
Mário Hélio
Mário Hélio foi um poeta cuja obra se inseriu no panorama da poesia portuguesa contemporânea. Caracterizado por uma escrita introspectiva e reflexiva, explorou temas como a condição humana, o tempo e a memória, utilizando uma linguagem depurada e um tom muitas vezes melancólico. A sua poesia convida à contemplação sobre a existência e as suas complexidades, estabelecendo um diálogo com a tradição literária, mas com uma voz marcadamente pessoal.
Portugal
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18-VIII(Totmutações)
aceita o erebom prefere o erebom escolhe o mundumano
por mais turvo que seja
prefere a treva
deixem-me abandonem-me não me-ditem merdades
pu-
rezas e que-
rubins
eu prefrio a lama.
chega de felicidade poética
eu prefiro a cética
a herética a diabólica.
as coisas sagradas jamais foram ditas.
palavras divinas jamais proferidas.
eu sinto que o universo se limita
por ser infinito.
pudico é cada dia santo cada santa oferenda
cada riso contenda cada gesto feroz.
o sagrado é vulgar
ar e éter éter e ar
que se perdem na incompleta letal diabrura
alfomegamentescrita como uma crítica cítrica
por mais turvo que seja
prefere a treva
deixem-me abandonem-me não me-ditem merdades
pu-
rezas e que-
rubins
eu prefrio a lama.
chega de felicidade poética
eu prefiro a cética
a herética a diabólica.
as coisas sagradas jamais foram ditas.
palavras divinas jamais proferidas.
eu sinto que o universo se limita
por ser infinito.
pudico é cada dia santo cada santa oferenda
cada riso contenda cada gesto feroz.
o sagrado é vulgar
ar e éter éter e ar
que se perdem na incompleta letal diabrura
alfomegamentescrita como uma crítica cítrica
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