação.
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