Karl Kraus

Karl Kraus

Karl Kraus foi um escritor, jornalista e poeta austríaco, amplamente considerado uma das figuras literárias mais importantes do século XX em língua alemã. Fundou e editou a revista Der Fackel (O Tocha), que publicou por mais de trinta anos, onde escreveu a maioria dos seus escritos satíricos e críticos. Era conhecido pela sua feroz oposição ao nazismo, ao militarismo e à decadência da imprensa, utilizando a sátira e a ironia como suas principais armas.

1874-04-28 Jičín
1936-06-12 Viena
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O desenvolvimento das máquinas beneficia apenas a personalidade que, passando pelos obstáculos da vida exterior, chega mais rapidamente a si mesma. No entanto, as cabeças medianas não estão à altura da hipertrofia desse desenvolvimento. Hoje ainda não podemos fazer a menor ideia da devastação promovida pela máquina de impressão. O dirigível foi inventado, e a imaginação se arrasta como uma diligência. O automóvel, o telefone e as gigantescas edições da estupidez — quem poderá dizer como serão os cérebros daqui a duas gerações? O afastamento em relação à fonte natural promovido pela máquina, a suplantação da vida pela leitura e a absorção de todas as possibilidades artísticas pelo espírito factual terão completado sua obra com rapidez surpreendente. Apenas nesse sentido se deveria compreender o despontar de uma era glacial. Nesse meio-tempo, não nos intrometamos na política social, mas deixemos que se ocupe de suas pequenas tarefas; deixemos que lide com a educação popular e com outros sucedâneos e opiáceos. Passatempos até a dissolução. As coisas estão se desenvolvendo de uma maneira para a qual não há exemplo nos períodos historicamente verificáveis. Quem não sente isso em cada nervo pode prosseguir sem receio a cômoda divisão em Antiguidade, Idade Média e Idade Moderna. De súbito se perceberá que as coisas não avançam. Pois a época moderna começou com a produção de novas máquinas para o funcionamento de uma ética antiga. Nos últimos trinta anos aconteceram mais coisas do que nos trezentos anos anteriores. E um dia, a humanidade terá se sacrificado pelas grandes obras que criou para seu alívio.

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