Venturosa de sonhar-te
Venturosa de sonhar-te,
à minha sombra me deito.
(Teu rosto, por toda parte,
mas, amor, só no meu peito!)
-Barqueiro, que céu tão leve!
Barqueiro, que mar parado!
Barqueiro, que enigma breve,
o sonho de ter amado!
Em barca de nuvem sigo:
e o que vou pagando ao vento
para levar-te comigo
é suspiro e pensamento.
-Barqueiro, que doce instante!
Barqueiro, que instante imenso,
não do amado nem do amante:
mas de amar o amor que penso!
Pássaro
Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.
Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.
Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.
Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.
O Cavalinho Branco
À tarde, o cavalinho branco
está muito cansado:
mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.
O cavalo sacode a crina
loura e comprida
e nas verdes ervas atira
sua branca vida.
Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos
a alegria de sentir livres
seus movimentos.
Trabalhou todo o dia, tanto!
desde a madrugada!
Descansa entre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada!
Nadador
O que me encanta é a linha alada
das tuas espáduas, e a curva
que descreves, passáro da água!
É a tua fina, ágil cintura,
e esse adeus da tua garganta
para cemitérios de espuma!
É a despedida, que me encanta,
quando te desprendes ao vento,
fiel à queda, rápida e branda
E apenas por estar prevendo,
longe, na eternidade da água,
sobreviver teu movimento...
Lua adversa
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
O Mosquito Escreve
O Mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.
O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U e faz um I.
Esse mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí, se arredonda e faz outro O,
mais bonito.
Oh!
já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever o seu nome.
Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?
E ele está com muita fome.
(Cecília Meileles in “Ou isto ou aquilo”)
Colar de Carolina
Para minha Carolina, que me fez
querer da vida o que ela tem de melhor.
Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina
O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.
E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral
nas colunas da colina.
Se eu fosse apenas
Se eu fosse apenas uma rosa,
com que prazer me desfolhava,
já que a vida é tão dolorosa
e não te sei dizer mais nada!
Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!
Perdoa-me causar-te a mágoa
desta humana, amarga demora!
– de ser menos breve do que a água,
mais durável que o vento e a rosa...
O Menino Azul
O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.
O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
— de tudo o que aparecer.
O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.
E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.
(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)
Depois do Sol
Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério . . .
Tudo imóvel . . . Serenidades . . .
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!
Oh! Paisagens minhas de antanho . . .
Velhas, velhas . . . Nem vivem mais . . .
— As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho . . .
Seres e coisas vão-se embora . . .
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora
Pelos silêncios a sonhar . . .
Fantástica!
Amo essa mulher. Minha inspiradora? diva.
Amei
me vi nessas palavras, parabéns!
Olá preciso fazer uma parodia sobre o poema Leilão de Jardim Preciso de ajuda se vocês poderem me ajudar ficarei muita agradecida pois e para sexta feira dessa sema quem poder me ajudar a fazer não sei nem como agradecer !! Mandem para o meu e-mail [email protected] Valeu meus amigos !
Olá, me chamo Ana , e gostaria muito de saber se tem alguém que tenha o poema de Cecília Meireles chamado *Um amigo não se compra* ele era um texto de livro escolar. Quem tiver e puder mandar em meu email. ficarei muito agradecida. [email protected]
ah só pra avisar eu que estou escrevendo sou a menina que escreveu o comentário debaixo desse. só retornei pra dizer: que a pessoa que escreveu o comentario d baixo do meu é o cometario da data:05-01-12 essa pessoa teve muitos erros ortográficos vou colocar as palavras do jeito certo e am baixo das palavra que escreverei colocarei o jeito errado que essa pessoa pôs: continue/sendo/merece comtinue/semdo/merese parece que a pessoa q escreveu errado ée analfabeta porque nao escreveu nadica de nada certo. bye,bye!!!
!!!!!amo ela eu na escola a professora e os coleguinha fizemos o CANTINHO DA CECILIA MEIRELES todo mundo imprime ou xeroca até mesmo escreve a biografia,poema fotos dela e etc.pena que ela ja faleceu !!!!!Lá na escola nós temos esse ano de 2012 enteiro para levar coisas escritas ,xerocadas ou imprimdas da pérola da Cecilia já sabemos quase tudo sobre a vida dela!!!!!!
Bom gostei muito da historia me ajudou muito espero que cecília meireles comtinue semdo respeitada porque ela merese!!!!!
Cecília amou,perdeu,ganhou,chorou,sorriu.Seus poemas nos remetem a um amor sublime,a uma viagem emergencial e repleta.Grande poetisa e escritora.Além de deixar muito vivo o caminho brilhante para uma boa educação.UM ícone!
Sou muito fã das poesias desta mulher,e com certeza foi uma mulher de grande determinação, pois enfrentou grandes dores em vida.
Cecilia e´ uma mullher maravilhosa, foi muito abençaoada por Deus.
Gostei me ajudou no meu blog.. vlw
minha nossa essa melher tem garande enspiração para escrever todos esse poemas lindos e cheios de vida
esse sait ma agudou muito na tarefa de casa
UAU!!!!!!!! ADOREI!!!!!!!! OBRIGADO!!!!!!!
Eu adorei os poemas !
gostei muito...................
Supreendido.
Um dia, ainda criança, tive oportunidade de ler "O menino Azul" e nunca mais esqueci da beleza e alegria que a poesia ceciliana em mim desperta. Hoje, professora de crianças, na escola pública, como foi a grande mulher e poetisa Cecília Meireles, "ofereço" O menino Azul as minhas crianças. Grata pelo espaço Professora Sandra Beiju
eu adoro todos os seus poema!
eu gostei dos poemas