

António Ramos Rosa
António Ramos Rosa foi um dos mais influentes poetas portugueses do século XX, conhecido pela sua poesia densa, reflexiva e profundamente ligada à condição humana e à linguagem. A sua obra é marcada por uma busca constante pela expressão autêntica, explorando temas como a existência, a morte, o tempo e a própria poesia. A sua escrita evoluiu ao longo de décadas, mantendo uma coerência temática e estilística, mas sempre aberta a novas explorações formais e lexicais. É considerado um pilar da poesia contemporânea em língua portuguesa.
1924-10-17 Faro
2013-09-23 Lisboa
1263987
5
293
Acende-Se o Desejo E É Tão Precária a Voz!
Acende-se o desejo e é tão precária a voz!
Ou ainda não tão pobre que se ouça
na humidade da erva, na limpidez do ar.
Quem me desperta? Quem sou eu? Quem somos nós?
Nele tudo se conjugaria, essencial.
O quotidiano e a palavra idêntica.
Mas o destino e a liberdade nascem
na distorção das linhas, nos encontros.
Eu não sou a voz do personagem mudo.
Entre o interior e o exterior confundo-o.
Se passa além, nas árvores, se o distingo
sou eu ainda que o desenho ou crio.
Pobre invenção, visão tão pobre!
Serei igual a ti, na confusão ou não.
Porque estou só, com todos, todos sós.
Ou ainda não tão pobre que se ouça
na humidade da erva, na limpidez do ar.
Quem me desperta? Quem sou eu? Quem somos nós?
Nele tudo se conjugaria, essencial.
O quotidiano e a palavra idêntica.
Mas o destino e a liberdade nascem
na distorção das linhas, nos encontros.
Eu não sou a voz do personagem mudo.
Entre o interior e o exterior confundo-o.
Se passa além, nas árvores, se o distingo
sou eu ainda que o desenho ou crio.
Pobre invenção, visão tão pobre!
Serei igual a ti, na confusão ou não.
Porque estou só, com todos, todos sós.
492
0
Escritas.org