
Gervásio de Pilares
Gervásio de Pilares foi um poeta e pensador cuja obra se insere no contexto do arcadismo e pré-romantismo, marcado por uma profunda reflexão sobre a natureza, o amor e a fugacidade da vida. A sua escrita, caracterizada pela métrica clássica e pela linguagem cuidada, expressa uma sensibilidade que antecipa as inquietações do Romantismo, explorando sentimentos como a melancolia e a saudade. A poesia de Pilares é um convite à contemplação da beleza natural e à meditação sobre os valores humanos, num equilíbrio entre a tradição clássica e uma nova sensibilidade que começava a despontar. A sua obra reflete um espírito inquieto, em busca de harmonia e significado, num período de transição cultural e literária.
Ouro Preto
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Soneto
Ó triste mausoléu! Ó urna fria!
funesto monumento, sombra escura,
depósito fatal da formosura,
horroroso despojo da alegria.
Permite que te façam companhia,
as lágrimas que verto com ternura,
e sirva tanto mar de sepultura,
em que se oculte o Sol do melhor dia.
Mas se não tens da pedra a natureza,
quando pranto que é tão multiplicado,
não consegue abrandar tanta dureza:
deixa que nessa pira arda abrasado,
este meu coração logrando a empresa,
de ser em holocausto consagrado.
funesto monumento, sombra escura,
depósito fatal da formosura,
horroroso despojo da alegria.
Permite que te façam companhia,
as lágrimas que verto com ternura,
e sirva tanto mar de sepultura,
em que se oculte o Sol do melhor dia.
Mas se não tens da pedra a natureza,
quando pranto que é tão multiplicado,
não consegue abrandar tanta dureza:
deixa que nessa pira arda abrasado,
este meu coração logrando a empresa,
de ser em holocausto consagrado.
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