Francisco Galvão

Francisco Galvão foi um poeta português, cuja obra se insere no panorama literário do século XX. A sua poesia é marcada por uma profunda reflexão sobre a condição humana, explorando temas como o tempo, a memória e a efemeridade da existência. Destaca-se pela sua linguagem cuidada e pela capacidade de evocar imagens sensoriais, criando um universo lírico intimista e universal. A sua contribuição para a poesia portuguesa reside na exploração de uma voz autoral singular, que dialoga com a tradição literária, ao mesmo tempo que aponta para novas sensibilidades. Galvão deixou um legado poético que continua a ser apreciado pela sua profundidade e pela beleza formal.

1739-01-01 Guaratinguetá
1822-12-23 São Paulo
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À Paixão

Porque a tamanhas penas se oferece
pelo pecado alheio e erro insano
o terno Deus? Porque sujeito humano
não pode com o castigo que merece?

Quem padecera as penas que padece,
quem sofrera desonra e tanto dano,
ninguém senão somente o Soberano
que reina, serve, manda e obedece?

Foi a força do homem tão pequena,
que não pode sofrer tanta aspereza,
que não sustém a lei que Deus ordena:

Sofreu aquela imensa fortaleza
por puro amor à nossa vil franqueza;
para o erro foi só, e não p’ra pena.

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