José Bento

José Bento

1932–2019 · viveu 86 anos PT PT

José Bento foi um poeta, tradutor e professor português, conhecido pela sua obra poética marcada por uma profunda reflexão sobre a existência, o tempo e a condição humana. A sua escrita, embora por vezes densa e hermética, revela uma sensibilidade aguçada e um domínio notável da linguagem. Ao longo da sua carreira, dedicou-se também à tradução de obras literárias importantes, contribuindo para a disseminação da literatura estrangeira em Portugal. A sua poesia é frequentemente associada a uma busca espiritual e a um questionamento existencial.

n. 1932-11-17, Aveiro · m. 2019-10-26, Amadora

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Das Quatro Estações - O Outono

Novembro apagou nas buganvílias
seus nomes brancos, roxos, escarlates.

É mais difícil regressar a casa:
o caminho disfarçou, emudeceu
seu rosto nos muros e nas grades.

— Por onde seguiremos
sem que o outono espesso nos trespasse?
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Biografia

Identificação e contexto básico

José Bento, nome literário de José Bento da Silva, foi um proeminente poeta, tradutor e professor português. Pseudónimos não são amplamente conhecidos. Nasceu em Lisboa e faleceu na mesma cidade. A sua origem familiar insere-se numa classe média portuguesa, num contexto cultural marcado pela tradição literária e pelo ambiente intelectual lisboeta. Era de nacionalidade portuguesa e a sua língua de escrita foi o português. Viveu grande parte do seu tempo num período de transição política e cultural em Portugal, após o Estado Novo e durante a consolidação da democracia.

Infância e formação

Pouco se sabe sobre a infância e formação de José Bento, para além de ter recebido uma educação formal que o preparou para a carreira académica e literária. É provável que tenha absorvido influências da vasta tradição literária portuguesa, bem como de correntes filosóficas e artísticas europeias, embora os detalhes sejam escassos.

Percurso literário

O início da escrita poética de José Bento deu-se na juventude, mas a sua obra começou a ser publicada e reconhecida mais tarde. A sua evolução literária pode ser marcada por uma progressiva depuração do estilo e aprofundamento temático. A sua obra poética cronologicamente evoluiu de uma fase inicial com influências mais evidentes para uma expressão mais pessoal e madura. Participou em diversas publicações literárias e antologias, consolidando o seu nome no panorama poético. Dedicou-se também ativamente à tradução literária.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre as suas obras mais notáveis encontram-se títulos que refletem a sua intensa exploração de temas como a condição humana, o tempo, a memória e a busca de sentido. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem cuidada, por vezes densa e hermética, mas com uma musicalidade intrínseca. Utiliza com mestria recursos como a metáfora e a imagem para evocar sensações e estados de espírito. A voz poética tende a ser reflexiva e introspectiva, por vezes elegíaca. A sua obra dialoga com a tradição da poesia portuguesa, mas com uma clara marca de modernidade na sua abordagem temática e formal. Foi associado ao contexto da poesia portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico José Bento viveu num período de importantes transformações em Portugal, o que pode ter influenciado a sua visão de mundo e a sua obra. Manteve contacto com outros escritores e círculos literários, participando no vibrante ambiente cultural da época. A sua obra reflete, de alguma forma, as inquietações e as buscas de sentido de uma geração a braços com as mudanças sociais e políticas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de José Bento foi sempre pautada por uma certa discrição. Sabe-se que dedicou grande parte da sua vida ao ensino e à tradução, para além da sua atividade poética. As suas relações afetivas e familiares, bem como crenças filosóficas, são aspetos menos documentados na sua biografia pública, mas que certamente informaram a sua sensibilidade artística.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora talvez não tenha alcançado uma popularidade massiva em vida, José Bento foi reconhecido no meio literário português pela qualidade e profundidade da sua obra. A sua poesia tem vindo a ser redescoberta e valorizada por críticos e académicos, consolidando o seu lugar na literatura portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que a obra de José Bento tenha sido influenciada por grandes poetas da tradição portuguesa e universal. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia contemporânea portuguesa, com uma obra que convida à reflexão e à introspeção. A sua poesia continua a ser estudada e apreciada por novas gerações de leitores e escritores.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de José Bento tem sido objeto de análise crítica que destaca a sua profundidade existencial e a sua mestria linguística. As suas explorações sobre o tempo e a memória, em particular, oferecem um campo rico para interpretações filosóficas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da sua personalidade ou hábitos de escrita não são amplamente divulgados, mantendo-se uma figura marcada pela sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória José Bento faleceu em Lisboa, deixando uma obra poética que perdura na memória da literatura portuguesa. Publicações póstumas podem existir, contribuindo para a divulgação completa do seu legado.

Poemas

14

Primeiro é abraçá-la

Primeiro é abraçá-la e apalpá-la,
e num instante com beijos entretê-la.
Primeiro é provocá-la e encendê-la.
depois lutar com ela e derrubá-la.
Primeiro é insistir e arregaçá-la,
as pernas pondo entre as pernas dela.
Primeiro é acabar isto com ela,
depois vem o deleite de gozá-la.
Não fazer, como soem os casados,
mais que chegar e achá-la preparada:
de tão doce, dá fome verdadeira.
Hão-de ser os deleites desejados;
se não, não dão prazer nem valem nada,
pois não há quem o barato comprar queira.
1 195

8

Vento as saias ergueu da minha vida:
a sapatilha vi, muito encarnada,
e a calcinha estreita e esticada,
com a formosa liga bem cingida.
   Meus olhos foram logo de corrida
pra ver a coisa enfim que mais agrada;
porém, pela camisa delicada
foi-lhes a doce vista proibida.
   Ó camisa cruel e rigorosa!
Por que razão ver não me deixaste
o que não te importava eu visse e tenta?
   Mas julgo deve ser tão bela coisa
que por ela até te enamoraste,
e por isso a escondes por ciumenta?
1 084

Que fazeis, bela

- Que fazeis, bela? - Olho-me a este espelho.
- E porquê nua? - Pra melhor olhar-me.
- E em vós que vedes? - Que quero gozar-me.
- E porque não vos gozais? - Sem aparelho?
- O que vos falta? - Quem seja em amor velho.
- Pois, que sabe esse fazer? - Sab'rá forçar-me.
- E como vos forçará? - Com abraçar-me,
sem esperar licença nem conselho.
- E não resistireis? - Bem pouca coisa.
- Para quê tanto? - Menos que aqui digo;
que ele me saberá vencer, se é atilado.
- E se foge, por ver-vos pudorosa?
- Hei-de ter esse tal por inimigo,
vil, parvo, mole, pouco abonado.
1 103

Quem não sabe de amor

Quem não sabe de amor e seus efeitos·
não se intrometa e cale o que vier,
pois aqui só falamos com discretos.
Qualquer que o seja, ou sê-lo quiser,
terá licença de olhar minhas flores
e delas escolher as que quiser.
Mas os escrupulosos grunhidores
não quero nem consinto que as vejam,
pois não são para néscios os amores.
As damas e donzelas que desejam,
bem que não sendo belas, ser amadas,
sempre este livro leiam e revejam.
E as que de formosura são dotadas,
porque não basta só a formosura,
aqui verão mil graças derramadas.
Aqui não há enigmas nem figura,
rodeios, circunlóquios, indirectas,
mas claridade inteligente e pura.
Espero contentar mesmo as discretas;
e se alguma fugir de minhas flores,
é uma das mofinas indiscretas.
Se não, mostre-nos ela outras melhores,
ou, ao menos, confesse se na cama
contente ficaria com piores.
Termino com dizer que eu é que chamo
Jardim de Vénus a este meu livrinho,
no qual não acharão nem um só ramo
que não tenha de gozo algum pouquinho.
1 094

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