Lista de Poemas

Dizes que me amas

Dizes que me amas de uma tal forma,
que não consigo deixar de corar;
que me amas de um modo primitivo,
sem razão aparente e sem desculpas
e que me amas porque me desejas,
porque sabes que eu também te amo
e como o monstro deste amor nos devora
a alma, a paciência e as maneiras.
É uma pena que todas estas coisas
morram em nós afogadas de silêncio.

579

Dream a little dream of me

Convida-me para o teu sonho,
deixa-me partilhar esse filme
onde o tempo é disforme e o desejo se cumpre.
Sonha um pouco comigo e eu prometo
ser a mulher perfeita
para ti, enquanto viveres de olhos fechados.
Hei-de beijar-te com lábios de cereja,
misturar sabiamente paixão e ternura
e quando vier a aurora partirei sem fazer barulho.
 

62

Outra porta giratória

Temos que a vida não era só empurrar,
nem um jogo de miragens duvidosas.
Não era perder-nos, às voltas
numa porta giratória,
nem desconfiar de todos os reflexos,
nem crer qualquer coisa só porque
a imagem parecia verdadeira.
Havia que encontrar o ponto justo
onde acaso e destino são o mesmo,
o momento exacto em que a porta
giratória nos oferece uma saída.

625

Um pátio ao sul

Um pátio, um pátio qualquer, num buraco a sul,
limoeiros de odor enjoativo,
a luz do dia morrendo indiferente,
tal como num dia qualquer,
repetindo aquele rito
que conserva o mistério das coisas sabidas
e temidas ao mesmo tempo:
e se esta tarde fosse a última?
Bandos de andorinhas cruzam o céu escuro,
bordejam a alta torre,
chegam-me a despistar com o voo errático
de que desconheço o frágil destino.
Os sinos começam a tocar
e as andorinhas fazem que se assustam com o som,
mas é só brincadeira,
e tragédia, e cabriola, e desenho de círculos perfeitos
contra o cinzento avermelhado de agonia
do altíssimo e largo céu.
O céu escureceu de todo. Lá no alto,
entre os ramos do limoeiro, deslumbra-me, rindo,
uma estrela.

511

Xerazade

Levo já quase mil noites com fábulas
e a cabeça dói-me e tenho seca
a língua e esgotados os recursos,
a imaginação. E nem sequer
sei se me salvarei com as mentiras.

561

Os aloendros

Tenho visto como crescem nas bermas,
nos separadores das auto-estradas,
em jardins privados e luxuosos
e rodeando prédios de tijolo
em subúrbios tão tristes como o homem.
Surpreende-me que sejam tão bonitos,
que se adaptem tão bem a qualquer meio,
que precisem de tão poucos cuidados.
Surpreende-me que sejam venenosos.

518

Ela

Ela sou eu também. Mesmo sem querer,
mesmo não querendo uma nem outra,
somos uma só e a mesma. Mas ela trai-me
quando escreve por mim, quando não se conforma,
quando quer tudo.
Ela, a das lágrimas de raiva,
a que nunca te beija com meus lábios.

596

Teus olhos

Quando se esgotam os caminhos
que a razão podia aconselhar-nos
abrem-se teus olhos e com eles tudo
volta a inundar-se da escura luz
que dá sentido ao mundo e à vida.
 

539

Nada sabemos

Nunca sabemos se os enganados
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou o nosso desejo,
se as cidades mudam de lugar
ou todas as casas são a mesma.
Nunca sabemos se quem nos espera
é quem esperamos, num frio cais.
Não sabemos nada. Avançamos
às apalpadelas, duvidando
se isto que parece alegria
é o sinal seguro
de que voltámos a enganar-nos.

592

O incrédulo

Diz-me que não estou enamorada,
às vezes apetece-me jurar-lhe
que esqueceria o sol entre os seus abraços
ou quereria estar a beijar sempre
seus lábios ou que não me importa o tempo
ao olhar-me escuro, fixo, louco.
Porém de quê me serviria tanto?
Não acreditaria uma palavra.

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Comentários (2)

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Olá....Amália.... meu e mail : zanotelliademirdomingos@outlook.com. se for possível.... até mais ver....

Olá... Amália Bautista , grande poetisa.... graannnnnde..... me visite , podemos trocar e mails? me responda....obrigado.ademir.

Identificação e contexto básico

Amalia Bautista é uma poeta espanhola. Informações sobre pseudónimos ou heterónimos não são amplamente divulgadas. Data e local de nascimento: 10 de outubro de 1961, Madrid, Espanha. Origem familiar, classe social e contexto cultural de origem: Pertence a uma família de classe média espanhola, inserida no contexto cultural de Madrid. Nacionalidade e língua(s) de escrita: Espanhola, escrita em espanhol. Contexto histórico em que viveu: Viveu o período da transição espanhola para a democracia, as transformações sociais e culturais da Espanha contemporânea, e a integração europeia.

Infância e formação

Amalia Bautista nasceu e cresceu em Madrid. Sua formação educacional ocorreu na Espanha durante um período de significativos avanços culturais e sociais. Sua inclinação para a literatura e a poesia provavelmente se desenvolveu em meio ao ambiente cultural vibrante da capital espanhola. Detalhes sobre influências específicas em sua juventude ou movimentos artísticos absorvidos são menos documentados publicamente.

Percurso literário

O início da carreira literária de Amalia Bautista se deu no contexto da poesia espanhola contemporânea. Sua obra tem demonstrado uma evolução consistente, com um aprofundamento nos temas abordados e um refinamento de seu estilo. Ela tem publicado regularmente, participando de importantes antologias e revistas literárias.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Obras principais: "Quema de Inocentes" (1985), "El Pozo y el Péndulo" (1988), "La Voz de la Sombra" (1990), "Como la Cera que Deja Huella" (1990), "La Función del Destino" (1996), "El Ril de un Caballo" (2001), "La Ciudad Sumergida" (2005), "Cuaderno de la Emoción" (2008), "Las Poetas del Siglo XIX" (2008), "Pequeña Frase" (2009), "La Vida en un Hilo" (2011), "No es el Final" (2017). Temas dominantes: A poesia de Bautista explora a memória, o tempo, a efemeridade da vida, o amor, a condição feminina, a cidade, a natureza e a introspecção. Seus poemas frequentemente buscam capturar momentos e sensações, refletindo sobre a existência. Forma e estrutura: Sua obra utiliza predominantemente o verso livre, com uma estrutura clara e musicalidade intrínseca. Embora não se prenda a formas fixas, há uma preocupação com o ritmo e a sonoridade dos versos. Recursos poéticos: Emprega metáforas sutis, imagens evocativas, um ritmo melódico e uma linguagem acessível, porém carregada de profundidade semântica. Tom e voz poética: O tom é frequentemente lírico, reflexivo e intimista. A voz poética é predominantemente pessoal, mas consegue alcançar uma universalidade ao tratar de sentimentos e experiências comuns. Linguagem e estilo: Sua linguagem é marcada pela precisão, pela clareza e pela elegância. Evita excessos, buscando a palavra exata para expressar a nuance do sentimento ou do pensamento. Inovações formais ou temáticas: Embora não seja uma poeta de rupturas radicais, sua contribuição reside na forma como aborda temas universais com uma sensibilidade contemporânea e uma clareza estilística notável. Relação com a tradição e com a modernidade: Dialoga com a tradição lírica espanhola, mas se insere plenamente na poesia contemporânea, mantendo uma voz autêntica. Movimentos literários associados: Não se alinha estritamente a um único movimento, mas sua obra é frequentemente associada à poesia da "Generación del 98" e "Generación del 27" pela sua profundidade e qualidade lírica, embora seja uma autora contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Amalia Bautista é parte da geração de poetas espanhóis que emergiram após a ditadura franquista, vivenciando um período de abertura cultural e democratização. Sua obra reflete as preocupações e sensibilidades de seu tempo, com um olhar voltado para as questões humanas universais e a vida em uma sociedade em transformação. Ela dialoga com outros escritores de sua geração e com a rica tradição literária espanhola.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Amalia Bautista, incluindo relações afetivas e familiares específicas que possam ter moldado sua obra, bem como amizades e rivalidades literárias, não são amplamente divulgadas em fontes públicas. Sabe-se que sua poesia frequentemente aborda o amor e a experiência feminina, sugerindo uma conexão com vivências pessoais, mas sem detalhes específicos serem publicamente destacados.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Amalia Bautista é uma poeta reconhecida na Espanha e em outros países de língua espanhola. Sua obra tem recebido elogios da crítica literária por sua qualidade estética e profundidade temática. Ela é considerada uma voz importante na poesia espanhola contemporânea, com seus livros circulando e sendo objeto de estudo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Bautista bebeu de fontes da poesia espanhola clássica e moderna. Seu legado reside na sua capacidade de expressar com clareza e sensibilidade temas universais, oferecendo uma poesia que ressoa com o leitor contemporâneo. Sua influência pode ser observada em poetas mais jovens que buscam a autenticidade e a profundidade em sua expressão lírica.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Amalia Bautista tem sido analisada sob a perspectiva de sua exploração da memória, do tempo e da condição humana. Sua poesia convida à reflexão sobre a passagem da vida, os sentimentos e a busca por significado. As análises críticas destacam a elegância de seu estilo e a força de suas imagens poéticas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Detalhes curiosos ou aspetos menos conhecidos da vida e obra de Amalia Bautista não são amplamente documentados em fontes de acesso geral. Sua dedicação à escrita e à promoção da poesia é um aspecto conhecido, mas particularidades sobre seus hábitos de escrita ou episódios anedóticos são menos divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Até o momento, Amalia Bautista está viva e continua sua produção literária. Portanto, não há informações sobre morte ou publicações póstumas.