
Maria Thereza Noronha
Maria Thereza Noronha foi uma escritora e poetisa portuguesa. Destacou-se pela sua obra poética que explorava temas como a identidade, a espiritualidade e a relação humana com o universo. A sua escrita, muitas vezes marcada por uma introspeção profunda, revela uma sensibilidade particular para com as nuances da existência. Com uma linguagem cuidada e um estilo lírico, Noronha deixou um legado poético que continua a ser apreciado pela sua originalidade e profundidade. A sua contribuição para a literatura portuguesa, embora por vezes discreta, é reconhecida pela sua qualidade artística e pela capacidade de tocar o leitor com a sua visão singular do mundo.
1956-10-14 São Paulo
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Ontem
Ontem, partiu-se a lua em duas foices
e decepou o chifre do unicórnio.
Tingiu-se o céu de um rubro tom de esbórnia
e a vasta terra em vasto céu mirou-se.
Ontem, partiu-se a lua em duas foices.
Meias-luas gentis pudesse a córnea
entrever, entre arcanjos, no céu morno.
Mas não. Soltou-se a lua no ar, aos coices.
Bem sei que voltará a ser esfera.
Refundidas as faces, lua cheia,
reverterá o gume de ouro e fera.
Posto que é sempre a mesma lua, a meia
ou toda. E assim constante, assim pudera
ser poema, antes que punhal na veia.
e decepou o chifre do unicórnio.
Tingiu-se o céu de um rubro tom de esbórnia
e a vasta terra em vasto céu mirou-se.
Ontem, partiu-se a lua em duas foices.
Meias-luas gentis pudesse a córnea
entrever, entre arcanjos, no céu morno.
Mas não. Soltou-se a lua no ar, aos coices.
Bem sei que voltará a ser esfera.
Refundidas as faces, lua cheia,
reverterá o gume de ouro e fera.
Posto que é sempre a mesma lua, a meia
ou toda. E assim constante, assim pudera
ser poema, antes que punhal na veia.
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