Hadewijch de Antuérpia

Hadewijch de Antuérpia

Hadewijch foi uma mística e poetisa do século XIII, figura proeminente da literatura neerlandesa medieval. A sua obra, profundamente enraizada na experiência religiosa e no amor divino, é marcada por uma intensa subjetividade e uma linguagem rica em simbolismo. Centrada na busca pela união com Deus, a sua poesia explora a dinâmica do amor cortês transposta para o plano espiritual, onde a alma anseia pela presença do Amado. As suas obras, que incluem poesia lírica e prosa mística, oferecem um vislumbre único da espiritualidade da época e continuam a inspirar pela sua profundidade emocional e complexidade teológica. Hadewijch é reconhecida pela sua contribuição para a literatura religiosa e pela sua capacidade de expressar as mais elevadas aspirações humanas.

Antuérpia
1240 Antuérpia
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Por mais tristes que estejam

I
Por mais tristes que estejam a estação e as avezinhas,
não pode está-lo o nobre coração.
Mas quem quiser afrontar os trabalhos de Amor
d´Ele só terá de aprender
- doçura e crueza,
alegria e dor –
o que é preciso experimentar para amar.
II
As almas orgulhosas que cresceram na dilecção
e sabem amar sem que nada as acalme,
devem ser em todos os tempos
fortes e ousadas,
sempre prontas a receber
consolo ou aflição
por bem de Amor apenas.
III
Estranhas são as vias do Amor:
e bem o sabe quem as quer seguir:
muitas vezes ele perturba o coração seguro:
quem ama não encontra constância.
Aquele a quem a Caridade
toca no fundo da alma
conhecerá muita hora de desolação.
IV
Ora ardendo, ora frio,
agora tímido e ainda há pouco ousado,
numerosos são os caprichos do Amor.
Mas a toda a hora ele nos lembra
a nossa imensa dívida
para com o seu alto poder,
que nos atrai e só a Ele nos destina.
V
Ora gracioso, ora terrível,
agora próximo e ainda há pouco distante:
para quem o conhece e nele confia
isto mesmo é alegria maior.
Como Amor
num só acto
fere e abraça!
VI
Ora humilhado, ora exaltado,
agora escondido, manifesto ainda há pouco,
para se ser um dia atingido pela dilecção
é preciso arriscar muita aventura –
antes de alcançar
aquele ponto em que se desfruta
da pura essência do Amor.
VII
Ora leve, ora pesado,
sombrio agora e claro ainda há pouco,
na doce paz, na sufocante angústia,
dando e recebendo –
dupla vida,
serve aos espíritos
que se perdem no amor.
(tradução de João Barrento)
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