
Clóvis Ramos
Clóvis Ramos foi um poeta cuja obra se distingue pela sua profunda ligação à terra e às raízes culturais, expressando com particular sensibilidade a paisagem, as gentes e os costumes do seu tempo. A sua poesia transborda de um lirismo autêntico, por vezes tingido de melancolia, mas sempre assente numa observação atenta e afetuosa da vida quotidiana. A escrita de Clóvis Ramos é marcada por uma linguagem acessível, mas carregada de imagens vívidas e de uma musicalidade intrínseca, que convida o leitor a uma imersão no universo por ele criado. O seu legado reside na capacidade de eternizar em verso a alma de um povo e de um tempo, deixando um testemunho poético de valor inestimável sobre a identidade e a memória.
Limoeiro, Pernambuco, Brasil
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São Luís
I
Em São Luís há sobradões, ermidas
que lembram do passado o tempo nobre,
a beleza sem par, que não se encobre
no silêncio das coisas esquecidas.
Pelas ruas estreitas e avenidas,
quanta história de amor! Basta se dobre
uma esquina e, de novo, rico ou pobre,
vibram no coração doces feridas!
Ah! tudo em São Luís vira poesia
na saudade que vem, terna saudade,
que nos maltrata e nos alivia!
E sonhando um amor, espero, ainda,
rever a terra da felicidade,
que tanto quero, com ternura infinda.
II
Estou em São Luís e, novamente,
cantarola em meu peito um amor antigo.
Digo num verso comovido e ardente,
tudo o que sinto como meu castigo.
Por uma rua ensolarada sigo
e meu pensar, talvez, ninguém pressente.
Ahi meu sonho de amor, que ainda persigo!
Ai! saudade que fere ferozmente!
Pelas praças, que flores perfumosas!
O sol as beija como beija as rosas
dos lábios da mulher que se quer bem.
São Luís é a cidade da ternura...
Em cada canto um sonho meu perdura,
perdura, em cada canto, o olhar de alguém.
Em São Luís há sobradões, ermidas
que lembram do passado o tempo nobre,
a beleza sem par, que não se encobre
no silêncio das coisas esquecidas.
Pelas ruas estreitas e avenidas,
quanta história de amor! Basta se dobre
uma esquina e, de novo, rico ou pobre,
vibram no coração doces feridas!
Ah! tudo em São Luís vira poesia
na saudade que vem, terna saudade,
que nos maltrata e nos alivia!
E sonhando um amor, espero, ainda,
rever a terra da felicidade,
que tanto quero, com ternura infinda.
II
Estou em São Luís e, novamente,
cantarola em meu peito um amor antigo.
Digo num verso comovido e ardente,
tudo o que sinto como meu castigo.
Por uma rua ensolarada sigo
e meu pensar, talvez, ninguém pressente.
Ahi meu sonho de amor, que ainda persigo!
Ai! saudade que fere ferozmente!
Pelas praças, que flores perfumosas!
O sol as beija como beija as rosas
dos lábios da mulher que se quer bem.
São Luís é a cidade da ternura...
Em cada canto um sonho meu perdura,
perdura, em cada canto, o olhar de alguém.
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