

Allen Ginsberg
Allen Ginsberg foi um poeta americano, figura proeminente da Geração Beat e um dos mais influentes poetas do século XX. Sua obra é marcada pela liberdade formal, pela crítica social e política, e pela exploração de temas como a homossexualidade, o misticismo oriental e a contracultura. Ginsberg era conhecido por suas leituras performáticas fervorosas e por seu ativismo, tornando-se um ícone da contracultura dos anos 1960.
1926-06-03 Paterson
1997-04-05 Nova Iorque
57955
1
3
O Fim
Eu sou Eu, velho Pai Olho de Peixe que procriou o oceano, o verme no meu próprio ouvido, a serpente enrolada na árvore,
Sento-me na mente do carvalho e me oculto na rosa, sei se alguém desperta, ninguém a não ser minha morte,
vinde a mim corpos, vinde a mim profecias, vinde a mim agouros, vinde espíritos e visões,
Eu recebo tudo, morro de câncer, entro no caixão para sempre, fecho meu olho, desapareço,
caio sobre mim mesmo na neve de inverno, rolo numa grande roda pela chuva, observo a convulsão dos que fodem,
carros guincham, fúrias gemem sua música de fagote, memória apagando-se no cérebro, homens imitando cães,
gozo no ventre de uma mulher, a juventude estendendo seus seios e coxas para o sexo, o caralho pulando para dentro
derramando sua semente nos lábios de Yin,129 feras dançam no Sião, cantam ópera em Moscou, meus garotos excitados ao crepúsculo nas varandas, chego a Nova York, toco meu jazz num Clavicêmbalo de Chicago,
Amor que me engendrou retorno a minha Origem sem nada perder, flutuo sobre o vomitório
empolgado por minha imortalidade, empolgado por essa infinitude na qual aposto e a qual enterro,
vem Poeta, cala-te, come minha palavra e prova minha boca no teu ouvido.
NY, 1960
Sento-me na mente do carvalho e me oculto na rosa, sei se alguém desperta, ninguém a não ser minha morte,
vinde a mim corpos, vinde a mim profecias, vinde a mim agouros, vinde espíritos e visões,
Eu recebo tudo, morro de câncer, entro no caixão para sempre, fecho meu olho, desapareço,
caio sobre mim mesmo na neve de inverno, rolo numa grande roda pela chuva, observo a convulsão dos que fodem,
carros guincham, fúrias gemem sua música de fagote, memória apagando-se no cérebro, homens imitando cães,
gozo no ventre de uma mulher, a juventude estendendo seus seios e coxas para o sexo, o caralho pulando para dentro
derramando sua semente nos lábios de Yin,129 feras dançam no Sião, cantam ópera em Moscou, meus garotos excitados ao crepúsculo nas varandas, chego a Nova York, toco meu jazz num Clavicêmbalo de Chicago,
Amor que me engendrou retorno a minha Origem sem nada perder, flutuo sobre o vomitório
empolgado por minha imortalidade, empolgado por essa infinitude na qual aposto e a qual enterro,
vem Poeta, cala-te, come minha palavra e prova minha boca no teu ouvido.
NY, 1960
1089
0
Escritas.org