

Sidónio Muralha
Sidónio Muralha foi um poeta e escritor português, cuja obra se insere em correntes da poesia experimental e da poesia de intervenção. A sua escrita é marcada pela busca de novas formas de expressão, pela crítica social e pela exploração da linguagem como um meio de transformação e de reflexão sobre a realidade. A sua poesia, muitas vezes desafiadora e inovadora, reflete um olhar aguçado sobre o mundo contemporâneo, os seus conflitos e as suas contradições. Muralha destacou-se pela sua capacidade de transgredir os limites convencionais da poesia, propondo uma linguagem que é simultaneamente artística e politicamente engajada.
1920-07-28 Lisboa
1982-12-08 Curitiba
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Romance
Depois daquela noite os teus seios incharam;
as tuas ancas alargaram-se;
e os teus parentes admiraram-se
e falaram, falaram…
Porque falaram duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural?
Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…
Mas tudo terminou porque falaram.
Tu fraquejaste e tudo terminou.
– Os teus seios desincharam;
só a tristeza ficou.
Ficou a tristeza duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural…
– Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…
as tuas ancas alargaram-se;
e os teus parentes admiraram-se
e falaram, falaram…
Porque falaram duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural?
Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…
Mas tudo terminou porque falaram.
Tu fraquejaste e tudo terminou.
– Os teus seios desincharam;
só a tristeza ficou.
Ficou a tristeza duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural…
– Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…
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