
Gabriel Archanjo de Mendonça
Gabriel Archanjo de Mendonça foi um poeta e escritor cuja obra se insere no contexto literário do século XX em Portugal. A sua produção poética, embora por vezes menos divulgada em comparação com outros nomes da sua época, revela uma sensibilidade particular para a observação do quotidiano, a reflexão sobre a passagem do tempo e as complexidades das relações humanas. Com uma linguagem que oscila entre o lirismo e uma certa crueza observacional, Mendonça procurou capturar a essência da experiência humana, com as suas alegrias, angústias e interrogações. A sua obra, marcada por uma voz autoral genuína, convida à introspeção e a uma reavaliação da perceção sobre a vida e a sociedade.
Salvador, Brasil
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Sêmen
Não quero poluir
os lírios do campo
com minhas entranhas.
A concha encravada
no estrado dos mares
contenha as sombras estéreis
da minha matéria.
O fruto impossível
do amor impassível
aguarde por sempre
seu tempo de vida.
A inerte semente
que habita o meu sangue
desfaça-se em gotas
para acrescer o mistério
do abismo das águas.
os lírios do campo
com minhas entranhas.
A concha encravada
no estrado dos mares
contenha as sombras estéreis
da minha matéria.
O fruto impossível
do amor impassível
aguarde por sempre
seu tempo de vida.
A inerte semente
que habita o meu sangue
desfaça-se em gotas
para acrescer o mistério
do abismo das águas.
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