Newton de Freitas

Newton de Freitas foi um poeta brasileiro cuja obra se destacou pela exploração de temas existenciais e sociais, refletindo as complexidades do indivíduo perante o mundo. Sua poesia é marcada por uma linguagem acessível, mas carregada de profundidade, explorando o cotidiano e as relações humanas com sensibilidade e um toque de melancolia. Com uma escrita que transita entre o lírico e o reflexivo, Freitas abordou a efemeridade da vida, a busca por sentido e a crítica a injustiças sociais. Sua contribuição para a literatura brasileira reside na capacidade de traduzir sentimentos universais em versos que dialogam diretamente com o leitor, consolidando-se como uma voz importante na poesia contemporânea.

Vitória
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Belo Exemplo

Olho a serra apontando para o céu
com os braços grandes dos seus picos,
com os dedos verdes das suas árvores.
Mas bem que ela não esquece os humildes,
nem o chão, nem as pedras que jazem a seus pés.

E pelo abismo, vinda das alturas,
como se fosse um véu de rendas,
como se fosse prata liqüefeita,
salta a linda cascata,
borbulhando eternal.

Ouço. A água geme entre as pedras lodosas,
canta e murmura, ou será que soluça?
Esse barulho de água beijando os penhascos
deve ser um poema de amor
que a serra sabe de cor para dizer ao chão...

Bendito o Deus-poeta que te fez, cascata!
Bendita a Natureza onde palpitam sonhos,
sonhos de amor, belezas, ilusões,
em todos os recantos, até nos abismos!
Cascata, és um sonho líquido e sublime.

De dia o sol se veste de ouro para contemplar-te,
de noite a lua e as estrelas te namoram sorrindo.
Tu vens do coração profundo das montanhas
e és um beijo eterno da nobreza da serra
à humilde chá das campinas sem glórias.

Quando os homens passarem a teus pés,
quando os homens te contemplarem,
os deslumbrados e os indiferentes,
ensina a eles o teu exemplo de fraternidade,
mostra-lhes a tua lição, cascata!

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