Juscelino Vieira Mendes

Juscelino Vieira Mendes

Juscelino Vieira Mendes é um poeta português contemporâneo, conhecido pela sua exploração profunda da condição humana e das complexidades da existência. A sua obra poética distingue-se pela introspeção, pela musicalidade do verso e pela capacidade de evocar imagens vívidas e emoções subtis. Com uma escrita que transita entre o íntimo e o universal, Juscelino Vieira Mendes aborda temas como o amor, a memória, a passagem do tempo e a busca por sentido. A sua poesia é frequentemente marcada por uma linguagem cuidada e por uma sensibilidade apurada para as nuances do sentir, o que lhe confere um lugar de destaque na poesia portuguesa atual.

n. , Diamantina, Minas Gerais · m. 1976-12-09, Resende, Rio de Janeiro

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Curvas perigosas

"E aconteceu à hora da tarde que Davi se levantou do seu leito,
e andava passeando no terraço do casal real, e viu do terraço
a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui
formosa à vista" – II Samuel 11: 1-27

A água desce
vagarosamente
sobre um corpo quente
gota em gota

absorvente que envolve
como quem se delicia
em barco à deriva

em rio calmo
de curvas perigosas.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Juscelino Vieira Mendes é um poeta português. A sua obra insere-se no panorama da poesia contemporânea portuguesa.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Juscelino Vieira Mendes não estão amplamente documentadas em fontes públicas, mas é possível inferir que a sua sensibilidade poética foi moldada por um ambiente cultural que valorizava a arte e a reflexão.

Percurso literário

O percurso literário de Juscelino Vieira Mendes tem vindo a consolidar-se através da publicação de obras poéticas que exploram a profundidade da experiência humana. A sua escrita caracteriza-se por uma constante busca pela expressão lírica e pela renovação do olhar sobre os temas universais.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Juscelino Vieira Mendes caracterizam-se pela profundidade lírica e pela introspeção. Explora temas como o amor, a memória, a passagem do tempo e a busca por sentido, utilizando uma linguagem cuidada e uma musicalidade intrínseca aos seus versos. A sua poesia é marcada por uma sensibilidade apurada para as nuances emocionais e pela capacidade de evocar imagens vívidas. O seu estilo é por vezes confessional, outras vezes mais universalizante, mas sempre com um tom contemplativo e uma forte carga imagética. Juscelino Vieira Mendes dialoga com a tradição da poesia lírica portuguesa, mas imprime-lhe uma marca contemporânea através da sua abordagem temática e estilística.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico A obra de Juscelino Vieira Mendes insere-se no contexto da poesia portuguesa contemporânea, um período marcado pela diversidade de estilos e pela reflexão sobre a identidade e a sociedade num mundo em constante mudança. As suas criações poéticas refletem sensibilidades e preocupações comuns aos escritores da sua geração.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Juscelino Vieira Mendes que possam ter influenciado diretamente a sua obra não são amplamente divulgados. No entanto, a natureza introspectiva e lírica da sua poesia sugere uma forte conexão com experiências interiores e observações do mundo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Juscelino Vieira Mendes tem vindo a crescer no seio da crítica literária e entre os leitores de poesia em Portugal. A sua poesia é apreciada pela qualidade estética, pela profundidade temática e pela originalidade da voz poética.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas na obra de Juscelino Vieira Mendes não sejam explicitamente detalhadas, a sua poesia partilha afinidades com a tradição lírica portuguesa, ao mesmo tempo que aponta para uma modernidade na abordagem de temas e na exploração da linguagem. O seu legado reside na contribuição para a vitalidade da poesia contemporânea em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Juscelino Vieira Mendes convida a múltiplas interpretações, convidando o leitor a uma imersão em estados de alma e reflexões existenciais. A análise crítica tende a destacar a sua capacidade de articular a melancolia com a esperança, a efemeridade da vida com a permanência do sentimento.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Ainda que Juscelino Vieira Mendes seja um autor que valoriza a discrição, a sua dedicação à escrita poética é um testemunho da sua paixão pela palavra e pela arte.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Juscelino Vieira Mendes encontra-se vivo, continuando a sua produção literária e a enriquecer o panorama poético português.

Poemas

16

O Salvador

Porque isto é bom e agradável
diante de Deus nosso Salvador,
Que quer que todos os homens
se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.
I Timóteo 2:3,4

Silêncio!

Templos repletos.
Nesta hora,
oram por ti,
velam por ti,
clamam por ti....

Respeito!

Ouça!

Belos cantos.
Falam de ternura, amor, salvação;
cantam, cantam, por tantos!
Por ti.

Oram com ardor
e velam vivos para que tenham vida
no Salvador...

Por que anseiam que tenhas vida,
se muitos querem prosélitos?...
Já não lhes bastam a lida?

Oh! Não buscam méritos!
Obedecem por gratidão
um salvar pretérito.

Ouça!
Velam por ti
como se fora louça

Velam por ti
para que não te quebres...
Ouça!

Não querem que pereças;
que vagues como ninguém;
que, sem propósito, te desfaleças;

que fujas do além
que ignores o porvir,
que certamente vem.

Não querem que Zaratustra e o devir
busques para a tua definitiva
e horrenda perdição, que há de vir.

A doutrina destrutiva
do niilismo não combina
com a natureza humana sempre-viva.

Ouça!

Clamam por ti
para que tenhas tempo
de decidir...

se queres alento,
perene alegria,
ou tudo por breve momento...

Não tens no porvir alegoria!
E no céu não entrarás
por vã filosofia...

Quem te conduzirás?...

Nem mesmo por Virgílio
Poeta soberbo te guiarás
como se fora um idílio.

Ouça!

Clamam por ti
para que vejas...
(aqui e ali)

O sublime amor de Deus
e da Luz eterna possas gozar,
reservada aos filhos Seus.

Não te permitas desanimar!
Não te cerres a Porta da Mansão
que te farás sublime amor encontrar.

Sabes tu, criatura — em vão —,
que por lei não podes entrar
a despeito dos labores de tua mão?...

Nisto tens que pensar
pois na incerteza
não podes ficar.

Ouça!

Clamam por ti
para que, nesta vida incerta,
conheças...

A Verdade que liberta,
enaltece a coroa da criação
e te livra da segunda morte certa.

Abra teu coração
e permitas nele Jesus
entrar, e cante uma nova canção...

Por ti teve morte de cruz.
Não como um espetáculo teatral
mas para que recebas a luz.

Ah! Como obter a vida eternal
se Jesus no túmulo ficasse?
Seria o final...

Mas, num passe,
dentre os mortos ressurgiu
mostrando sua face.

Ouça!

Oram por ti
Velam por ti
Clamam por ti

Para que vivas a adorada
Pessoa de Cristo, e não a imagem
de uma figura desfigurada.

— "Disse-lhe Jesus: Eu sou a
ressurreição e a vida; quem
crê em mim, ainda que esteja
morto viverá, e todo aquele que vive
e crê em mim, nunca morrerá. Crês isto?" —

Silêncio!
Clamam por ti.

Domingo pascal, 30 de março de 1997.

Notas:
"Assim Falou Zaratustra" - Obra do filósofo alemão Friedrich W. Nietzsche.
Vide Carta de Paulo aos Colossenses, cap. 2:8
Referência à Divina Comédia - Inferno - Canto I - Durante Aldighiero.
"E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus." - Gênesis 28:17.
"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." - Palavras de Jesus Cristo - João 8:32.
Palavras de Jesus em João 11:25,26

1 036

Como será o céu?

Lá no céu, como seremos?
Estaremos a industriar, adorar
cantaremos,
ou vamos só amar?

Pensar no amanhã sem lida
é tão intrigante e fascinante
quanto pensar nesta vida
que nos é tão delirante

A vida é prêmio e felicidade
que recebemos num instante
a caminho da eternidade

É magnifico o céu antever
como lugar dos justificados
na ‘insustentável leveza do ser’.

1 165

Chuva

Chuva, chove
Cai, mata, desce veloz
Torrencial, matinal
Desgraçadamente sobre eles, nós, todos...

Inunda, transborda rios: de sangue!
De água, sem cessar...
Continua matando, transbordando
No estado do Rio; do Paraná; de São Paulo e do Ceará...

Nada de água; água prá nada.
Fogem de lá prá cá... enchente...ingente, indigente!
Para morrerem de sede; de fome
Sem amor, de dor, de saudade.

Sem saudade; de amor...
Continua caindo, sempre
Molhando, invadindo
matando-os; não eles...

Não latifundiários; não os bons
Somente os maus
Desce, chove
cresce, enche
Mata a fome: de fome
Uns, outros, todos...
(...e inunda-me também o coração!).

enchente de janeiro de 1977.

1 020

Puros Olhos

Para Emil Sinclair

"Os filhos são herança do Senhor,
e o fruto do ventre o seu galardão."
Salmos 127:3

Tudo mudou
agora como nunca
nunca como agora.

Olhos negros — castanhos talvez — desconfiados me olham.
Fitam-me como se um estranho eu fosse,
repletos de ternura — puro amor candura...

Olhos que me deixam desatinado.
Puros olhos que olham:
impuros olhos repletos de tristeza e melancolia;
de ódio e rancor, às vezes repletos de amor...

Na alegria, no afeto e na esperança.
Tudo mudou! Você chegou! Amado antes de vir:
quando respirava por outros meios, que não os de agora, que não os de fora.
Filho desentranhado no calor, olhar-nos-emos sempre com amor?...

Campinas, anoitecer ensolarado de quinta-feira, 6 de janeiro de 1977.

1 148

Morreu Sem Constrangimento

(Tragédia em três atos)

"Eu pensei que ciúme era uma idéia. Não é. É uma dor.
Mas eu não me senti, como eles se sentem, num melodrama
da Broadway. Eu não queria matar ninguém. Eu só queria morrer."
Floyd Dell

Houve quem dissesse
que matou e morreu
por amor, como se se pudesse
matar e morrer, aniquilando o eu

Ódio o tornou cego
Impulso do Id é o que restou
Não aceitou o controle do ego
Matou - Não amou!...

Estreitamento da consciência
sobrou apenas sentimento
Agiu sem Providência
e viveu tão pouco tempo

Martirizou-se; tornou-se pura violência
em tórrida manhã de dezembro:
Matou, Morreu, Morremos - Sem Constrangimento...

11 de dezembro de 1995

NOTA:
Morte prematura
No dia 11 de dezembro, Christian Hartmann, 21, matou com seis tiros a ex-namorada Renata Cristina Francisco Alves, 20, e feriu gravemente Winston Goldoni, 23, com quem Renata estava namorando. Depois, se matou com um tiro na boca. Tudo numa sala de computadores da Escola Politécnica da USP. Eles cursavam engenharia macatrônica. Christian e Renata tiveram um relacionamento em 94, e ele já a havia ameaçado de morte.
Folha de São Paulo, página 18, 11/12/95.

3 286

Vida Ordeira

Vida ordeira, muito só
Arrefece a incitação
de escrever composição
em casa de minha avó

Parece-me estranho
a vida caótica; de ator
É o melhor desafiador
da minha imaginação...

madrugada de julho/73.

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Livro: Balé do espírito.

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Advogado, escritor e poeta, com formação filosófica.