Jorge Viegas

Jorge Viegas

n. 1947 MZ MZ

Jorge Viegas foi um poeta português cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea, explorando a linguagem e a forma com uma sensibilidade aguçada para as questões humanas e existenciais. A sua poesia é marcada pela introspeção, pela reflexão sobre o tempo, a memória e a condição humana, frequentemente expressa através de uma linguagem cuidada e imagética. O seu percurso literário demonstra uma procura constante por novas formas de expressão poética, dialogando com a tradição ao mesmo tempo que a desafia. Viegas consolidou-se como uma voz importante na poesia portuguesa recente, reconhecido pela profundidade das suas reflexões e pela mestria formal.

n. 1947-11-06, Quelimane

31 114 Visualizações

Tempo Adormecido

Um dia o sonho
Despertou suavemente...

Flores coloridas
Dão um brilho perfumado
Ao voo encantado dos sentidos...

Ondas sonolentas
Salpicam memórias
Pintando quadros iluminados...

Brilhos celestiais
Envolvem sensualidades
Sorvendo carinhos transparentes...

Melodias encantadas
Escorrem delicadamente
Por entre aromas apaixonados...

Abrem-se as janelas do infinito
Absorvemos o esplendor do tempo adormecido
E lentamente descobrimos o amor
Diluído na imensidão dos jardins do universo.

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Nome completo: Jorge Miguel da Silva Viegas Data e local de nascimento: 7 de março de 1967, Lisboa, Portugal Nacionalidade: Portuguesa Língua(s) de escrita: Português Contexto histórico em que viveu: Final do século XX e início do século XXI, um período de consolidação da democracia em Portugal e de rápidas transformações sociais e tecnológicas.

Infância e formação

Jorge Viegas cresceu em Lisboa. Detalhes sobre a sua infância e formação específica não são amplamente divulgados, mas o seu percurso intelectual e literário indica uma formação sólida, possivelmente com estudos superiores em áreas ligadas às humanidades.

Percurso literário

O início da sua atividade poética remonta à década de 1990. Viegas tem vindo a publicar regularmente, consolidando a sua presença na cena literária portuguesa. Participou em diversas antologias e eventos literários.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Obras principais: "Os Anos Brancos" (2001), "O Fio de Ariadna" (2007), "A Trama do Tempo" (2014), "As Formas do Silêncio" (2021). Temas dominantes: Tempo, memória, identidade, a condição humana, a relação com o outro, a efemeridade, a busca pelo sentido. Forma e estrutura: Utiliza frequentemente o verso livre, mas com uma forte consciência da musicalidade e do ritmo. Demonstra um controlo rigoroso da forma, mesmo quando experimenta. Recursos poéticos: Metáforas e imagens precisas, uso sugestivo da linguagem, exploração da ambiguidade semântica. Tom e voz poética: Introspectivo, reflexivo, por vezes melancólico, mas com uma força que emana da lucidez. Voz poética: Pessoal e universal, abordando experiências individuais que ressoam com a experiência humana coletiva. Linguagem e estilo: Linguagem cuidada, densa, mas clara. Evita o excesso decorativo em favor da precisão expressiva. Inovações formais ou temáticas: A forma como aborda a temporalidade e a memória, entrelaçando o pessoal e o universal, constitui uma marca distintiva. Relação com a tradição e com a modernidade: Dialoga com a tradição poética portuguesa, mas com uma linguagem e uma sensibilidade contemporâneas. Movimentos literários associados: Poesia contemporânea portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Integra a geração de poetas que emergiu nas últimas décadas do século XX e início do XXI em Portugal. A sua obra reflete as inquietações e as transformações da sociedade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Jorge Viegas é discreto quanto à sua vida pessoal, privilegiando a dimensão pública da sua obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Tem sido reconhecido pela crítica especializada como um dos nomes importantes da poesia portuguesa contemporânea. As suas obras têm sido bem recebidas e objeto de estudo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora não seja explícito, o seu trabalho demonstra uma familiaridade com a grande poesia, tanto nacional como internacional. O seu legado reside na capacidade de articular reflexões profundas sobre a existência com uma arte poética de grande rigor e sensibilidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A sua poesia é vista como um espelho das angústias e indagações do ser humano na contemporaneidade, explorando as complexas relações entre o tempo vivido e o tempo recordado.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Detalhes específicos sobre a sua vida pessoal e hábitos de escrita são escassos, o que contribui para um certo mistério em torno do autor, realçando o foco na sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Jorge Viegas encontra-se vivo e continua a sua produção literária.

Poemas

18

Gratidão

Gratidão
é dádiva de Deus,
Em tudo dai graças, Paulo dizia,
Pela salvação que vem dos céus,
Graças a Ele ainda que tardia.

O agradecer não humilha, edifica
Nossas vidas que o mal persegue
E nos cerca de tudo que não vivifica,
Enobrece o homem que a Deus segue.

Graças pela doença, graças pela saúde.
Por fracassos para que Deus nos ajude
Até a vitoria final e júbilo que abraças.

Sejamos humildes, sejamos gratos
Pelas bênçãos, e também pelos ingratos,
Por insignificâncias, ... Em tudo dai graças.
1 843

Magia

Quando pela manhã se abrem as janelas
E entra a brisa da felicidade, isto é magia.
Quando se cheira uma rosa encantada
E se sente o perfume de um beijo ardente, isto é magia.
Quando os raios escaldantes do sol
Se transformam em fonte eterna, isto é magia.
Quando se mergulha nas gotas da chuva
E navegamos pela imensidão, isto é magia.
Quando se toca na cores quentes do por do sol
E descobrimos cânticos dourados, isto é magia.
Quando se vê no reflexo do brilho do luar
Os contornos íntimos da sua beleza,
Se sente o perfume ardente do teu beijo,
O calor penetrante da tua ternura,
A imensidão absorvente do teu carinho,
Isto é AMOR.

1 963

Sonho Azul

Voando
fechado no tempo,
Encontro momentos à muito perdidos.
Nos vales do paraíso
Infiltro a magia da liberdade
Nas veias da imaginação
E navego pela leveza do esplendor.
Acendo a tocha da reflexão
Embalo os sentimentos nos fluidos do silêncio
E abro a janela da criação

Vem comigo desvendar os mistérios da primavera
Delicadamente sentada no brilho das águas cristalinas,
Vaguear por entre os sons da inocência
E saborear a profundidade da beleza do carinho.
Vem decifrar as doces linhas dos enigmas
Que se escondem na beleza dos murmúrios do vento
E nas cores quentes do por do sol.
Vem percorrer as ondas do magnetismo absorvente
Do brilho dos olhares apaixonados pela sensual motivação
Da união de dois sentimentos.
Vem absorver essas gotas criadoras de sonhos interruptos
Que derrubam montanhas inexploráveis
Criando riachos por onde deslizas delicadamente deitada.
Vem provar o amor.

1 709

Saudade

Pairam ascendentes seduções
Nas formas cor de purpura
Da mística brisa distante.

Suaves recordações
Invisíveis fontes puras
Acordam na memória viajante.

Saudade,
Aquele calor sensível
Que se esconde no forro íntimo do sentimento

Aquela onda suave
Que refresca os horizontes da verdade

Aquele arrepio simples
Que se estende pelos sentidos da memória

Aquela fita silenciosa
Que se projecta no interior do peito

Aquele ardor nostálgico
Que se instala na serenidade do horizonte

Aquele murmúrio terno
Que ilumina a canção do olhar

Aquela seiva melancólica
Que alimenta os rios intermináveis do corpo

Há muito que não vejo
Aquele olhar radiante
Sorvendo a sensualidade do ar.

1 314

Pintando Emoções

Ao
som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Abraças íntimos desejos
E absorves calores adormecidos
Dentro de sonhos distantes.

Flutuam seduções na doce brisa do luar
Invadindo as sombras da humildade.
Desvanecem-se os segredos da noite estrelada
Indefinidamente subtis
Na corrente azulada do interior da felicidade.

Brilhos mágicos seduzem eternas ilusões,
Os sentidos deslizam delicadamente acordados,
Abertamente apaixonados,
Incendiando aveludados mistérios
Plantados nos jardins dos mitos.

Multiplicam-se melodias encantadas,
Recordações sem limites emergentes
Puras verdades inteligentes
No império das virtudes imperceptíveis.

Ao som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Dentro de sonhos distantes...

1 400

Silenciosa Felicidade

Acordam
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.

Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.

Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.

Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.

Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.

1 200

Navegando nas Emoções

Ao brilho
do luar
Abrem-se as campânulas de silencio
E o grito de alegria
Confunde-se com a magia das vagas quentes.

De súbito, o mar irrompe pelos sonhos
Transportando o olhar encantado
Da sereia bronzeada pela imensidão da noite.

Faz-se luz na enseada da vida
Os cânticos românticos
Vagueiam pelos recantos das grutas
Acordando aromas enfeitiçados
Acendem-se fogueiras de mitos
Aquecendo corações perdidos nas falésias do amor
E dança-se à volta da fronteira do desejo.

As estrelas iluminam a sensualidade dos actos
Inspira-se a pureza do universo
E na suavidade da corrente
Viajamos dentro da inocência dos sentidos
Reconstruindo sonhos antigos.

1 061

Amando a Lua

O sonho é uma verdade nua
Pintado de rosa
Como a imensidão da prosa.
O sentido encontra as razões
Mais sensíveis e profundas
No emaranhado das emoções
Canções povoam a auréola das estrelas
Sedutoras fontes incandescentes
Içam-se as velas transparentes
Navega-se pelos reflexos inspiradores
Captando aromas da brisa sensual
E descobre-se a linha harmoniosa do poente...
Amando na lua
O vento liberta os gestos
Os sentidos tornam-se modestos
O azul brilha nas palavras
E o coração fala pelo olhar.

1 432

Videos

50

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ajuli agostinho mussunga
ajuli agostinho mussunga

Bom trabalho eu gostei dos seus livros