António Feijó

António Feijó

1859–1917 · viveu 58 anos PT PT

António Feijó foi um notável poeta português, figura proeminente da Geração de 1890 e um dos fundadores da revista "A Renascença". A sua obra poética, marcada por um profundo lirismo e um estilo cuidado, explora temas como a natureza, a melancolia, a fugacidade do tempo e a busca pela beleza. Fez parte de um período de renovação literária em Portugal, contribuindo com uma voz distinta e uma sensibilidade particular para a poesia da sua época.

n. 1859-06-01, Ponte de Lima · m. 1917-06-20, Estocolmo

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Pálida e Loira

Morreu. Deitada num caixão estreito,

pálida e loira, muito loira e fria,

o seu lábio tristíssimo sorria

como num sonho virginal desfeito.

 

Lírio que murcha ao despontar do dia,

foi descansar no derradeiro leito,

as mãos de neve erguidas, sobre o peito,

pálida e loira, muito loira e fria.

 

Tinha a cor da raínha das baladas

e das monjas antigas maceradas

no pequenino esquife em que dormia.

 

Levou-a a morte em sua garra adunca,

e eu nunca mais pude esquecê-la, nunca!

pálida e loira, muito loira e fria.

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Biografia

Identificação e contexto básico

António Xavier Correia Feijó foi um poeta português. Nasceu em [data e local de nascimento desconhecidos, possivelmente Coimbra, Portugal] e faleceu em [data e local de falecimento desconhecidos]. É uma figura associada à Geração de 1890 e à revista "A Renascença".

Infância e formação

[Informação sobre infância e formação específica não detalhada]. Sabe-se que teve formação académica, possivelmente ligada ao Direito, dada a sua formação e a de muitos intelectuais da sua geração.

Percurso literário

António Feijó iniciou a sua carreira literária no contexto da poesia portuguesa de final do século XIX. Foi um dos fundadores da revista "A Renascença", um importante órgão de divulgação literária da época. A sua poesia, embora não vasta em volume, é reconhecida pela sua qualidade e pela sua contribuição para a renovação lírica.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Obras principais: [Títulos específicos e datas de publicação não facilmente disponíveis publicamente, mas a sua produção está associada à poesia da Geração de 1890]. Temas dominantes: A sua poesia explora frequentemente a natureza como fonte de inspiração, a melancolia, a reflexão sobre o tempo e a efemeridade da vida, e a busca por um ideal de beleza. Há também uma forte componente de introspeção e subjetividade. Forma e estrutura: O seu estilo poético é marcado pela musicalidade e pela busca da perfeição formal. Embora possa ter explorado diferentes formas, a sua poesia tende a ser elaborada, com atenção à métrica e ao ritmo. Recursos poéticos: Utiliza metáforas e imagens evocativas para criar atmosferas sensoriais e emocionais. A musicalidade do verso é um elemento central. Voz poética: A voz poética em Feijó é predominantemente lírica, introspectiva e por vezes elegíaca, refletindo uma sensibilidade refinada e uma certa melancolia. Linguagem e estilo: A sua linguagem é cuidada, erudita e por vezes densa em imagens, demonstrando um domínio da língua e uma busca pela expressão precisa das suas emocuições. Inovações formais ou temáticas: Fez parte de um movimento que procurava uma maior subjetividade e musicalidade na poesia, afastando-se de modelos anteriores. Relação com a tradição e com a modernidade: Equilibrou a herança da poesia clássica com as novas sensibilidades que emergiam no final do século XIX. Movimentos literários associados: Geração de 1890, com influências do Simbolismo e Parnasianismo, mas com uma voz marcadamente pessoal.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Viveu no período de transição entre o século XIX e o XX em Portugal, um tempo de instabilidade política e social, mas também de efervescência cultural. A Geração de 1890 procurou renovar a literatura portuguesa face aos descalabros históricos e à influência de correntes estéticas europeias.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal [Informação sobre vida pessoal específica é escassa]. Presume-se que, como muitos intelectuais da época, teve uma vida dedicada aos estudos e à atividade literária, possivelmente conciliando-a com uma profissão liberal.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção António Feijó é reconhecido como um poeta importante da Geração de 1890, embora a sua obra seja menos conhecida do grande público do que a de outros contemporâneos. O seu reconhecimento advém do seu valor estético intrínseco e da sua participação ativa nos círculos literários que moldaram a poesia portuguesa moderna.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Feijó foi influenciado pela poesia parnasiana e simbolista europeia, bem como pela tradição lírica portuguesa. O seu legado reside na sua contribuição para a musicalidade e a profundidade temática da poesia portuguesa, inspirando poetas posteriores pela sua sensibilidade e rigor formal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A sua obra é analisada pela sua capacidade de evocar estados de alma, pela sua ligação à natureza e pela exploração de temas existenciais como a passagem do tempo e a beleza ideal. A crítica valoriza a sua mestria técnica e a sua originalidade lírica.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo uma figura menos proeminente em termos de divulgação massiva, muitos aspetos da sua vida e obra permanecem menos conhecidos. A sua participação na fundação de "A Renascença" é um marco importante na sua trajetória.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória [As circunstâncias da sua morte e publicações póstumas específicas não são amplamente divulgadas].

Poemas

4

Pálida e Loira

Morreu. Deitada num caixão estreito,

pálida e loira, muito loira e fria,

o seu lábio tristíssimo sorria

como num sonho virginal desfeito.

 

Lírio que murcha ao despontar do dia,

foi descansar no derradeiro leito,

as mãos de neve erguidas, sobre o peito,

pálida e loira, muito loira e fria.

 

Tinha a cor da raínha das baladas

e das monjas antigas maceradas

no pequenino esquife em que dormia.

 

Levou-a a morte em sua garra adunca,

e eu nunca mais pude esquecê-la, nunca!

pálida e loira, muito loira e fria.

6 065

Flor de Pessegueiro

A melindrosa flor de pessegueiro
Deixei-a, como dádiva de amores,
A essa que tem o rosto feiticeiro
E os lábios cor das purpurinas flores.

E a tímida andorinha, de asas quietas,
Dei-a também como lembrança minha,
A essa que tem as sobrancelhas pretas,
Iguais às asas da andorinha.

No dia imediato a flor morria,
E a andorinha voava, entre esplendores,
Sobre a Grande Montana onde vivia
O Génio oculto qu preside às flores.

Mas nos seus lábios, como a flor abrindo,
Conserva a mesma carnação,
E não voaram, pelo azul fugindo
As asas negras dos seus olhos, não!

4 134

A Uma Mulher Formosa

Nas límpidas canções que me inspiraste
ao som da flauta d'ebano cantadas,
narrava as minhas mágoas desoladas,
mas tu não me escutaste!

Depois compus estâncias primorosas,
que lêste em carinho e sem ternura,
lançando ao rio as páginas formosas
onde eu cantava a tua formosura.

Quis ser então mais fino e mais amável:
dei-te um presente fabuloso e raro,
uma enorme safira comparável
a um céu nocturno imensamente claro.

E em paga d'essa joia deslumbrante,
d'esse primor, d'uma riqueza louca,
mostraste-me, sorrindo um só instante,
as pequeninas pérolas da boca.

2 306

Salgueiro

Adoro esta mulher moça e formosa,
Que à janela, a sonhar, vejo esquecida,
Não por ter uma casa sumptuosa
Junto ao Rio Amarelo construída…
- Amo-a porque uma folha melindrosa
Deixou cair nas águas distraída.

Tambem adoro a brisa do Levante
Não por trazer a essência virginal
Do pessegueiro que floriu distante,
No pendor da Montanha Oriental…
- Amo-a porque impeliu a folha errante
Ao meu batel no lago de cristal.

E adoro a folha, não por ter lembrado
A nova primavera que rompeu,
Mas por causa de um nome idolatrado
Que essa jovem mulher n’ela escreveu
Com a doirada agulha do bordado…
E esse nome… era o meu !

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