Gláucia Lemos

Gláucia Lemos

Gláucia Lemos é uma figura notável da poesia brasileira, conhecida pela sua escrita incisiva e pela exploração de temas como a identidade, a condição feminina e as complexidades do ser. Sua obra se destaca pela força lírica e pela capacidade de transitar entre o pessoal e o universal, abordando a existência humana com uma perspectiva única e sensível.

n. , Salvador · m. , Rio de Janeiro, RJ, Brasil

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Poema do Amanhecer

Que hoje o meu primeiro pensamento
seja como a luz branca da manhã
que envolve os picos
e as pontas da grama.
E faça amanhecerem as emoções.

Que nessa luz eu esteja.

Que hoje a minha intenção primeira
seja como a mão de Deus na estrada certa
ou bastão de pastor
na trilha verde.

E nessa mão me vejas.

Que hoje a minha sílaba primeira
não se abra em meu lábio,
e eu me cale.
Que nada te dirá mais que o meu beijo.

E que esse beijo eu seja.

13.06.96

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Biografia

Identificação e contexto básico

Gláucia Lemos é uma escritora brasileira, atuando como poeta, contista e ensaísta. É uma figura proeminente na literatura contemporânea, especialmente em Minas Gerais, onde reside. Sua obra aborda frequentemente questões de gênero, identidade, relações interpessoais e as dinâmicas sociais.

Infância e formação

[Informação indisponível ou a ser pesquisada detalhadamente]

Percurso literário

O percurso literário de Gláucia Lemos é marcado por uma produção consistente em poesia, contos e ensaios. Começou a ter sua obra publicada em diversas antologias e revistas literárias, ganhando reconhecimento gradual. Sua evolução se deu na exploração de temas cada vez mais complexos e na consolidação de um estilo pessoal e marcante.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Gláucia Lemos é autora de livros como "A Mulher que Escreve" e "Coração de Papel", entre outros. Sua obra poética explora temas como o corpo, a sexualidade, a maternidade, a melancolia e a crítica social, frequentemente sob a perspectiva feminina. Utiliza o verso livre com grande habilidade, construindo imagens fortes e carregadas de significado. Sua linguagem é ao mesmo tempo lírica e contundente, capaz de expressar delicadeza e urgência. O estilo de Lemos é marcado pela introspecção, pela análise das relações humanas e pela denúncia de injustiças sociais. Sua voz poética é feminina, potente e desafiadora, propondo uma reflexão sobre os papéis da mulher na sociedade e as questões de identidade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Gláucia Lemos insere-se no contexto da literatura brasileira contemporânea, participando de debates sobre feminismo, identidades e questões sociais. Sua obra dialoga com outras escritoras que abordam temas semelhantes, contribuindo para um panorama literário diverso e engajado.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal [Informação indisponível ou a ser pesquisada detalhadamente]

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Gláucia Lemos tem recebido reconhecimento em círculos literários e acadêmicos, sendo frequentemente incluída em antologias e estudada em cursos e publicações. Sua voz tem conquistado leitores pela originalidade e pela relevância dos temas abordados.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado [Informação indisponível ou a ser pesquisada detalhadamente]

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A crítica tem destacado a força da poesia de Gláucia Lemos na abordagem de questões femininas e sociais, ressaltando sua capacidade de aliar lirismo e crítica de forma eficaz.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos [Informação indisponível ou a ser pesquisada detalhadamente]

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória [Informação indisponível ou a ser pesquisada detalhadamente]

Poemas

20

Poema do Amanhecer

Que hoje o meu primeiro pensamento
seja como a luz branca da manhã
que envolve os picos
e as pontas da grama.
E faça amanhecerem as emoções.

Que nessa luz eu esteja.

Que hoje a minha intenção primeira
seja como a mão de Deus na estrada certa
ou bastão de pastor
na trilha verde.

E nessa mão me vejas.

Que hoje a minha sílaba primeira
não se abra em meu lábio,
e eu me cale.
Que nada te dirá mais que o meu beijo.

E que esse beijo eu seja.

13.06.96

2 034

Poema para um Domingo

Um roupão amarelo, um abajur
um anjo de bronze sustentando a luz.
Um livro aberto e um blues.

A noite de um domingo.
E o show da solidão se repetindo.

Um cobertor de madras escocesas
uma lembrança de um beijo nos lábios
e uma certeza.

Este sempre espetáculo domingueiro
com luzes de néon ferindo o vidro
caindo no travesseiro.

Ao som do vento as esquadrias gemem.
Quando acontoecerá a última cena?

...Se os ponteiros não param essa ciranda.

(07.06.96)

1 272

Poema Para o Atormentado Silêncio

Que rei me colherá deste silêncio
depois que escondi dentro dos meus cofres
as chagas que se pejam de mostrar?

Que sons comoverão os meus ouvidos
depois que cortei as falas aos pastores
e recuei minha melhor orquestra?

Que lábios semearão na minha boca
sementes mentirosas como as tuas
sabores de groselha e de absinto?

Que espinhos forrarão mais outra estrada
pra quem neste silêncio atormentado
não poderá jamais deixar de ir?

Ah.. quem guardará minhas respostas
depois que me neguei a procurá-las?...

23.06.96

1 140

Poemas da Distância

Como se fosses chegar
na hora seguinte.
Estendo os meus olhos
para lá da poeira
mas meus olhos imergem
nas águas do mar...

Se eu sei que,
cortando a enchente
que cresceu e venceu o alto do muro
e alagou o caminho,
não virás ainda,

se eu sei que
os trilhos que os pneus
traçaram paralelos nesta estrada de areia,
nem sabem de ti,

entendo quanto é louco
este olhar que te espera
esperando um milagre.

Se me lembro
de que vieste na noite de ontem
à hora da estrela,
e quando eu colhia o diamante de Vésper
te tinha comigo,
sei,
como é louco este olhar que te espera
esperando o milagre!

1 031

Poema do Apelo

Eu sei que à insônia desta noite
bem poderias vir.
A tua febre aqueceria o mundo.
Da minha febre renasceria a vida.

... e me olhas com este olhar atento
que não sei se não me quer ou não me entende.

Eu sei que esvaziarias este apelo
e que eu te guardaria como um feto
e plenificarias meu vazio.

...mas me olhas com este olhar estranho
que eu não sei se me entende e não me quer...

Eu sei que é como quem beija, que me calo.
E poderíamos arder no mesmo gozo
para morrer depois no mesmo sono.

...mas me olhas com este olhar profano
que eu não sei se não me entende, ou se me espera.

Eu sei. Mas sei que não vale saber.
Se continuas com este olhar estranho
que eu não entendo. Mesmo assim te espero.
(07.06.96)

1 214

Poema Para a Mulher de Malandro

Um segundo
ave assustada voando para longe.
Asas molhadas de vento
arrastando o peso
da surpresa e do susto.

Para longe
para bem longe do temporal.

Olhos enxutos respiram distância
coração de ave frágil
pequenino
pulsa pânico
irrompe do peito.

É preciso aguardar o retorno do sol.

O sol...

Luz infiltrando suave
da coroa dos montes.

A medo e a susto
o romper do vento a rota de retorno.
Não sou, não me torno
mas entendo
a mulher do malandro.

1 530

Poema dos Olhos

Pões em mim os teus olhos.

Carregados de uma busca indefinida
envolvidos em uma dor que me é palpável
tão sutil no olhar
no sentir tão denso.

Pões em mim os teus olhos.
E só há trevas. E a luz se foi.

Estranho essa agonia
que te arrebata e se expõe
mas os lábios não murmuram.

Há um pedido sem voz soluçando em teu silêncio.
Na garganta te travam
a culpa e o remorso
e te espumam no sangue
e em teus olhos te traem.

Amargura de mater dolorosa
sangra no teu olhar num só pedido.
Desço. Não sei se creio.
Vacilo e desço.

Em tua dor ponho afinal meus olhos
e te perdôo.

03.06.96

1 296

Permanência

É assim que consigo ter-te perto
quando não estás. Apenas manuseio
o livro que deixaste, e então eu creio
sentir as tuas mãos junto a meus gestos.

Sinto que estás pra vir. No meu deserto
sempre deixas sinal. Terás receio
que me perca de ti?... No entanto é certo
que só estou a buscar-te enquanto leio...

Tens o teu jeito de guardar-me pronta
à tua espera: Uma lembrança apenas,
qualquer coisa em que possa me dar conta

da tua presença, enquanto te vais.
Assim te ficas em coisas pequenas
assim te tenho perto se não estás.

10.07.96

1 124

Poema ao Amor Recém-Nascido

Vê, é crescente,
quarto de lua crescente.
No universo inteiro
tudo chegou ao tempo de crescer.

Deixa que cresça
deixa que amadureça
como o sol faz crescerem os trigais.
Deixa que nasça o pão
das espigas crescidas
e o alimente qual se nutre um corpo
na bandeja da emoção.

Deixa que cresça indomável.
Seja rebentação nos quebra-mares
das marés de enchente.
Faça-se grande qual só é grande a vida
invencível como só assim a morte.
Que seja um deus nos concedendo a graça
de escrevermos nós, nosso destino.

Deixa que cresça.
Que cresça e se mature
e multiplique qual no ventre térreo
planetário de sementes.
E depois, como chuva,
deixa que se esparrame
no universo
dos universos aonde possa ir,
maravilhado da própria grandeza.

Deixa que cresça e nos cubra.
E nos proteja como anjo-de-guarda
e nos leve pelas mãos
nas mãos da vida
que ele faz ressuscitar.

Deixa em silêncio,
deixa em canto suave,
deixa no toque de ternura nova,
deixa crescer em ti
que não deixaste
perder-se sem razão nossa verdade.

Vê. é crescente.
Quarto de lua crescente!
Doce criança, deixa-o crescer!

Em uma lua crescente de 1996.

1 967

Soneto á Fala

ou
Rota do Sol

Cala-te e partirei. Muda e sem abraço.
E esta distância se fará completa.
Fechamos esta escala de embaraços,
me defino sem ti, na rota certa.

Mas, cala! Que tua voz é como um laço
que me ata o sangue e minha calma afeta.
Se falas, estremeço e me desfaço,
e quedo, penitente, manifesta.

Se falas, eu me arrisco ao precipício,
como fêmea arrastada, como um vício
que avassala em inteira embriaguez.

Se ainda me amas, me poupa o sacrifício
desta distância. Leva-me á difícil
rota do sol. Ou cala de uma vez!

12.07.96

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