

João Baveca
João Baveca é um poeta cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa. A sua escrita explora frequentemente a introspeção, as complexidades da condição humana e a relação do indivíduo com o mundo que o rodeia. A sua poesia caracteriza-se por uma linguagem cuidada e pela exploração de imagens poéticas que convidam à reflexão.
Guimarães
19811
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Meus Amigos, Nom Poss'eu Mais Negar
Meus amigos, nom poss'eu mais negar
o mui gram bem que quer'a mia senhor,
que lho nom diga, pois ant'ela for,
e des oimais me quer'aventurar
a lho dizer; e pois que lho disser,
mate-m'ela, se me matar quiser.
Ca, por boa fé, sempre m'eu guardei,
quant'eu pudi, de lhi pesar fazer;
mais, como quer, ũa mort'hei d'haver,
e com gram pavor ave[n]turar-m'-ei
a lho dizer; e pois que lho disser,
mate-m'ela, se me matar quiser.
Ca nunca eu tamanha coita vi
levar a outr'home, per boa fé,
com'eu levo; mais pois que assi é,
aventurar-me quero des aqui
a lho dizer; e pois que lho disser,
mate-m'ela, se me matar quiser.
o mui gram bem que quer'a mia senhor,
que lho nom diga, pois ant'ela for,
e des oimais me quer'aventurar
a lho dizer; e pois que lho disser,
mate-m'ela, se me matar quiser.
Ca, por boa fé, sempre m'eu guardei,
quant'eu pudi, de lhi pesar fazer;
mais, como quer, ũa mort'hei d'haver,
e com gram pavor ave[n]turar-m'-ei
a lho dizer; e pois que lho disser,
mate-m'ela, se me matar quiser.
Ca nunca eu tamanha coita vi
levar a outr'home, per boa fé,
com'eu levo; mais pois que assi é,
aventurar-me quero des aqui
a lho dizer; e pois que lho disser,
mate-m'ela, se me matar quiser.
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