Discursos
Chegam os padres de Paris.
São festejados com discursos.
Fazem anos os padres importantes.
Envolve-os o aroma de discursos.
Convalescem os padres de sombrias
pneumonias duplas.
Em discursos a alta se proclama.
Que fizeram de imenso?
Chegaram,
aniversariaram,
enfermaram,
escaparam.
A oratória celebra estes prodígios
em tropos sublimes. Como falam
bonito meus colegas.
Que anástrofes, metáforas, perífrases,
que Cíceros, Demóstenes e Ruis.
Na aula de Português eles nem tanto.
Mas é soltar o verbo, e jorram
estrelas em forma de vocábulos
para saudar nossos amados guias.
O espírito da eloquência
baixa de não sei onde e lhes inspira
rasgos terreais de Mont’Alverne.
É pena: ainda não vi
ninguém fazer um discursinho mesmo chocho
ao Irmão Falcão, enaltecendo
a grata, oportuna cervejinha
por ele fabricada.
Certificados Escolares
I
Do certame literário
neste grande educandário,
o nosso aluno mineiro,
pacato, aplicado, ordeiro,
sai louvado com justiça,
por ter galgado na liça
este sonhado ouropel:
o posto de coronel
em francês, inglês, latim.
Que Deus o conserve assim.
II
Em literário certame
após rigoroso exame
escrito, oral e o que mais,
de resultados cabais,
o nosso caro estudante
discreto, pouco falante,
conquistou em português,
sem mas, porém ou talvez,
o ápice colegial
dos galões de general.
III
Por seu bom comportamento
em cada hora e momento,
seja em aula ou no recreio,
na capela ou no passeio,
acordado e até no sono
(do que todos dão abono),
receberá hoje ufano
o prêmio maior do ano,
e que em silêncio não passe:
medalha de prima classe.
IV
Que resta fazer agora
no adiantado da hora
de nossa faina escolar
em forma complementar
com relação a este aluno
e que se torne oportuno
para melhor prepará-lo
qual adestrado cavalo,
da vida no páreo duro?
Que seja expulso — no escuro.
O Doce
A boca aberta para o doce
já prelibando a gostosura,
e o doce cai no chão de areia, droga!
Olha em redor. Os outros viram.
Logo aquele doce cobiçado
a semana inteira, e pago do seu bolso!
Irá deixá-lo ali, só porque os outros
estão presentes, vigilantes?
A mão se inclina, pega o doce, limpa-o
de toda areia e mácula do chão.
“Se fosse em casa eu não pegava não,
mas aqui no colégio, que mal faz?”
Cobrinha
Este salta com uma cobra
na mão.
Que vantagem pegar em cobra morta?
Decerto nem foi ele quem matou.
Achou a cobra inanimada,
exibe-a qual troféu.
É uma cobra verde — reparamos,
admirável cobrinha toda verde,
lustroso verde nítido novinho
como não é qualquer planta que possui.
Estaco, deslumbrado.
Se eu pudesse guardá-la para mim,
enfeitar a carteira com seu corpo…
— Você me vende essa bichinha?
Livraria Alves
Primeira livraria, Rua da Bahia.
A Carne de Jesus, por Almáquio Diniz
(não leiam! obra excomungada pela Igreja)
rutila no aquário da vitrina.
Terror visual na tarde de domingo.
Volto para o colégio. O título sacrílego
relampeja na consciência.
Livraria, lugar de danação,
lugar de descoberta.
Um dia, quando? Vou entrar naquela casa,
vou comprar
um livro mais terrível que o de Almáquio
e nele me perder — e me encontrar.
Recusa
Não entendo, não engulo este latim:
Perinde ac cadaver.
“Você tem que obedecer como um cadáver.”
Cadáver obedece?
Tanto vale morrer como viver?
Para isso nos chamam, nos modelam?
Bem faz Padre Filippo:
cansado de obedecer, vai dar o fora
para viver no mundo largo
a fascinante experiência de só receber ordens
do seu tumultuoso coração.
A Hora Final
O funcionário smart da Delegacia do Tesouro Nacional,
o escrevente do cartório de protesto de títulos,
o moço bacharel violento mas generoso,
o poeta revisor do Minas Gerais,
o chefe político do Mutum aguardando há seis meses
(falhou na última eleição)
ser recebido no Palácio da Liberdade,
os velhos e novos frequentadores da noite,
lenta noite apitada de guardas-civis nas esquinas de sono,
as moças do cabaré com seus últimos bocejantes clientes
estão todos sentados
no restaurante Guarani da madrugada
comendo o mesmo indefectível,
arquitetônico, monumental
bife a cavalo de 1920.
Dois Fantasmas
O fantasma da Serra,
natural de Ouro Preto,
ninguém mais fala nele.
Desistiu; apagou.
Nos lentos, velhos tempos
cumpria seu destino
com toda a sisudez.
Era grave, pontual,
a ninguém assustava.
Surgia à meia-noite
e trinta, ponderado,
no nevoeiro de junho,
a pessoas seletas
que voltavam de festa.
Deixava-se ficar
junto a portões de chácaras
e lembrava sem gesto
a convivial presença
das almas do outro mundo
no coração mineiro.
Há muito ninguém volta
de festa na Floresta
ou qualquer outro bairro.
A rua embalsamada
permanece vestida
de solidão-magnólia.
Por falta de assistentes,
retira-se o fantasma
rumo ao País do Tédio.
Chega a vez do avantesma
da popular Lagoinha,
noutro extremo da vida.
Sinal de coisas novas.
É excêntrico, forja
diabruras cruéis.
Espanta motorneiros
sentando-se entre os trilhos
sem mover uma palha
se o bonde tilintante
desce a rampa. Conserva-se
em calmo desafio
à potência rangente.
O motorneiro, morto
de pavor, pula fora,
o condutor imita-o,
os raros passageiros
dessa hora glacial
aos gritos se levantam,
e, no tremendo instante
de esmagar o duende
ou de morrermos todos,
ele, o senhor de preto,
sem rosto, mas sarcástico
na postura insolente,
dissolve-se qual sonho
que não quer ser sonhado.
Em estrondar de rodas
de súbito freadas,
o pesadelo extingue-se.
Apenas se distingue
no interior do bonde
o convulsivo choro,
e na rua teatro
ao sol da lua cheia,
vago cheiro de enxofre.
A Lebre
Apareceu não sei como.
Queria por toda lei
desaparecer num relâmpago.
Foi encurralada
e é recolhida,
orelhas em pânico,
ao pátio dos pavões estupefatos.
Lá está, infeliz, roendo o tempo.
Eu faço o mesmo.
Ninfas
Agora sei que existem ninfas
fora das estampas e dos contos.
São três.
Bebem água publicamente
servida por uma sereia,
pois que também existem as sereias
na composição de verde e mármore
e é tudo fantástico no jardim
em frente do Palácio do Governo.
....quase uma quadrilha à moda portuguesa. A quadrilha daquela assembleia que nenhuma História quer ver entrar, de tanto entrarem e saírem dos bancos levam a população a crer que estamos a saque
.....sobre o que não se conhecia e, ébrio por conhecer vem porque o admira. Ele é muito reconhecido em Portugal e muito lido por uma vasta comunidade académica
Poeta completo.
Admiro muito este poeta e contista. Sua poesia mais contundente para mim e, Os ombros suportam o Mundo e a Rosa do Povo.
Adoro, fico extasiada quando leio os seus poemas
adoro seus poemas pois alem de nao ser tao dificil compreensao fica lindo e direto o que eu sinto
faser mais estrofes
amei você é d+ te amo nunca se encontra um brasileiro igual a você S2
adoruu toda a historia dele!!!!!!
Adorei muito Legaaallllllll................
Um Genio apaixonante sabe oq é amar a vida e as pessoas e a nutureza!!!!!
Bonita a historia dele adorei
Achei magnifica essa biografia parabéns ao autor
amo as poesia de Drummond,e genial,,,e fica a dica e so pros'''que sabe apresia tudo o que foi escrito por esse grande altor...assm ;;Reane batista da silva....
tem gente q só qer saber quando nasceu e quando morreu esses são os famosos enguinorantes eu nn curto muito poemas mais o desse cara é d+++ kkk '_'
Carlos Drummond de andrade um homem que transformava o cotidiano da vida em poesia jamais me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho......
gostei super legalllll !!!!!!!!!!
me imprecionou,mas sou supeito por ser fã
Amei sua historia......D+
Amei,Amei,Amei...d+!!!!
Adorei a história quero saber mais um
adorei a historia desse cara e demas
amo o poema José.
adorei a história dele muito interessante amei!!!!!!!!!