

Rui de Noronha
Rui de Noronha foi um poeta português, cujas obras, embora escassas e por vezes de atribuição incerta, se inserem no contexto da poesia renascentista e maneirista em Portugal. A sua escrita é marcada pela influência dos modelos clássicos e italianos, explorando temas como o amor, a saudade e a reflexão existencial. Com um estilo que demonstra domínio formal, Noronha contribuiu para o panorama literário da época com versos que refletem a sensibilidade e as preocupações estéticas do seu tempo. A sua obra, ainda que limitada em volume, é apreciada pela sua qualidade e pelo seu lugar na evolução da poesia portuguesa.
1909-10-29 Maputo
1943-12-25 Maputo
18414
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Grito de Alma
Vem de séculos, alma, essa orgulhosa casta,
Repudiando a dor, tripudiando a lei.
Num gesto de altivez que em onda leva arrasta
Inteiras gerações de amaldiçoada grei.
Ir procurar, amor, nessa altivez madrasta,
Um gesto de carinho ou de brandura, eu sei?
Ao tigre dos juncais, duma crueza vasta,
Quem há que roube a presa? Aponta-me e eu irei!
Cruel destino o meu, que ao meu caminho trouxe
Na fulgurante luz do teu olhar tão doce
À mágoa minha eterna, a minha eterna dor.
Vai. Segue o teu destino. A onda quere-te e passa.
Vai com ela cantar o orgulho da tua raça
Que eu ficarei cantando o nosso eterno amor ...
Repudiando a dor, tripudiando a lei.
Num gesto de altivez que em onda leva arrasta
Inteiras gerações de amaldiçoada grei.
Ir procurar, amor, nessa altivez madrasta,
Um gesto de carinho ou de brandura, eu sei?
Ao tigre dos juncais, duma crueza vasta,
Quem há que roube a presa? Aponta-me e eu irei!
Cruel destino o meu, que ao meu caminho trouxe
Na fulgurante luz do teu olhar tão doce
À mágoa minha eterna, a minha eterna dor.
Vai. Segue o teu destino. A onda quere-te e passa.
Vai com ela cantar o orgulho da tua raça
Que eu ficarei cantando o nosso eterno amor ...
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