Gonçalves de Magalhães

Gonçalves de Magalhães

1811–1882 · viveu 70 anos BR BR

Gonçalves de Magalhães foi um poeta, escritor e político brasileiro, figura central do Romantismo no Brasil. Reconhecido como o introdutor do movimento em terras brasileiras, sua obra se destacou pela exaltação da natureza, do indígena e do sentimento nacional, além de temas como o amor e a religiosidade. Sua poesia lírica e sua atuação na fundação da Academia Brasileira de Letras marcaram profundamente a história literária e cultural do país.

n. 1811-08-13, Rio de Janeiro · m. 1882-07-10, Roma

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A Beleza

Oh Beleza! Oh potência invencível,
Que na terra despótica imperas;
Se vibras teus olhos
Quais duas esferas,
Quem resiste a teu fogo terrível?

Oh Beleza! Oh celeste harmonia,
Doce aroma, que as almas fascina;
Se exalas suave
Tua voz divina,
Tudo, tudo a teus pés se extasia.

A velhice, do mundo cansada,
A teu mando resiste somente;
Porém que te importa
A voz impotente,
Que se perde, sem ser escutada?

Diga embora que o teu juramento
Não merece a menor confiança;
Que a tua firmeza
Está só na mudança;
Que os teus votos são folhas ao vento.

Tudo sei; mas se tu te mostrares
Ante mim como um astro radiante,
De tudo esquecido,
Nesse mesmo instante,
Farei tudo o que tu me ordenares.

Se até hoje remisso não arde
Em teu fogo amoroso meu peito,
De estóica dureza
Não é isto efeito;
Teu vassalo serei cedo ou tarde.

Infeliz tenho sido até agora,
Que a meus olhos te mostras severa;
Nem gozo a ventura,
Que goza uma fera;
Entretanto ninguém mais te adora.

Eu te adoro como o anjo celeste,
Que da vida os tormentos acalma;
Oh vida da vida,
Oh alma desta alma,
Um teu riso sequer me não deste!

Minha lira que triste ressoa,
Minha lira por ti desprezada,
Assim mesmo triste,
Assim malfadada,
Teu poder, teus encantos pregoa.

Oh Beleza, meus dias bafeja,
Em teu fogo minha alma devora;
Verás de que modo
Meu peito te adora,
E que incenso ofertar-te deseja.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Nome completo: Antônio Gonçalves de Magalhães Data e local de nascimento: 4 de agosto de 1810, Rio de Janeiro Data e local de morte: 10 de julho de 1882, Rio de Janeiro Origem familiar, classe social e contexto cultural de origem: Nasceu em uma família abastada do Rio de Janeiro, de tradição militar e política. Seu pai, João Gonçalves de Magalhães, foi militar e político. Isso lhe proporcionou acesso a uma educação de qualidade e a círculos sociais influentes. Nacionalidade e língua de escrita: Brasileira, escrevia em Português. Contexto histórico em que viveu: Viveu o período do Império do Brasil, desde os anos finais da Regência até o final do Segundo Reinado. Testemunhou a Independência do Brasil, as lutas pela consolidação do Estado nacional, o desenvolvimento do movimento abolicionista e as transformações sociais e políticas da época. Seu período de maior atividade literária coincide com a consolidação do Romantismo no Brasil.

Infância e formação

Origem familiar e ambiente social: Vindo de uma família de destaque social e econômico, teve acesso a uma educação privilegiada e a um ambiente intelectualmente estimulante. Educação formal e autodidatismo: Cursou Direito na Faculdade de Olinda (Pernambuco), formando-se em 1830. Foi aluno de Manuel de Jesus Valdetaro, que o introduziu à literatura clássica e moderna. Influências iniciais: Foi fortemente influenciado pela literatura romântica europeia, especialmente a francesa e a portuguesa. Autores como Victor Hugo, Lamartine, Goethe e Almeida Garrett foram referências importantes. O nacionalismo crescente no Brasil também moldou sua obra. Movimentos literários, filosóficos ou artísticos que absorveu: Absorveu o espírito do Romantismo europeu, adaptando-o à realidade brasileira. O idealismo romântico, a exaltação dos sentimentos, a valorização da natureza e do passado histórico (especialmente o período colonial e a figura do indígena) são características marcantes. Eventos marcantes na juventude: A viagem à Europa, especialmente a Paris, onde entrou em contato direto com o fermento cultural romântico, foi um marco em sua formação e em sua percepção literária.

Percurso literário

Início da escrita: Começou a escrever poesia ainda nos anos de formação em Olinda, influenciado pelos autores que lia e pelo ambiente cultural da época. Evolução ao longo do tempo: Sua obra evoluiu da poesia de inspiração clássica para uma poesia mais sentimentista e nacionalista. Sua fase mais madura, após a viagem à Europa, consolidou-o como o principal expoente do Romantismo brasileiro. Evolução cronológica da obra: Publicou "Primeiros Cantos" (1830), considerado o marco inicial do Romantismo no Brasil. Seguiram-se "Suspiros Poéticos e Saudades" (1836) e "Oração aos Brasileiros" (1838). Posteriormente, escreveu "O Brasil" (poema épico, 1857) e "Obras Poéticas" (1879). Colaborações em revistas, jornais e antologias: Colaborou com diversas publicações literárias da época, como a *Revista Brasileira* e o *Jornal do Comércio*. Atividade como crítico, tradutor ou editor: Além de poeta, foi um importante crítico literário e político, defendendo as ideias românticas e o nacionalismo. Atuou também como tradutor e diplomata.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Obras principais: "Primeiros Cantos" (1830), "Suspiros Poéticos e Saudades" (1836), "O Brasil" (1857). Temas dominantes: Exaltação da natureza brasileira, idealização do indígena como herói nacional, o amor platônico e sentimental, a saudade, a religiosidade (com forte componente católico), o patriotismo e a crítica social. Forma e estrutura: Utilizou formas poéticas variadas, incluindo o soneto, mas também o verso livre em seus poemas mais longos e narrativos. Sua métrica é geralmente regular e musical. Recursos poéticos: Uso de linguagem elevada, imagens bucólicas e sentimentais, metáforas e comparações que evocam a natureza exuberante do Brasil e os sentimentos profundos da alma. Voz poética: A voz poética é geralmente lírica, sentimental e de tom confessional, expressando as angústias e os anseios do eu lírico. Em seus poemas de cunho cívico e histórico, assume um tom mais épico e patriótico. Linguagem e estilo: Linguagem culta, mas acessível, com um vocabulário rico e expressivo. Seu estilo é marcado pela musicalidade, pela clareza e pela emotividade. Inovações formais ou temáticas introduzidas na literatura: É considerado o introdutor do Romantismo no Brasil, trazendo para a literatura brasileira os temas e as sensibilidades do movimento europeu, adaptando-os à realidade nacional e estabelecendo as bases para a poesia romântica brasileira. Relação com a tradição e com a modernidade: Buscou romper com o academicismo e o arcadismo, abraçando as novas correntes românticas, mas manteve um diálogo com a tradição clássica em termos de forma e métrica. Movimentos literários associados: Romantismo brasileiro (primeira geração, conhecida como indianista/nacionalista). Obras menos conhecidas ou inéditas: Embora suas obras poéticas principais sejam conhecidas, sua vasta produção em prosa, incluindo ensaios políticos e literários, e sua atuação diplomática também merecem atenção.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Relação com acontecimentos históricos: A Independência do Brasil e a necessidade de construção de uma identidade nacional foram cruciais para sua obra. Seu poema "O Brasil" é um exemplo de nacionalismo literário. Relação com outros escritores ou círculos literários: Foi contemporâneo de outros importantes escritores românticos, como Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu, embora seu estilo seja mais conservador e nacionalista. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Geração ou movimento a que pertence: Primeira geração do Romantismo brasileiro. Posição política ou filosófica: Defensor do Império e do nacionalismo, suas posições políticas eram conservadoras. Acredita na importância da literatura para a formação da identidade nacional. Influência da sociedade e cultura na obra: A sociedade imperial brasileira, com sua elite letrada, suas contradições sociais e a busca por uma identidade própria, é o pano de fundo de sua obra. Diálogos e tensões com contemporâneos: Embora parte do movimento romântico, seu nacionalismo mais explícito e sua menor inclinação ao ultrarromantismo o distinguiam de alguns contemporâneos. Receção crítica em vida vs. reconhecimento póstumo: Foi amplamente reconhecido em vida como o grande poeta romântico do Brasil. Seu legado como fundador do Romantismo brasileiro e como um dos primeiros acadêmicos é inquestionável.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Relações afetivas e familiares significativas e como moldaram a obra: Os detalhes de sua vida pessoal são menos explorados na historiografia literária, mas sua ligação com o Rio de Janeiro e sua formação em família de destaque certamente influenciaram sua visão de mundo e sua obra. Amizades e rivalidades literárias: Manteve contato com outros intelectuais e escritores de sua época, participando dos círculos literários do Rio de Janeiro. Experiências e crises pessoais, doenças ou conflitos: Pouco se sabe sobre crises pessoais específicas. Sua carreira diplomática o levou a residir em Londres por vários anos. Profissões paralelas: Foi diplomata de carreira, servindo o Império do Brasil em diversas missões no exterior, especialmente em Londres. Também exerceu cargos políticos e foi professor. Crenças religiosas, espirituais ou filosóficas: Sua obra demonstra uma forte religiosidade, influenciada pelo catolicismo, e uma fé convicta na identidade e no destino do Brasil. Posições políticas e envolvimento cívico: Era um monarquista convicto e um nacionalista fervoroso. Acreditava no papel da literatura na construção da nação.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Lugar na literatura nacional e internacional: É uma figura fundamental na história da literatura brasileira, considerado o pai do Romantismo no Brasil. Sua obra é estudada como um marco inaugural. Prémios, distinções e reconhecimento institucional: Como homem de letras e diplomata, recebeu diversas honrarias. Foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Receção crítica em vida e ao longo do tempo: Em vida, foi aclamado como o maior poeta brasileiro. Ao longo do tempo, sua obra tem sido analisada criticamente, reconhecendo sua importância histórica e a qualidade de sua poesia, embora com ressalvas quanto a um certo conservadorismo em comparação com fases posteriores do Romantismo. Popularidade vs reconhecimento académico: Seu reconhecimento é mais forte no âmbito acadêmico e histórico por sua importância como introdutor do movimento. A popularidade direta entre os leitores modernos é menor em comparação com outros poetas românticos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Autores que o influenciaram: Almeida Garrett, Victor Hugo, Lamartine, Goethe. Poetas e movimentos que influenciou: Abriu caminho para toda a poesia romântica brasileira, especialmente para a primeira geração (indianista/nacionalista). Sua exaltação da pátria e da natureza serviu de modelo. Impacto na literatura nacional e mundial e gerações posteriores de poetas: Seu impacto principal foi na literatura brasileira, estabelecendo as bases para o Romantismo e a construção de uma identidade literária nacional. Sua obra é um testemunho da busca por essa identidade. Entrada no cânone literário: Figura incontornável no cânone da literatura brasileira. Traduções e difusão internacional: Sua obra, especialmente a poética, teve pouca difusão internacional fora do círculo lusófono. Adaptações: Não há registros significativos de adaptações de sua obra para outras mídias. Estudos académicos dedicados à obra: Sua obra é objeto de estudos em cursos de literatura brasileira, analisando seu papel fundador no Romantismo e suas características estilísticas.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica Leituras possíveis da obra: Pode ser lido como um precursor do nacionalismo literário brasileiro, um defensor dos valores do Império e um poeta que buscou expressar a alma e a paisagem do Brasil. Temas filosóficos e existenciais: Sua obra aborda a idealização da natureza e do passado, a saudade, a fé e a busca por um sentido para a existência individual e coletiva, dentro de um quadro moral e religioso definido. Controvérsias ou debates críticos: Houve debates sobre o quão original foi sua contribuição, com alguns críticos apontando para uma forte dependência dos modelos europeus. Sua rigidez formal e seu nacionalismo exacerbado também foram pontos de discussão.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da personalidade: Era descrito como um homem de grande cultura, elegância e dedicação à diplomacia e à literatura. Contradições entre vida e obra: Não há contradições notáveis; sua vida como diplomata e político alinhava-se com seu nacionalismo e seus valores conservadores. Episódios marcantes ou anedóticos que iluminam o perfil do autor: Sua nomeação como primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, em 1897, foi um reconhecimento de sua importância no cenário intelectual brasileiro. Objetos, lugares ou rituais associados à criação poética: O Rio de Janeiro de sua época, a paisagem brasileira idealizada e os salões literários foram cenários importantes. Sua experiência na Europa também influenciou sua visão. Hábitos de escrita: Escrevia em um período em que a poesia era valorizada como expressão máxima da cultura e da identidade nacional. Episódios curiosos: Sua carreira diplomática o colocou em contato com as cortes europeias, onde representou o Império do Brasil. Manuscritos, diários ou correspondência: Sua correspondência e documentos relacionados à sua carreira diplomática e acadêmica são fontes importantes para o estudo de sua vida e obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Circunstâncias da morte: Faleceu no Rio de Janeiro, em decorrência de uma doença. Publicações póstumas: Sua obra poética principal já havia sido reunida em vida. A memória de Gonçalves de Magalhães é mantida principalmente através de seu papel fundador do Romantismo brasileiro e da Academia Brasileira de Letras.

Poemas

12

Canto Primeiro

"(...) quero primeiro
Que em torno destas pedras assentados
Me contes se em combate, ou de que modo
O bravo Comorim perdeu a vida."

"Ai! exclama o Cacique, nenhum homem
Morreu ainda por mais nobre causa!
Era meu filho!... E como morreria
Senão lutando tão audaz guerreiro!

"Apenas há três sóis que uns Emboabas,
Dos que talvez na Bertioga habitam,
Naquela praia embaixo apareceram.
Comorim e Iguaçu também andavam
Nesse dia fatal por lá caçando.
Quem podia prever um mal tão grande?
Enquanto num momento, não cuidoso,
Pelo bosque meu filho se entranhara,
Após um caititu que lhe fugia,
Sua irmã, que aqui vês, linda e garbosa,
Que vence o saixé na gentileza,
E excede o sabiá no meigo canto,
Cantando andava só toda entretida
A colher uns ingás pela restinga.
(...)
Aqueles maus a viram, tão sozinha,
E assim que a viram, cobiçando-a logo,
Quiseram agarrá-la. Ela, gritando,
Coitada, como a rola perseguida,
No mato se internou. Após correram,
Cercando-a, quais jaguaras esfaimadas;
Mas ela, pelo irmão chamando sempre,
Rompendo as bastas, enleadas ramas,
Mais ligeira do que eles lhes fugia.
Um mais audaz já quase a segurava,
Quando o meu Comorim aparecendo,
Já com o arco entesado, e a flecha no alvo,
Com pronta morte atravessou-lhe o peito.
Outro, que vinha após, co'o braço alçado
Para lhe disparar troante bala,
Varado o braço, ali caiu bramando.
Era a última flecha; e já meu filho
Daquele inútil braço ia arrancá-la,
E mandá-la de novo a outro ousado,
Que vira mais além por entre os ramos,
Que dous por detrás o aferraram,
E seus punhais nas costas lhe embeberam.
Comorim, mesmo assim preso e ferido,
Curvou-se um pouco, e súbito saltando,
O corpo sacudiu, e os rijos braços,
E por terra atirou os dois contrários:
Como ligeiro e forte era meu filho!
E agarrando-os depois pelos cabelos,
Deu co'a cabeça de um contra a do outro,
Que batendo quebraram-se estalando,
Como estalam batendo as sapucaias!
Nenhum mais se mostrou, os mais fugiram.
Entretanto Iguaçu vinha gritando,
Até que ao longe viu alguns Tamoios,
Que a seus gritos pungentes acudiram,
E sabendo do caso, sem demora
Seguindo-a, foram dar pronto socorro
Ao seu valente irmão. Porém, oh mágoa!
Já longe do lugar da feroz luta
O acharam quase exangue e semimorto.
(...)

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Publicado no livro A Confederação dos Tamoios: poema (1856).

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Org. rev. e notas Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1949

NOTA: Poema composto de 10 canto
11 689

Ode à Despedida de Mr J B Debret

Pela Pátria, e por mim a voz desprendo
Ao som da lira que a saudade empunha;
Verdade, e gratidão guiam meu canto,
Não sórdida cobiça

Debret, digno Francês, Pintor preclaro,
Caro Amigo; Homem firme, sábio Mestre,
Eu te agradeço os bens, que tu fizeste
A mim, e à Pátria minha.

De um bom filho é dever ao pai ser útil;
Mas de homem o dever é ser a todos:
Assaz útil nos fôste, assaz nos deste
De homem, de amigo provas.

Saudosa a tua Pátria ora te chama,
E para receber-te estende os braços;
Chama-te a Pátria, não hesites, cumpre
Os deveres de filho.

Deixa embora o Brasil, que tanto prezas;
Não mais encares suas belas cenas;
Sei que ele é sedutor, que tem encantos
Que os alvedrios prendem.

Sei quanto no meu peito a Pátria impera,
Que mais o meu amor subir não pode;
Como pois poderei aconselhar-te
Que a tua Pátria deixes?

Ah não! não se dirá, que um Brasileiro
A tanto se atreveu; embora, embora
Não honre o teu pincel a nossa história,
Nem as nossas paisagens.

Tu conheces meu peito, assaz tu sabes
Que honra, e virtude assim n'alma me gritam.
Indócil coração eu não possuo,
Indiferente a tudo.

Morno pesar me enluta, e me profliga
Agora que o Brasil, e a mim tu deixas.
Ah não condenes que entrecorte o canto
Com ais, e com suspiros.

Em nossos corações agradecidos
Tu soubeste, oh Debret, gravar teu nome,
E neles viverás, enquanto as Artes
Amadores tiverem.

(...)

Sim, oh Debret, será teu nome eterno;
E quando outro penhor tu nos não desses,
Um Araújo só bastante fôra
Para honra tua, e nossa.

(...)

Mas outros deixas monumentos vivos;
Existem os Carvalhos, e os Arrudas,
Que a muda Natureza em breves quadros
Mimosos representam.

Oxalá que eu também sem desonrar-te
Que teu discíp'lo fui dizer pudesse;
Mas ao menos direi, sou teu amigo,
E basta-me tal glória.

Se este fraco tributo de amizade
For aos olhos do Mundo apresentado,
Conheça o quanto a gratidão domina
No peito Brasileiro.

Imagem - 00410006


Publicado no livro Poesias (1832).

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Org. rev. e notas Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 194
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Comentários (2)

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Marinez
Marinez

Esta faltando as natas biográficas EX: Informações biográficas : Data do Nascimento: 14/03/1847 Data da Morte: 06/07/1871 Nasceu há 165 anos Morreu aos 24 anos Morreu há 141 anos

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Gonçalves de Magalhães, realmente se deu muito bem na vida, por ser médico, poeta, ensaísta brasileiro, político, professor, diplomata, e pelas suas participações nas missões diplomáticas da França, Itália, Vaticano, Argentina, Uruguai e Paraguai.