Lista de Poemas

Está mais do que na hora das crianças esclarecerem os adultos sobre os mistérios da vida sexual.

 

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Toda conversa sobre sexo é uma atividade sexual. O pai que esclarece o filho — esse ideal do esclarecimento — está envolto por uma aura de incesto.

 

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Para o diabo com a tagarelice sobre o esclarecimento sexual dos jovens! Ele ainda é melhor quando ocorre por meio do colega de classe que sublinha a palavra “putativo” no livro de leitura do que por meio do professor que explica o assunto como sendo uma instituição estatal que seria tão importante e tão complicada quanto o pagamento de impostos.

 

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Se os senhores tivessem reconhecido os direitos do corpo da mulher, se tivessem eliminado a servidão do baixo-ventre como eliminaram o trabalho servil, nunca teria ocorrido às mulheres a ideia ridícula de se vestir de homens para aumentar seu valor enquanto mulheres!

 

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O amor como ciência natural! A proibição do prazer continua em vigor, e agora também nos proíbem o romantismo da proibição. Mas imploramos: já que não nos livramos do cristianismo, então que pelo menos ainda tenhamos incenso, música de órgão e escuridão! Assim, a Igreja ainda nos oferece alguma compensação pelo que nos tira.

 

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Os conhecimentos da vida erótica são próprios da arte, não da educação. Só às vezes eles precisam ser soletrados para os analfabetos. Importa, sobretudo, persuadir os analfabetos, já que são eles que fazem os códigos penais.

 

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O cristianismo enriqueceu o banquete erótico com o antepasto da curiosidade e o arruinou com a sobremesa do arrependimento.

 

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Os deleites de Tântalo fazem parte da mitologia do cristianismo.

 

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As mulheres exigem o direito de voto ativo e passivo. Seria o direito de escolher qualquer homem e de não serem recriminadas por se deixarem escolher por quem quer que seja? De jeito nenhum: elas estão falando de política! Mas foram os homens que as levaram a ter esses pensamentos desespe rados. Agora nada restará a eles senão exigir do governo que lhes outorgue o direito de menstruar.

 

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Ouvi uma mulher elogiando outra: “Ela tem um quê de feminino”.

 

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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.