

Renato Rezende
Renato Rezende é um poeta brasileiro contemporâneo, conhecido por sua poesia que transita entre o lirismo introspectivo e a observação atenta do cotidiano. Sua obra explora a delicadeza das relações humanas, a efemeridade do tempo e a busca por sentido em meio à banalidade da vida moderna. Com uma linguagem acessível, mas carregada de sensibilidade, Rezende tem se destacado na cena literária brasileira recente.
1964-04-08 Poços de Caldas, Brasil
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[Chamas]
Por que você não começa com os elefantes? Adoro elefantes.
Vi certa vez um documentário sobre um lugarejo da Índia no qual eles têm rolos de pergaminhos com a história de todo mundo que já viveu e que viverá na terra. Foi um sábio que escreveu há não sei quantos anos. O cara do documentário foi lá só para checar, todo cético, é claro.
Então entrou num lugar que parecia uma lojinha do fim do mundo. O sujeito perguntou o nome dele e disse: Espere um momento. Depois voltou com um rolo... que tinha o nome dele e a história de sua vida até a morte!
será que existe?
[será que nós existimos?]
será que esse lugar existe mesmo?
Sabia que se come mais açúcar no dia de Diwali na Índia do que no resto do mundo o ano todo? E aqueles enormes brigadeirões que eles enfiam na boca dos elefantes?
Ladhus.
Pura doçura
Amor em toneladas!
Tudo o que passa e sempre passou pelos meus olhos foram imagens de festa.
Tudo o que passa e sempre passou pelos meus ouvidos foram sons de festa.
(De paz?)
E de dor, de melancolia, de horror, de desespero,
especialmente de desespero?
Dance com a dor
Um tango, uma valsa
Gire
Tudo pelos meus olhos, festa.
Tudo pelos meus ouvidos, festa.
Festa, frenesi, júbilo, dança de dervixes.
VIDA
Fogo riscado na escuridão.
Elefantes em chamas.
O castelo em chamas.
Bibliotecas em chamas.
Todos os peixes. O oceano em chamas
O fogo do Amor:
O que não é Amor é contra o amor.
Vi certa vez um documentário sobre um lugarejo da Índia no qual eles têm rolos de pergaminhos com a história de todo mundo que já viveu e que viverá na terra. Foi um sábio que escreveu há não sei quantos anos. O cara do documentário foi lá só para checar, todo cético, é claro.
Então entrou num lugar que parecia uma lojinha do fim do mundo. O sujeito perguntou o nome dele e disse: Espere um momento. Depois voltou com um rolo... que tinha o nome dele e a história de sua vida até a morte!
será que existe?
[será que nós existimos?]
será que esse lugar existe mesmo?
Sabia que se come mais açúcar no dia de Diwali na Índia do que no resto do mundo o ano todo? E aqueles enormes brigadeirões que eles enfiam na boca dos elefantes?
Ladhus.
Pura doçura
Amor em toneladas!
Tudo o que passa e sempre passou pelos meus olhos foram imagens de festa.
Tudo o que passa e sempre passou pelos meus ouvidos foram sons de festa.
(De paz?)
E de dor, de melancolia, de horror, de desespero,
especialmente de desespero?
Dance com a dor
Um tango, uma valsa
Gire
Tudo pelos meus olhos, festa.
Tudo pelos meus ouvidos, festa.
Festa, frenesi, júbilo, dança de dervixes.
VIDA
Fogo riscado na escuridão.
Elefantes em chamas.
O castelo em chamas.
Bibliotecas em chamas.
Todos os peixes. O oceano em chamas
O fogo do Amor:
O que não é Amor é contra o amor.
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