

Maria da Saudade Cortesão Mendes
Maria da Saudade Cortesão Mendes foi uma figura proeminente na literatura portuguesa, cuja obra se caracteriza por uma profunda sensibilidade e uma notável habilidade lírica. A sua poesia explora os meandros do amor, da saudade, da fé e da relação do ser humano com a natureza e o transcendente. Com um estilo depurado e emotivo, a autora deixou um legado de versos que tocam a alma pela sua autenticidade e pela sua beleza formal.
1914-01-01 Porto
2010-01-01 Lisboa
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Ofélia
Que perfil perdi no vento
Que rosto perdi na água,
Transparência perturbada,
Íris d’água cor do tempo.
Nunca a figura do sonho
Me pareceu tão velada —
Vejo só a meia-lua
Da sua nuca inclinada.
Edifício d’água e sombra
Que a corrente desmanchava
E em meus cabelos ao sul
As grinaldas desfolhava.
Deixai-me afundar nas frias
Solidões de junco e mágoa,
E de mim própria ausente
Repousar à sombra d’água.
Que rosto perdi na água,
Transparência perturbada,
Íris d’água cor do tempo.
Nunca a figura do sonho
Me pareceu tão velada —
Vejo só a meia-lua
Da sua nuca inclinada.
Edifício d’água e sombra
Que a corrente desmanchava
E em meus cabelos ao sul
As grinaldas desfolhava.
Deixai-me afundar nas frias
Solidões de junco e mágoa,
E de mim própria ausente
Repousar à sombra d’água.
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