Lista de Poemas
Soneto do Rio
Aonde me levam águas deste rio
com a insignificância de uma folha,
não sei como parar, não tenho escolha,
deslizo em seixos e húmus. Sol ou frio.
Ora numa vertigem rodopio
indo à flor da corrente. Ora à bolha
da água batendo em pedras. Ora me olha
a me encantar, o seu espelho esguio.
Perderam-se os meus pés por essas águas.
Minha sorte não sei. Mas sei que trago a
ansiedade de ainda prosseguir.
Por isso é que me advirto, vez em quando,
se é mesmo o rio que me está levando
ou se sou eu quem está querendo ir...
15.07.96
Outrem
e os que atiram flores nos teus braços.
Os que semeiam cardos nos teus passos
e há quem aposte a vida em teu desgosto.
Seja um sorriso o teu único laço.
Saiba Deus se ele expressa bem teu gosto.
Não há limites para o que for posto
pelo silêncio de quem tens nos braços.
Olha pra quem põe luzes no teu rosto...
Descobre quem aposta em teu desgosto...
Teu amigo pode ser teu mal maior.
Que te guardes de crer na humana fala.
Anjos e demos numa mesma igualha
repartem dor e riso a teu redor.
11.07.96
Poema de uma Hora Triste
e talvez quando houver o nosso encontro
vejas em mim a marca dessa ausência.
Deixa que eu queira te sentir presente
e talvez se eu disser quanto te espero
mostres em ti o quanto me esperavas.
Deixa que eu possa te buscar agora
e talvez nunca mais nosso universo
conheça as brumas desta solidão.
Deixa que eu possa, nesta hora triste,
crer que também, talvez, estou contigo,
e a dor que é minha tua se tornou.
Poema ao Amor Recém-Nascido
quarto de lua crescente.
No universo inteiro
tudo chegou ao tempo de crescer.
Deixa que cresça
deixa que amadureça
como o sol faz crescerem os trigais.
Deixa que nasça o pão
das espigas crescidas
e o alimente qual se nutre um corpo
na bandeja da emoção.
Deixa que cresça indomável.
Seja rebentação nos quebra-mares
das marés de enchente.
Faça-se grande qual só é grande a vida
invencível como só assim a morte.
Que seja um deus nos concedendo a graça
de escrevermos nós, nosso destino.
Deixa que cresça.
Que cresça e se mature
e multiplique qual no ventre térreo
planetário de sementes.
E depois, como chuva,
deixa que se esparrame
no universo
dos universos aonde possa ir,
maravilhado da própria grandeza.
Deixa que cresça e nos cubra.
E nos proteja como anjo-de-guarda
e nos leve pelas mãos
nas mãos da vida
que ele faz ressuscitar.
Deixa em silêncio,
deixa em canto suave,
deixa no toque de ternura nova,
deixa crescer em ti
que não deixaste
perder-se sem razão nossa verdade.
Vê. é crescente.
Quarto de lua crescente!
Doce criança, deixa-o crescer!
Em uma lua crescente de 1996.
Poema de uma Madrugada Lilás
estão transformadas.
Agora mesmo
um vendaval cavalga a madrugada lá fora.
Vergasta galhos e arrebata folhas
para cá do mar. Lá fora .
Mas entra no meu quarto
e está em mim.
Já não estou neste ermo,
parti para não sei, onde estiveres,
em algum lugar, num livro, num CD,
numa varanda talvez, ou numa sala.
Sei lá, onde estiveres...
Quatro séculos há em mim assassinados
e se rebelam,
e eu tenho que seguir
a me revelar na face de cristal
das tuas reminiscências
onde
ainda ontem grafaste o meu abraço.
E, não sei, não sei,
se do labirinto em que me enredei
ou me enredaste em saliva e carinho,
é possível sair.
Está escrito que eu tenho que seguir.
Mas não entendo
porque não te esperei pra vir contigo.
No entanto eu te amei.
Te reconheço.
Em segredo te amei.
Em silêncio te amei
Te amei em insônias,
e em confissão me amaste.
Talvez ainda...
Chove na madrugada do meu bairro.
Ainda sinto vibrando nos meus braços
a eletricidade do teu gozo
em um tempo que não marco
inscrito em algum tempo.
Nunca mais, nunca mais
terei nos olhos a angústia
ansiosa dos contidos
nem a placidez dos moribundos.
Nunca mais a morte dos que se perderam
sem direção.
Agora esta loucura
de pássaro distante
que conhece o seu rumo e sabe
o seu destino
e em vôo cego, desconhece o espaço.
Agora nos meus olhos
esta loucura
ansiedade de te ter e te guardar
do meu jeito.
Depois de ti nunca mais serei eu.
Serei só madrugada em insônia
e temporal
serei dor e dúvida e busca
e o repouso e a paz do teu encontro
e despedida e ansiedade nova e repetida,
e depois, e depois...
até quando?
Por que amar com lágrimas e esperas?
Por que amar nas noites deste quarto
em silêncio de trevas?
Se sei que a tua luz
bruxuleia no âmago do meu corpo
e se funde com a minha luz,
mas é quase um punhal
me ensinando a morrer.
Por que meu tormento e meu cárcere frio
se estás por aí
e eu te dou o meu colo e o meu beijo
e te abrigo
na febre do meu peito
e nas águas do meu ninho,
como em pia batismal de um só desejo.
Ah...
Não sabes de tempestades...
E se sabes
não entendes da minha tempestade
toda feita de perdão e de pedidos.
Quem tomará teu corpo a acarinhar teu dorso
como quem mata
o meu pedaço amado?
Se eu te protejo qual leoa brava
tomada de ciúmes...
Depois de ti nunca mais outra face de vida
haverá.
Só esta loucura que me faz servida
entre valvas de conchas
a ti
a teu querer
à tua espera.
(madrugada de 18.05.96)
Poema para um instante
brincando no olhar
brisa tremulando em canteiro
de miosótis.
Xale de luar de lua cheia
estremecendo nas águas.
Lúdico mesmo é o olhar
brincando de amor
aventura de criança jogando
um jogo de armar.
Mágico tirando da cartola
pombos e flores de papel crepom.
Encantamento é a presença
iluminando a porta
é alguém à espera
com um sol entre os lábios.
05.06.96
Poema Para a Mulher de Malandro
ave assustada voando para longe.
Asas molhadas de vento
arrastando o peso
da surpresa e do susto.
Para longe
para bem longe do temporal.
Olhos enxutos respiram distância
coração de ave frágil
pequenino
pulsa pânico
irrompe do peito.
É preciso aguardar o retorno do sol.
O sol...
Luz infiltrando suave
da coroa dos montes.
A medo e a susto
o romper do vento a rota de retorno.
Não sou, não me torno
mas entendo
a mulher do malandro.
Poema dos Olhos
Carregados de uma busca indefinida
envolvidos em uma dor que me é palpável
tão sutil no olhar
no sentir tão denso.
Pões em mim os teus olhos.
E só há trevas. E a luz se foi.
Estranho essa agonia
que te arrebata e se expõe
mas os lábios não murmuram.
Há um pedido sem voz soluçando em teu silêncio.
Na garganta te travam
a culpa e o remorso
e te espumam no sangue
e em teus olhos te traem.
Amargura de mater dolorosa
sangra no teu olhar num só pedido.
Desço. Não sei se creio.
Vacilo e desço.
Em tua dor ponho afinal meus olhos
e te perdôo.
03.06.96
Conta-se um Tempo
breve tempo
em que para cada emoção se fez um poema.
Como tudo o que é belo é também frágil
conta-se também que esse tempo
foi um breve tempo.
Poema do Desenlace
com uma dor tão intensa
com um furor tão sem forma
tão sem explicação ...
Como se estivéssemos
estraçalhando a vida
desmoronando tudo
o que nos pôs distantes...
Como se tivéssemos
que destruir universos
pra cumprirmos o que está escrito:
continuarmos cumprindo.
...e foi tanto o desejo
de rasgar os destinos...
Nós que rasgáramos todos os códigos
para nos tornarmos vidro,
assim nós nos rasgamos a nós próprios
sem solução e sem lucidez.
...para cada um permanecer
preso dentro dos olhos do outro
para em cada novo encontro
para sempre perguntarmos
por quê?
por quê?
Afinal... por quê?
21.06.96.
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