
Francisco de Vasconcelos
Francisco de Vasconcelos foi um poeta cuja obra se destaca no panorama literário português. A sua escrita é marcada por uma forte ligação à tradição, mas com uma sensibilidade que soube captar as nuances da sua época. A poesia de Vasconcelos é frequentemente evocativa, explorando temas como a pátria, a fé e a natureza, com uma linguagem que alia a beleza formal à profundidade de pensamento. Ao longo da sua carreira, o poeta demonstrou uma capacidade ímpar de traduzir sentimentos complexos e observações sobre o mundo em versos memoráveis. A sua obra, embora enraizada no seu tempo, possui uma universalidade que continua a ressoar junto dos leitores contemporâneos, conferindo-lhe um lugar de relevo na história da literatura portuguesa.
1665-01-01 Funchal
1723-01-01 Funchal
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À Fragilidade da Vida Humana
Esse baixel nas praias derrotado
Foi nas ondas Narciso presumido;
Esse farol nos céus escurecido
Foi do monte libré, gala do prado.
Esse nácar em cinzas desatado
Foi vistoso pavão de Abril florido;
Esse estio em vesúvios encendido
Foi Zéfiro suave em doce agrado.
Se a nau, o sol, a rosa, a Primavera
Estrago, eclipse, cinza, ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago,
Olha, cego imortal, e considera
Que és rosa, primavera, sol, baixel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.
Foi nas ondas Narciso presumido;
Esse farol nos céus escurecido
Foi do monte libré, gala do prado.
Esse nácar em cinzas desatado
Foi vistoso pavão de Abril florido;
Esse estio em vesúvios encendido
Foi Zéfiro suave em doce agrado.
Se a nau, o sol, a rosa, a Primavera
Estrago, eclipse, cinza, ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago,
Olha, cego imortal, e considera
Que és rosa, primavera, sol, baixel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.
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