D. Dinis

D. Dinis

1261–1325 · viveu 63 anos PT PT

Dom Dinis foi um rei de Portugal conhecido como "o Lavrador" e "o Poeta". Durante o seu reinado, Portugal experimentou um período de desenvolvimento económico e cultural significativo. Foi um patrono das artes e das ciências, promovendo o ensino e a criação de instituições culturais. A sua produção poética, composta maioritariamente por cantigas de amigo e de amor, reflete a sensibilidade trovadoresca da época, abordando temas como a natureza, a saudade e os dilemas do amor cortês, com uma linguagem rica e musical.

n. 1261-10-09, Lisboa · m. 1325-01-07, Santarém

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Senhor, eu vivo coitada

Senhor, eu vivo coitada
vida, des quando vos non vi:
mais, pois vós queredes assi,
por Deus, senhor ben talhada,
querede-vos de mim doer
ou ar leixade-mir morrer.

Vós sodes tan poderosa
de min que meu mal e meu ben
en vós é todo; [e] por en,
por Deus, mha senhor fremosa,
querede-vos de mim doer
ou ar leixade-mir morrer.

Eu vivo por vós tal vida
que nunca estes olhos meus
dormen, mnha senhor; e, por Deus,
que vos fez de ben comprida,
querede-vos de mim doer
ou ar leixade-mir morrer.

Ca, senhor, todo m é prazer
quant i vós quiserdes fazer.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Dom Dinis I de Portugal, cognominado "o Lavrador" e "o Poeta", foi o sexto rei de Portugal. Nasceu em Lisboa e reinou de 1279 a 1325. É uma figura central na história medieval portuguesa, não só como monarca, mas também como um dos mais importantes trovadores da lírica galego-portuguesa.

Infância e formação

Dom Dinis era filho de Afonso III e da sua segunda esposa, a Rainha D. Beatriz de Castela. Recebeu a educação própria de um príncipe da época, com formação militar, política e cultural. O seu interesse pela cultura e pelas artes manifestou-se cedo, tendo tido contacto com a tradição trovadoresca.

Percurso literário

O percurso literário de D. Dinis está intrinsecamente ligado à sua atividade como rei e mecenas. É autor de um vasto corpus de cantigas líricas, maioritariamente cantigas de amigo e de amor, que se encontram nos cancioneiros galego-portugueses. A sua produção poética reflete a influência da lírica provençal e da tradição galega.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As cantigas de D. Dinis exploram temas como o amor cortês, a saudade, a natureza e a moral. Na cantiga de amigo, destaca-se pela sua capacidade de criar uma atmosfera lírica e melancólica, muitas vezes utilizando a voz de uma donzela que se queixa da ausência do seu amado. Na cantiga de amor, aborda os sofrimentos e os ideais do amor idealizado. O seu estilo é caracterizado pela musicalidade, pela simplicidade formal e pela riqueza de imagens, com um vocabulário que reflete a língua falada na época.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico O reinado de D. Dinis foi um período de consolidação do reino de Portugal, com importantes reformas administrativas, económicas e culturais. Promulgou o primeiro foral geral, incentivou a agricultura e o comércio, e fundou a Universidade de Coimbra. Foi também um período de intensa atividade cultural, com a proliferação da poesia trovadoresca, da qual D. Dinis foi um dos expoentes máximos.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Dom Dinis casou-se com D. Isabel de Aragão, conhecida como Santa Isabel de Portugal. Teve vários filhos, entre os quais Afonso IV, o seu sucessor. O seu reinado foi marcado por conflitos com a Igreja e com a nobreza, mas também por uma notável capacidade diplomática e administrativa. A sua figura como "Rei-Poeta" tornou-se lendária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, D. Dinis foi amplamente reconhecido como um poeta de mérito. A sua obra foi copiada e divulgada nos cancioneiros, e a sua influência perdurou. Ao longo dos séculos, a sua figura como monarca e poeta tem sido objeto de estudo e admiração, consolidando o seu lugar na história e na literatura de Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado D. Dinis influenciou a poesia galego-portuguesa e deixou um legado duradouro na literatura portuguesa. A sua obra é fundamental para a compreensão da lírica medieval e da formação da língua portuguesa. A sua ação como promotor da cultura e do ensino contribuiu para o desenvolvimento intelectual do reino.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de D. Dinis tem sido analisada sob diversas perspetivas, destacando-se a sua contribuição para a consolidação da identidade cultural portuguesa e a sua mestria na expressão dos sentimentos humanos universais através da forma trovadoresca.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O cognome "o Lavrador" deve-se à sua política de incentivo à agricultura e ao povoamento do reino. A sua ligação com a poesia é tão forte que muitos dos seus contemporâneos o viam mais como poeta do que como rei.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Dom Dinis faleceu no Mosteiro de Odivelas. A sua memória é celebrada como a de um dos mais importantes reis de Portugal, "o Rei-Poeta", cujas realizações culturais e literárias moldaram significativamente a identidade e a história do país.

Poemas

141

Tam Muito Mal Mi Fazedes, Senhor

Tam muito mal mi fazedes, senhor,
e tanta coita e afã levar
e tanto me vejo coitad'andar,
que nunca mi valha Nostro Senhor
       se ant'eu já nom queria morrer
       e se mi nom fosse maior prazer.

Em tam gram coita viv', há gram sazom,
por vós, senhor, e levo tanto mal,
que vos nom posso nem sei dizer qual;
e por aquesto Deus nom mi perdom
       se ant'eu já nom queria morrer
       e se mi nom fosse maior prazer.

Tam muit'é o mal que mi por vós vem
e tanta coita lev'e tanto'afã
que morrerei com tanto mal, de pram,
mais pero, senhor, Deus nom mi dê bem,
       se ant'eu já nom queria morrer
       e se mi nom fosse maior prazer.

Ca mais meu bem é de morte sofrer
ante ca sempr'em tal coita viver.
759

Que Razom Cuidades Vós, Mia Senhor

Que razom cuidades vós, mia senhor,
dar a Deus, quand'ant'El fordes, por mi,
que matades, que vos nom mereci
outro mal senom se vos hei amor,
aquel maior que vo-l'eu poss'haver?
Ou que salva lhi cuidades fazer
da mia morte, pois per vós morto for?

Ca [e]na mia morte nom há razom
bõa que ant'El possades mostrar;
des i non'O er podedes enganar,
ca El sabe bem quam de coraçom
vos eu am'e [que] nunca vos errei;
e por en, quem tal feito faz, bem sei
que em Deus nunca pod'achar perdom.

Ca, de pram, Deus nom vos perdoará
a mia morte, ca El sabe mui bem
ca sempre foi meu saber e meu sem
em vos servir; er sabe mui bem [já]
que nunca vos mereci por que tal
morte por vós houvess'; e por en mal
vos será quand'ant'El formos alá.
771

Como Me Deus Aguisou Que Vivesse

Como me Deus aguisou que vivesse
em gram coita, senhor, des que vos vi!
Ca logo m'El guisou que vos oí
falar; des i quis que er conhocesse
o vosso bem, a que El nom fez par;
e tod'aquesto m'El foi aguisar
em tal que eu nunca coita perdesse.

E tod'est'El quis que eu padecesse
por muito mal que me lh'eu mereci,
e de tal guisa se vingou de mi;
e com tod'esto nom quis que morresse,
porque era meu bem de nom durar
em tam gram coita nem tam gram pesar;
mais quis que tod'este mal eu sofresse.

Des i nom er quis que m'eu percebesse
de tam gram meu mal, nen'o entendi,
ante quis El que, por viver assi
e que gram coita nom mi falecesse,
que vos viss'eu, u m'El fez desejar
des entom morte, que mi nom quer dar,
mais que, vivend', o peior atendesse.
767

Pero Que Eu Mui Long'estou

Pero que eu mui long'estou
da mia senhor e do seu bem,
nunca me Deus dê o seu bem,
pero m'eu [de]la long'estou,
       se nom é o coraçom meu
       mais preto dela que o seu.

E pero long'estou dali
d'u agora é mia senhor,
nom haja bem da mia senhor,
pero m'eu long'estou dali,
       se nom é o coraçom meu
       mais preto dela que o seu.

E pero longe do logar
estou, que nom poss'al fazer,
Deus nom mi dê o seu bem-fazer,
pero long'estou do logar,
       se nom é o coraçom meu
       mais preto dela que o seu.

C'a vezes tem em al o seu,
e sempre sigo tem o meu.
684

Quant'eu, Fremosa Mia Senhor

Quant'eu, fremosa mia senhor,
de vós receei a veer,
muit'er sei que nom hei poder
de m'agora guardar que nom
veja; mais [sei] que morrerei
aquel dia (tal confort'hei),
e perderei coitas d'amor.

E como quer que eu maior
pesar nom podesse veer
do que entom verei, prazer
hei ende, se Deus mi perdom:
porque por morte perderei
aquel dia coita que hei,
qual nunca fez Nostro Senhor.

E pero hei tam gram pavor
daquel dia grave veer,
qual vos sol nom posso dizer,
confort'hei no meu coraçom:
porque por morte sairei
aquel dia do mal que hei,
peior do que Deus fez peior.
839

Ua Pastor Se Queixava

Ũa pastor se queixava
muit'estando noutro dia
e sigo medês falava
e chorava e dizia
com amor que a forçava:
"Par Deus, vi-t'em grave dia,
       ai amor!"

Ela s'estava queixando
come molher com gram coita
e que a pesar, des quando
nacera, nom fora doita;
por en dezia chorando:
"Tu nom és senom mia coita,
       ai amor!"

Coitas lhi davam amores,
que nom lh'eram senom morte;
e deitou-s'antr'ũas flores
e disse com coita forte:
"Mal ti venha per u fores,
ca nom és senom mia morte,
       ai amor!"
355

Ora Vej'eu Bem, Mia Senhor,

Ora vej'eu bem, mia senhor,
que mi nom tem nẽũa prol
de no coraçom cuidar sol
de vós – senom que o peior
       que mi vós poderdes fazer
       faredes, a vosso poder.

Ca nom atend'eu de vós al,
nem er passa per coraçom,
se Nostro Senhor mi perdom,
senom que aquel maior mal
       que mi vós poderdes fazer
       faredes, a vosso poder.

E sol nom met'eu em cuidar
de nunca de vós haver bem,
ca sõo certo d'ũa rem:
que o mais mal e mais pesar
       que mi vós poderdes fazer
       faredes, a vosso poder.

Ca Deus vos deu end'o poder
e o coraçom de mi o fazer.
800

Oimais Quer'eu Já Leixá'lo Trobar

Oimais quer'eu já leixá'lo trobar
e quero-me desemparar d'amor,
e quer'ir algũa terra buscar
u nunca possa seer sabedor
ela de mi nem eu de mia senhor,
pois que lh'é d'eu viver aqui pesar.

Mais Deus! Que grave cousa d'endurar
a mim será ir-me d'u ela for!
Ca sei mui bem que nunca poss'achar
nẽũa cousa ond'haja sabor,
senom da morte; mais ar hei pavor
de mi a nom querer Deus tam cedo dar.

Mais se fez Deus a tam gram coita par
come a de que serei sofredor,
quando m'agora houver d'alongar
daquesta terra u est a melhor
de quantas som e de cujo loor
nom se pode per dizer acabar.
689

Nostro Senhor, Hajades Bom Grado

Nostro Senhor, hajades bom grado
por quanto m'hoje mia senhor falou;
e tod'esto foi porque se cuidou
que andava doutra namorado;
       ca sei eu bem que mi nom falara,
       se de qual bem lh'eu quero cuidara.

Porque mi falou hoj'este dia,
hajades bom grado, Nostro Senhor;
e tod'esto foi porque mia senhor
cuidou que eu por outra morria;
       ca sei eu bem que mi nom falara,
       se de qual bem lh'eu quero cuidara.

Porque m'hoje falou, haja Deus
bom grado, mais desto nom fora rem
senom porque mia senhor cuidou bem
que doutra eram os desejos meus;
       ca sei eu bem que mi nom falara,
       se de qual bem lh'eu quero cuidara.

Ca tal é que ante se matara
ca mi falar, se o sol cuidara.
695

O que vos nunca cuidei a dizer

Os diré, con tristeza, lo que nunca pensé
que os diría, señora,
porque veo que por vos muero,
porque sabéis que nunca os hablé
de cómo me mataba vuestro amor:
porque sabéis bien que de otra señora
yo no sentía ni siento temor.
Todo esto me hizo sentir
el temor que de vos tengo,
y desde ahí por vos dar a entender
que por otra moriría, de ella tengo,
sabéis bien, algo de temor;
y desde hoy, hermosa señora mía,
si me matáis, bien me lo habré buscado.
Y creed que tendré gusto
de que me matéis, pues yo sé con certeza
que en el poco tiempo que he de vivir,
ningún placer obtendré;
y porque estoy seguro de esto,
si me quisierais dar muerte, señora,
por gran misericordia os lo tendré.
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Comentários (11)

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Marichan0000
Marichan0000

incrivel eu adorei

lago 20096
lago 20096

mais do que otimo maravilhoso amei

lago 20096
lago 20096

diz tudo o que eu queria

-jbyulug
-jbyulug

nao encontrei o que eu queria

A vida de D.Dinis
A vida de D.Dinis

Ele era pobre no inicio da sua vida .E depois éque começou a ser rico porque foi rei.