Frei Agostinho da Cruz

Frei Agostinho da Cruz

Frei Agostinho da Cruz foi um frade e poeta português do século XVII, uma figura proeminente do Barroco literário. A sua obra poética, marcada pela espiritualidade e pelo misticismo, reflete a profunda religiosidade da época e a tensão entre o terreno e o divino. Caracteriza-se pela linguagem culta, pela exploração de temas como o amor a Deus, a efemeridade da vida e a busca pela transcendência, muitas vezes através de formas poéticas tradicionais.

1540-05-03 Ponte da Barca
1619-05-14 Setúbal
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II Os versos, que cantei importunado

Os versos, que cantei importunado
Da mocidade cega a quem seguia,
Queimei (como vergonha me pedia)
Chorando, por haver tão mal cantado.

Se nestes não ficar tão desculpado
Quanto mais alto estilo merecia,
Não me podem negar a melhoria
Da mudança, que diz dum noutro estado.

Que vai que sejam bem ou mal aceitos?
Pois não os escrevi para louvores
Humanos, pelo menos perigosos,

Senão para plantar em tenros peitos
Desejos de colher divinas flores
À força de suspiros saudosos.
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