Mulher ao espelho
Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
Timidez
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
- e um dia me acabarei.
A chuva chove
A chuva chove mansamente... como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente... Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...
E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene
... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,
Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
Revira in-fólios, cancioneiros e missais...
Amém
Hoje acabou-se-me a palavra,
e nenhuma lágrima vem.
Ai, se a vida se me acabara
também!
A profusão do mundo, imensa,
tem tudo, tudo - e nada tem.
Onde repousar a cabeça?
No além?
Fala-se com os homens, com os santos,
consigo, com Deus. . . E ninguém
entende o que se está contando
e a quem. . .
Mas terra e sol, luas e estrelas
giram de tal maneira bem
que a alma desanima de queixas.
Amém.
(Cecília Meireles)
Canção a caminho do Céu
Foram montanhas? foram mares?
foram os números...? - não sei.
Por muitas coisas singulares,
não te encontrei
E te esperava, e te chamava,
e entre os caminhos me perdi.
Foi nuvem negra? maré brava?
E era por ti!
As mãos que trago, as mãos são estas.
Elas sozinhas te dirão
se vem de mortes ou de festas
meu coração.
Tal como sou, não te convido
a ires para onde eu for.
Tudo que tenho é haver sofrido
pelo meu sonho, alto e perdido,
- e o encantamento arrependido
do meu amor.
Pássaro
Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.
Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.
Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.
Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Sonhos da Menina
A flor com que a menina sonha
está no sonho?
ou na fronha?
Sonho
risonho:
O vento sozinho
no seu carrinho.
De que tamanho
seria o rebanho?
A vizinha
apanha
a sombrinha
de teia de aranha . . .
Na lua há um ninho
de passarinho.
A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho
ou a lua da fronha?
Pescaria
Cesto de peixes no chão.
Cheio de peixes, o mar.
Cheiro de peixe pelo ar.
E peixes no chão.
Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.
As mãos do mar vêm e vão,
as mãos do mar pela areia
onde os peixes estão.
As mãos do mar vêm e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.
Por isso chora, na areia,
a espuma da maré cheia.
Rua dos rostos perdidos
Este vento não leva apenas os chapéus,
estas plumas, estas sedas:
este vento leva todos os rostos,
muito mais depressa.
Nossas vozes já estao longe,
e como se pode conversar,
como podem conversar estes passantes
decapitados pelo vento?
Não, não podemos segurar o nosso rosto:
as mãos encontram o ar,
a sucessão das datas,
a sombra das fugas, impalpável.
Quando voltares por aqui,
saberás que teus olhos
não se fundiram em lagrimas, não,
mas em tempo.
De muito longe avisto a nossa passagem
nesta rua, nesta tarde, neste outono,
nesta cidade, neste mundo, neste dia.
(Não leias o nome da rua, - não leias!)
Conta as tuas historias de amor
como quem estivesse gravando,
vagaroso, um fiel diamante.
E tudo fosse eterno e imóvel.
(Cecília Meireles)
Fantástica!
Amo essa mulher. Minha inspiradora? diva.
Amei
me vi nessas palavras, parabéns!
Olá preciso fazer uma parodia sobre o poema Leilão de Jardim Preciso de ajuda se vocês poderem me ajudar ficarei muita agradecida pois e para sexta feira dessa sema quem poder me ajudar a fazer não sei nem como agradecer !! Mandem para o meu e-mail [email protected] Valeu meus amigos !
Olá, me chamo Ana , e gostaria muito de saber se tem alguém que tenha o poema de Cecília Meireles chamado *Um amigo não se compra* ele era um texto de livro escolar. Quem tiver e puder mandar em meu email. ficarei muito agradecida. [email protected]
ah só pra avisar eu que estou escrevendo sou a menina que escreveu o comentário debaixo desse. só retornei pra dizer: que a pessoa que escreveu o comentario d baixo do meu é o cometario da data:05-01-12 essa pessoa teve muitos erros ortográficos vou colocar as palavras do jeito certo e am baixo das palavra que escreverei colocarei o jeito errado que essa pessoa pôs: continue/sendo/merece comtinue/semdo/merese parece que a pessoa q escreveu errado ée analfabeta porque nao escreveu nadica de nada certo. bye,bye!!!
!!!!!amo ela eu na escola a professora e os coleguinha fizemos o CANTINHO DA CECILIA MEIRELES todo mundo imprime ou xeroca até mesmo escreve a biografia,poema fotos dela e etc.pena que ela ja faleceu !!!!!Lá na escola nós temos esse ano de 2012 enteiro para levar coisas escritas ,xerocadas ou imprimdas da pérola da Cecilia já sabemos quase tudo sobre a vida dela!!!!!!
Bom gostei muito da historia me ajudou muito espero que cecília meireles comtinue semdo respeitada porque ela merese!!!!!
Cecília amou,perdeu,ganhou,chorou,sorriu.Seus poemas nos remetem a um amor sublime,a uma viagem emergencial e repleta.Grande poetisa e escritora.Além de deixar muito vivo o caminho brilhante para uma boa educação.UM ícone!
Sou muito fã das poesias desta mulher,e com certeza foi uma mulher de grande determinação, pois enfrentou grandes dores em vida.
Cecilia e´ uma mullher maravilhosa, foi muito abençaoada por Deus.
Gostei me ajudou no meu blog.. vlw
minha nossa essa melher tem garande enspiração para escrever todos esse poemas lindos e cheios de vida
esse sait ma agudou muito na tarefa de casa
UAU!!!!!!!! ADOREI!!!!!!!! OBRIGADO!!!!!!!
Eu adorei os poemas !
gostei muito...................
Supreendido.
Um dia, ainda criança, tive oportunidade de ler "O menino Azul" e nunca mais esqueci da beleza e alegria que a poesia ceciliana em mim desperta. Hoje, professora de crianças, na escola pública, como foi a grande mulher e poetisa Cecília Meireles, "ofereço" O menino Azul as minhas crianças. Grata pelo espaço Professora Sandra Beiju
eu adoro todos os seus poema!
eu gostei dos poemas