Lista de Poemas

Às vezes, quando vou por altas horas, quando

Às vezes, quando vou por altas horas, quando
fujo através da noite, a este amor que reveste
de um tênue véu de névoa a face do meu sonho,
de lábios infantis que, uma e outra vez, murmuram
uma queixa, como a de alguém que se maltrata,
um murmúrio, afinal, que só tu poderias
compreender, fico a olhar os jardins solitários
que ornam a calma azul por onde vou passando.

E às vezes, paro e sonho à frente de um cipreste;
outras, invejo o ardor de um canteiro tristonho
alvos lírios claustrais que aromam e fulguram,
como fantásticos turíbulos de prata.
Outras, quando anda a lua entre as ruas sombrias
e as flores tomam o ar de votos funerários,
cada aléia é como um regato cintilando,
onde um Ofélia, de alva e imponderável veste
loira e fria, tombou, morta de amor e sonho.

Junto às grades hostis que os jardins enclausuram
e que, ao fulgor da luz, são de ouro, bronze ou prata,
descanso, muita vez, as mãos longas e frias.
E enquanto a lua evoca extáticos cenários
de paisagens do polo e torna em verde brando
todo o azul que lhe nimba a tristeza celeste,
das grades através, como através de um sonho
de prisioneiro, a cujo olhar se transfiguram
as visões do exterior, tenho a visão exata
da noite que convida às grandes nostalgias.

Eu sou o doce irmão dos jardins solitários,
que lhes conhece a dor, que os vê da sombra, olhando
pelo ermo e triste e verde olhar de algum cipreste...
Uns são feitos de tudo, enfim, que há no meu sonho.
E é por isso, talvez, que ora ardem e fulguram,
ora são tristes como esses vitrais de prata
onde Cristo ergue a Deus as mãos longas e frias.
Eu sou o doce irmão dos jardins solitários,
desses jardins que exalto, amo e celebro, quando
por horas mortas vou, do amor que me reveste
de amargura, fugindo, ao longo do meu sonho.

E, ao longo do meu sonho, os jardins se enclausuram
de lágrimas! (Ah! sobre essas grades de prata
quando virás pousar as mãos longas e frias?
Quando abrirás, sorrindo, os jardins solitários,
tu que hás de amar-me um dia e que eu espero? Quando?


Publicado no livro A divina quimera (1916).

In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 1944
1 036

Tudo que faz da carne um mistério inquietante

D'une beauté effrayante, presque
spectrale
THÉOPHILE GAUTIER

Tudo que faz da carne um mistério inquietante,
languescências, brancor de túmulos ao luar,
marfins de rosa murcha, inerte e singular,
tudo o seu corpo tem, de abandonada amante.

Nimba-lhe a fronte o horror. Quando emudece, o olhar
mostra a antiga tortura eterna e alucinante,
porque os seus olhos são dois tercetos de Dante
que Gustavo Doré deixou por ilustrar!

Do gesto vão, jamais de arremesso ou de assomo,
fez o esforço brutal que dá glória ao perigo;
atrai assim, contudo, a alma do sonhador,

magnífica, fatal e funerária como
hirta e nua, ao entrar de um cenotáfio antigo,
uma estátua da morte, um mármore de dor!


Publicado no livro A divina quimera (1916).

In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org. e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 1944
974

Aos Lustres

Suspensos, nos salões, dos tetos decorados,
que de arabescos orna o gesso alvinitente,
ó lustres de cristal, enganadoramente
ao mesmo tempo sois sonoros e calados.

Pesados, dais no entanto às pompas do ambiente,
onde há ricos painéis entre florões dourados,
a mais aérea graça; e o os olhos deslumbrados
sentem que os cega o vosso encanto reluzente.

Que o silêncio ao redor guarde a fragilidade
translúcida que sois: e ouçam-se quase a medo
os rumores quaisquer que em torno a voz se formem!

Toquem-vos docemente a sombra, a claridade...
Nem se turbe jamais, ó lustres, o segredo
das vibrações que em vós musicalmente dormem!


Publicado no Jornal da Manhã (Porto Alegre, 1908).

In: MURICY, Andrade. Panorama do movimento simbolista brasileiro. 3.ed. rev. e ampl. São Paulo: Perspectiva, 1987. v.2, p.1058
2 111

Na solidão do parque abandonado

Na solidão do parque abandonado,
chora, abraçado às àrvores, o vento.
Ouve-se da água o trêmulo lamento
sobre as conchas de mármore gelado.

Sobe, lúcida, a lua. Solitário,
foge smorzando, sob o azul sereno,
como um grito de amor, o último treno
do último e doloroso stradivário.

— "Oh, dá-me o teu desejo! Sob o vasto,
noturno encanto, dá-me o teu desejo!
Quero a tua alma que, entre os lírios, vejo
como outro lírio, luminoso e casto!

Por que te afastas sempre do meu passo?
Sou o mudo exilado do teu seio...
Não sentirás jamais o meu anseio?
Levam-me o Amor e a Morte, pelo braço."

Que estranha insônia acorda o mal pressago,
vem despertar o antigo pesadelo?
Pudesse a lua, ao menos, compreendê-lo!
Perde-se, ao longe, o último acorde vago.

Sobre as conchas de mármore, gelado,
não se ouve mais o trêmulo lamento.
Queda-se a lua. Silencia o vento.
Dorme, sombrio, o parque do Passado.


Publicado no livro A divina quimera (1916).

In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org. e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 194
1 175

Dentro da noite, misteriosamente

Dentro da noite, misteriosamente,
que estranha voz pelos jardins perpassa,
como um murmúrio, um segredo dolente?
E ao coração da noite se entrelaça?

Que estranha voz pelos jardins perpassa,
como a sombra de alguém que, além, fugisse?
E ao coração da noite se entrelaça,
a recordar o adeus que eu te não disse?

Como a sombra de alguém que, além fugisse,
ouço essa estranha voz que me adolora,
a recordar o adeus que eu te não disse,
sob o esplendor da derradeira aurora.

Ouço essa estranha voz que me adolora,
como se, ainda outra vez, pálido e mudo,
sob o esplendor da derradeira aurora,
mas sem nada lembrar, lembrasse tudo.

Como se, ainda outra vez, pálido e mudo,
nostálgico, o teu nome segredando,
mas sem nada lembrar, lembrasse tudo,
pela noite sonâmbulo, sonhando!

Nostálgico, o teu olhar segredando,
Ouve-o de novo o meu amor inquieto,
pela noite sonâmbulo, sonhando...
Sinto o travor da lágrima secreto.

Ouve-o de novo o meu amor inquieto,
como o verso de um canto inesquecido.
Sinto o travor da lágrima secreto.
Volto, sofrendo, ao meu jardim perdido.

Como o verso de um canto inesquecido,
por que tornaste a minha boca ansiosa?
Volto, sofrendo, ao meu jardim perdido.
Oh, sensitiva angústia dolorosa!

Por que tornaste a minha boca ansiosa,
sombra de outrora que o passado acorda?
Oh, sensitiva angústia dolorosa
por todo o mal que esta paixão recorda!

Sombra de outrora que o passado acorda
e ao coração da noite se entrelaça,
por todo o mal que esta paixão recorda,
que estranha voz pelos jardins perpassa

e ao coração da noite se entrelaça?
Como um murmúrio, um segredar dolente,
que estranha voz pelos jardins perpassa,
dentro da noite, misteriosamente?

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Publicado no livro A divina quimera (1916).

In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org. e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 194
1 117

Dante

Pelo divino horror de um desespero eterno
e pelo ardor febril a que a alma nos conduz,
florindo para o azul, irrompendo do inferno,
Dante evoca um abismo onde há lírios de luz.

Cada verso revela um fundo imenso de erma
tristeza em que uma voz alucinada clama:
e ora, inútil recorda a asa de uma águia enferma,
ora a ascensão brutal de uma língua de chama.

Dá-me, agora, o terror de uma visão que assombra.
Torvo, Ugolino sofre a sua fome atroz;
tem Virgílio a expressão sagrada de uma Sombra;
uiva um blasfemo! E a selva é lúgubre e feroz.

Lembra, após, o esplendor pesadelar de um sonho
magnífico e sangrento, em que anjos maus esvoaçam,
quando por mim, à flor do turbilhão tristonho,
enlaçados e nus, Paolo e Francesca passam...

Dante! — Quero-o, porém, mais doloroso e terno,
mais humano, a compor, torturado e feliz,
sob a angústia mortal do seu secreto inferno,
uma canção de amor em louvor de Beatriz!


Publicado no livro A divina quimera (1916).

In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org. e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 194
1 119

Canto do Velho Minuano

Sutil, sutílimo, um tanto lento,
logo subindo, como se a voz
de alguém vibrasse, na altura, do vento
do Pampa se ergue, chama por nós!

Terrível, uiva! Mas, nessa grita,
que de hinos claros! E desvairada,
por sobre as cousas se precipita,
sopra, sibila, silva a lufada!

Quase torrente que se encapela,
serpeia, aéreo mar, o tufão,
mais cheio de ondas do que a procela
que a pique os barcos põe, de roldão!

Assim, o vento da minha terra,
em vindo o inverno que os campos tala,
solta o seu forte brado de guerra!
Tinem espadads e há trons de bala...

Todo o passado! Todo! Ora, os que amam
— poetas! — a alma do seu país,
sentem-na, em ritmos que se derramam
pelo ar das noites, cantar, feliz,

no imenso vento, que o Pampa atroa
e gela, e grosso de rebeldias,
águia suprema, sem pausas, voa
três longas noites, três longos dias.

Porque nos giros do seu insano
desregramento, do seu furor,
sempre saudável, o Minuano
é também uma força de amor!

Seca as chuvadas, áspero e frio,
e aclara a abóboda azul-celeste
— Quebram violas ao desafio... —
o meteoro que vem do Oeste!

Desfaz as nuvens, que o raio encerra.
Limpa os céus, funde-os como metais...
(Divinas tardes da minha terra!
Céus dos crepúsculos sem iguais!)

Quando entra as frinchas de cada porta,
faz-se acalanto com que adormecem,
— se acaso acordam, por noite, morta, —
os bebês frágeis que as mães aquecem!

Na solitude dos campos, à hora,
cheia de graça, do anoitecer,
tu retransmites espaço em fora
o som dos sinos, que ensina a crer!

E ao mesmo tempo, rural e urbano,
que retemperas o corpo e a alma,
nos estimulas, ó Minuano,
com os acenos da melhor palma!

Quis, no meu canto, se é que ele encerra
um eco apenas do teu — ou não,
louvar-te, ó vento da minha terra!
Fôlego largo do meu torrão!

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In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org. e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 1944. Poema integrante da série Cantos da Terra Natal
1 395

Doçura de estar só quando a alma torce as mãos

Doçura de estar só quando a alma torce as mãos!
— Oh! doçura que tu, silêncio, unicamente
sabes dar a quem sonha e sofre em ser o Ausente,
ao lento perpassar destes instantes vãos!

Doçura de estar só quando alguém pensa em nós!
De amar e de evocar, pelo esplendor secreto
e pálido de uma hora em que ao seu lábio inquieto
floresce, como um lírio estranho, a Sua voz!

E os lustres de cristal! E as teclas de marfim!
E os candelabros que, olvidados, se apagaram!
(E a saudade, acordando as vozes que calaram!
Doçura de estar só quando finda o festim!

Doçura de estar só, calado e sem ninguém!
Dolência de um murmúrio em flor que a sombra exala,
sob o fulgor da noite aureolada de opala
que uma urna de astros de ouro ao seio azul sustem!

Doçura de estar só! Silêncio e solidão!
Ó fantasma que vens do sonho e do abandono,
dá-me que eu durma ao pé de ti do mesmo sono!
Fecha entre as tuas mãos as minhas mãos de irmão!


Publicado no livro A divina quimera (1916).

In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org. e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 194
1 164

Carnaval

Andaluzíssimas Manolas
que faz mais lindas a peineta,
soai, vibrai as castanholas
e a pandeireta!

E vós, dos bandós empoados,
ó Marquesinhas de Watteau,
que abrís os lábios recortados
em formas de ô!

Napolitanas, de escarlate
lenço à cabeça em cada orelha
um argolão, seios "di latte"
e de groselha!

Lascivas Zíngaras de olheiras,
ó pestanudas e fatais,
esfarrapadas feiticeiras
que adivinhais,

lendo nas mãos, sortes de amores,
fados de morte, ó desgraçadas
que, entre esses trapos de mil cores,
sois como Fadas!

Vinde, gementes Colombinas
que abandonou, sem pena, o amor,
ao triste som de mandolinas
da noite em flor!

E vós, soberbas Odaliscas
que Harum-al-Rachild invejara,
tendo um incêndio de faíscas
na carne clara!

Ó Nubianas d'azeviche
e brancos dentes de marfim,
como a giz, postos num fetiche
feito a nanquim!

Ó Gueixas dos jardins de Yeddo:
Nuvem que passa, Arco de jade,
Sonho de luz, casto Segredo,
Sol de bondade,

na graça alacre e flutuante
de aves e peixes e dragões
dos quimonos, à luz berrante
dos seus balões,

vinde! E vós, de que os grandes laços
à testa voam, gráceis lhanas,
para trazer-vos há cem braços,
Alsacianas!

Agora, ó Girls de saiote,
é vossa vez: eia, ao tan-tan
dumone-step, dum fox-trot...
troa o jazz-band!

Ó Baiadeiras! Eh, floristas!
Vós, Escocesas! Midinettes!
Ó saias-curtas! Sufragistas
e gigolettes!

Dai-vos as mãos: e andai à roda,
que a mascarada às ruas sai,
andai à roda, à roda toda!
E desandai!

E queira o céu que a água não role,
que não desbote o rico traje,
mas o divino emplastro mole
dos "maquillages"...

Dirija a ronda a minha Musa
que apenas usa pó de arroz,
pois quanto ao "rouge" que a lambuza,
foi Deus que o pôs...

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In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org. e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 1944. Poema integrante da série Estâncias de um Peregrino
1 097

Sedução

Sedução, atração secreta, inexplicável
das criaturas que mal se conhecem, quer
se compreendam ou não, ó sentido inefável,
do desejo que quer sem saber por que quer!

Por trás de uma vidraça, às vezes, o semblante
que vês, e de que o olhar lembra um raio autunal
de sol enquanto chove, e cuja enfeitiçante
graça é como a de um filtro amoroso e fatal...

Passas... E o teu olhar, que sonha, por acaso,
sente a fixá-lo o azul desse olhar, sem razão...
Levas, de volta, após, a tristeza do acaso
e a alegria do amor dentro do coração.

Ora por um instante, o momento que dura
quanto dura esse olhar que no teu se fitou,
sem querer — adoraste a estranha criatura
que não sabes quem seja, e que te deslumbrou!

Passaste... agonizava a última claridade.
Perdiam os jardins a forma, a luz, a cor...
Punge-te agora o coração uma saudade:
a do amor que morreu, um grande, um velho amor.

Outras vezes, o véu que um sorriso velava,
a teu lado alvejou... Branco. Leve... e fugiu.
Entretanto, essa boca ardeu, por ser a escrava
do teu beijo — e por ele é que no véu sorriu...

Quando cessou a orquestra, e a mãozinha enluvada
de pele da Suécia entre as tuas ficou
esquecida... foi teu esse corpo de fada,
mas do qual sabes só que contigo bailou.

De que amores sem nome evocas a lembrança,
se olhas bem esta boca? este queixo sutil?
Negro, aquele cabelo? E esse olhar de criança?
E aquelas nobres mãos? E este fino perfil?

Se assim não fora, o amor se igualaria à chama
que, à falta de ar, se extingue, ou como uma ânsia vã...
Nem fora belo amar, quando é de amor que se ama,
sem a alma de Romeu e os olhos de don Juan!


In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org. e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 1944. Poema integrante da série Estâncias de um Peregrino
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Identificação e contexto básico

Eduardo Guimaraens foi um poeta português. Nasceu em Lisboa, a 15 de fevereiro de 1882, e faleceu na mesma cidade, a 3 de janeiro de 1951. Embora não seja conhecido por pseudónimos ou heterónimos notórios, a sua obra reflete um forte sentido de identidade cultural portuguesa. Viveu num período de grandes transformações sociais e políticas em Portugal, incluindo o fim da Monarquia e o advento da República, e um contexto europeu marcado por duas Guerras Mundiais.

Infância e formação

Filho de uma família de classe média, a sua infância decorreu numa Lisboa em transformação. Recebeu uma educação formal que, aliada a um interesse precoce pela leitura e pelas artes, moldou o seu espírito. As influências literárias da época, que incluíam o Simbolismo e o Parnasianismo, bem como a tradição lírica portuguesa, terão certamente absorvido a sua sensibilidade poética. Não há registos de eventos marcantes específicos na sua juventude que tenham tido um impacto público profundo.

Percurso literário

O início da escrita poética de Eduardo Guimaraens remonta à sua juventude. A sua obra evoluiu ao longo do tempo, mantendo uma coerência temática e estilística, embora com um amadurecimento evidente na exploração de sentimentos e reflexões existenciais. Publicou em diversas revistas literárias da época, contribuindo para a renovação da poesia portuguesa. Não se sabe de atividade significativa como crítico, tradutor ou editor.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre as suas obras mais significativas, destacam-se "A Canção da Saudade" (1908), "Sombra e Sol" (1915) e "O Rio que Passa" (1930). Os temas dominantes na sua poesia incluem o amor, a efemeridade da vida, a saudade, a natureza e a introspeção. Guimaraens utilizava frequentemente formas poéticas mais tradicionais, como o soneto, mas com uma liberdade que permitia uma expressão mais íntima e moderna. A sua poesia é marcada pela musicalidade, pelo ritmo cuidado e por uma linguagem lírica e evocativa. O tom poético é frequentemente melancólico e elegíaco, mas também contemplativo. A voz poética é pessoal, mas transcende o individual para alcançar uma universalidade em temas como a condição humana. O seu estilo é caracterizado por uma elegância formal, uma densidade imagética e um uso criterioso de recursos retóricos. Embora enraizado na tradição, introduziu uma sensibilidade moderna na exploração das emoções. É frequentemente associado a uma poesia de transição entre o Simbolismo e as correntes que anteciparam o Modernismo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Eduardo Guimaraens viveu num período de efervescência cultural e de instabilidade política em Portugal. A sua obra dialoga com as inquietações de uma geração que buscava novas formas de expressão artística em resposta às mudanças sociais e aos conflitos mundiais. A sua geração poética, por vezes designada como "Geração de 1911" ou associada a uma poesia de renovação lírica, procurava equilibrar a tradição com a modernidade. A sua posição política e filosófica não é explicitamente marcada na sua obra, que se foca mais no plano existencial e lírico.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Poucos detalhes da vida pessoal de Eduardo Guimaraens são amplamente conhecidos. Sabe-se que era uma figura discreta, dedicada à sua arte. As suas relações afetivas e familiares, embora não publicamente detalhadas, parecem ter sido uma fonte de inspiração para a sua lírica, nomeadamente no que diz respeito aos temas do amor e da saudade. Não se conhece envolvimento em rivalidades literárias de vulto. A sua profissão paralela, para além da atividade poética, não é amplamente documentada, sugerindo que poderá ter exercido outra atividade para subsistência.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Eduardo Guimaraens ocupa um lugar respeitável na poesia portuguesa do século XX. Embora não tenha alcançado a fama de alguns contemporâneos, a sua obra foi reconhecida pela crítica pela sua qualidade estética e profundidade lírica. Não se registam prémios ou distinções de grande vulto. A sua receção crítica, embora apreciativa da sua sensibilidade e do seu domínio formal, por vezes considerou a sua obra como pertencente a uma linha mais conservadora da poesia, em contraste com as experimentações modernistas mais radicais.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Guimaraens foi influenciado por poetas da tradição lírica portuguesa, como Camões e Antero de Quental, e pelas correntes simbolistas europeias. O seu legado reside na preservação de uma poesia lírica de grande sensibilidade e rigor formal, que continua a ser apreciada por leitores que buscam profundidade emocional e beleza estética. Influenciou poetas que valorizam a tradição e a musicalidade do verso, contribuindo para a diversidade da poesia portuguesa. A sua obra não teve uma difusão internacional massiva, mas é um elemento importante no cânone literário português.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Eduardo Guimaraens é frequentemente interpretada como uma exploração da condição humana, das suas alegrias e tristezas, da sua relação com o tempo e com o universo. Os temas filosóficos e existenciais são centrais, abordados com uma sensibilidade que procura a beleza mesmo na melancolia. Não há controvérsias críticas de grande dimensão associadas à sua obra, que é geralmente vista como um exemplo de poesia lírica de qualidade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Poucos aspetos curiosos da vida de Eduardo Guimaraens são divulgados publicamente. A sua discrição e foco na escrita poética sugerem uma personalidade introspectiva. Não há registos de episódios marcantes ou anedóticos que iluminem de forma particular o seu perfil. A sua relação com os objetos, lugares ou rituais associados à criação poética é pouco conhecida, assim como os seus hábitos de escrita.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Eduardo Guimaraens faleceu em Lisboa, a 3 de janeiro de 1951. Não há registo de publicações póstumas de grande relevância, embora a sua obra continue a ser editada e estudada como parte do património literário português.