Albano Dias Martins

Albano Dias Martins

1930–2018 · viveu 87 anos PT PT

Albano Dias Martins foi um poeta português cujo trabalho se insere num contexto de poesia mais tradicional, com um foco na exploração de temas como a natureza, a espiritualidade e os sentimentos humanos. A sua obra é marcada por uma linguagem cuidada e uma sensibilidade lírica que o distingue. Ao longo da sua carreira, Martins deixou um registo poético que reflete uma profunda observação do mundo e das emoções, consolidando-se como uma voz autêntica na literatura portuguesa, embora talvez menos proeminente que outros contemporâneos. O seu estilo caracteriza-se pela contenção expressiva e pela busca de uma beleza formal, onde a musicalidade do verso e a escolha precisa do vocabulário contribuem para a força das suas composições.

n. 1930-08-06, Fundão · m. 2018-06-06, Vila Nova de Gaia

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Ainda te falta dizer isto

Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Albano Dias Martins foi um poeta português. A sua obra foi escrita em português.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Albano Dias Martins, incluindo o seu ambiente familiar, educativo ou influências iniciais, não são amplamente acessíveis em fontes gerais. É provável que a sua formação tenha incluído o contacto com a tradição literária portuguesa.

Percurso literário

O percurso literário de Albano Dias Martins é o de um poeta que se dedicou à expressão lírica. O seu contributo para a literatura portuguesa, embora talvez não associado a grandes movimentos vanguardistas, caracteriza-se por uma abordagem sensível e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Albano Dias Martins tende a centrar-se em temas como a natureza, a espiritualidade e as emoções humanas. A sua poesia é frequentemente marcada por um tom lírico e contemplativo, com uma linguagem cuidada e uma estrutura que privilegia a beleza formal. O estilo de Martins pode ser descrito como contido e reflexivo, com um ritmo que confere musicalidade aos seus versos. A sua escrita busca a precisão vocabular e a profundidade imagética, mantendo uma ligação com a tradição poética, mas com uma voz pessoal.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Albano Dias Martins fez parte do panorama literário português, contribuindo para a diversidade da poesia produzida no seu tempo. A sua obra reflete, de forma implícita, o contexto cultural e as sensibilidades da sua época, sem que haja registos de um envolvimento direto em movimentos sociais ou políticos específicos.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Albano Dias Martins, como relações familiares, amizades, crenças ou posições políticas, não são amplamente divulgados em fontes de fácil acesso. A sua dedicação à poesia sugere uma vida interior rica e uma sensibilidade particular para com o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Albano Dias Martins como poeta, embora talvez não equiparável a figuras de maior projeção, existe no âmbito da crítica e dos apreciadores da poesia portuguesa. A sua obra é valorizada pela sua qualidade lírica e estilística.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências que moldaram Albano Dias Martins não são explicitamente detalhadas, mas o seu estilo sugere uma familiaridade com a tradição lírica portuguesa. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia com versos que celebram a beleza e a reflexão sobre temas universais.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Albano Dias Martins convida à contemplação e à reflexão sobre a vida, a natureza e a espiritualidade. As análises críticas tendem a salientar a delicadeza e a profundidade dos seus sentimentos expressos em versos bem trabalhados.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre aspetos menos conhecidos da vida de Albano Dias Martins, curiosidades ou hábitos de escrita específicos não são facilmente encontradas. A sua obra poética é o principal registo que permite vislumbrar a sua sensibilidade.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informação disponível sobre as circunstâncias da morte de Albano Dias Martins ou sobre publicações póstumas significativas que permitam detalhar este aspeto da sua memória.

Poemas

28

Relógio Sem Ponteiros

Quando agora te debruças sobre a água do tanque, vês projetado, lá no fundo, um relógio sem ponteiros. Percebes, então, que a ferrugem é também uma qualidade e um atributo da água, e não apenas de alguns metais a que chamamos vis. E percebes ainda que já não são necessários os relógios. Tu já não tens idade, nem o tempo, que partilha do halo e da fluidez da água e é, às vezes, como ela, tão inodoro e insípido, se deixa prender, mesmo num vaso de cristal. E não podes, assim, medir-lhe a respiração. A sua duração, se preferes. Se alguma ainda subsiste, é a que é regulada pelos ponteiros do seu próprio corpo.

1 523

Como um Archote

Vem tudo à superfície.
Como se
dentro da casa
um maremoto levantasse
as pedras todas, uma a uma; como se
no centro, iluminadas,
as esferas rodassem
no seu eixo — tudo
de repente se inclina, tudo arde
nesta fogueira acesa
como um archote de sangue, uma lua
de enxofre.

1 155

Crepúsculo de Agosto

Para a minha filha
Dos amigos que perdi
não falo. Sei
que estamos em agosto, mês
dos remos escaldantes, sei
que há lodo sob as algas,
sob a pele. Oblíqua,
sei também, a sombra
cai sobre as oliveiras. É
tempo de içares
tuas velas, teus ergueres
teus guindastes
junto ao rio. Dis
poníveis estão
as luzes; preparadas,
ermas estão as águas.

Preciso de arrumar a casa, rever o sistema, brunir
os móveis e o tato.
Preciso de opor o tempo ao tempo.
O espaço ao espaço.

1 453

Microscópio

Oásis
na penumbra
do rosto. A solidão
mais próxima
e distante.

in:Sob os
Limos(1981-1982)
1 262

Enquanto

o amor,enquanto a morte
Enquanto aguardas
e as urnas vazias
recolhem a poeira do verão.
Enquanto,
já submissos, os touros
do sol a soturnos
desígnios entregam
seu furor.
Enquanto,
sob a casa, agora
as térmitas repousam, momentanea
mente reverdecem
meus eucaliptos de água
e ouro.
Enquanto
o amor.
Enquanto
a morte.
Enquanto.

in:Os
Remos Escaldantes(1983)
1 158

Quatro

Perguntas,seguidas de um epílogo ao escultor José Rodrigues
1. Tens na
ponta do lápis uma chave
para abrir o poema.
Por onde é que ela o abre?

2. Se um besouro de asas
translúcidas entrasse
agora no poema
– tu deixavas?

3. Sabes
como se esculpe um poema
fechado a sete chaves?

4. E se uma pomba
roçasse o ângulo
raso do poema
– prendê-la-ias?
Tu que esculpes
com mãos de água o corpo
e a sombra dos dias.

in:Entre
a Cicuta e o Mosto(1992)
1 183

Dêem-me

um arco e recriarei a infância,
os tordos sob a neve,
o rio sob as tábuas.
Dêem-me
a chuva e a gávea
duma figueira,
a flor dos eucaliptos,
um agapanto de água.

in:Vertical
o Desejo(1985)
1 194

Aqui começam

todas
as doenças. A do feno
e seus alvéolos furtivos, a da lepra
das palavras traídas, nunca
usadas. E as maleitas
da pele, a insanável
maresia da língua.

1 225

Folheamos

agora dicionários
cada vez mais breves.
De noite,
os teus cabelos emigram
como espigas de incenso. Há gerânios
pisados entre os dedos, dálias
virgens sufocadas
na epiderme.
As palavras
só conhecem o limbo, a rigorosa
película da sede.

in:Uma colina
para os lábios(1993)
1 161

Entras

em mim descalça, vulnerável
como um alvo próximo, ferida
nos joelhos e nas coxas. Pelo tacto
nos conhecemos, é essa luz
oblíqua que nos cega. E te pertenço
e me pertences como
a lâmina
à bainha, a chama
ao pavio.
1 415

Livros

46
📚

Secura verde

1950

📚

Coração de bússola

1967

📚

Em tempo e memória

1974

📚

Paralelo ao vento

1979

📚

Inconcretos domínios

1980

📚

A margem do azul

1982

📚

Os remos escaldantes

1983

📚

O essencial sobre Alceu e Safo

1986

📚

Sob os limos

1986

📚

A voz do chorinho ou os apelos da memória

1987

📚

Poemas de retorno

1987

📚

Vertical o desejo

1988

📚

Os patamares da memória

1989

📚

Rodomel rododendro

1989

📚

Vocação do silêncio : poesia 1950-1985

1990

📚

Entre a cicuta e o mosto

1992

📚

Uma colina para os lábios

1993

📚

Com as flores do salgueiro

1995

📚

O mesmo nome

1996

📚

A voz do olhar

1998

📚

O espaço partilhado

1998

📚

Escrito a vermelho

1999

📚

Assim são as algas : poesia 1950-2000

2000

📚

Circunlóquios

2000

📚

O Porto de Raul Brandão

2000

📚

Castália e outros poemas

2001

📚

25 quadras de Natal

2003

📚

Frágeis são as palavras

2004

📚

Três poemas de amor seguidos de Livro quarto

2004

📚

A letra e as tintas

2006

📚

Palinódias, palimpsestos

2006

📚

A memória de um anjo

2008

📚

assim a cal, assim o musgo

2008

📚

Circunlóquios II

2008

📚

Realismo e modernidade na poesia de Cesário Verde

2008

📚

Uma casa à beira da floresta

2008

📚

As escarpas do dia : poesia 1950-2010

2010

📚

Antologia da poesia grega clássica

2011

📚

Estão agora floridas as magnólias

2012

📚

Três momentos da poesia europeia : de Safo e Píndaro a Ungaretti e Salinas

2012

📚

A estrela coralina

2013

📚

O balão

2013

📚

Livro de viagens

2015

📚

Ovídio : Poemas do desterro

2017

📚

Pequeno dicionário privativo

2017

📚

Poemas escolhidos

2018

Videos

50

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