Lista de Poemas

O que vive do tema morre antes do tema. O que vive na língua vive com a língua.

 

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O homem que não pensa, pensa que só temos um pensamento quando o temos e o vestimos com palavras. Ele não compreende que na verdade só o tem aquele que tem a palavra dentro da qual o pensamento cresce.

 

38
Quando o madeirame do telhado pega fogo não adianta rezar nem esfregar o assoalho. Em todo caso, rezar é mais prático.
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O humanitarismo, a educação e a liberdade são bens valiosos que não foram comprados caro o bastante com sangue, entendimento e dignidade humana.
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O sentido tomou a forma, ela resistiu e se entregou. Nasceu o pensamento, que leva os traç os de ambos.

 

40
O que a sífilis poupou será devastado pela imprensa. Nos amolecimentos cerebrais do futuro, não se poderá mais constatar a causa com segurança.
54
Quando ainda não havia direitos humanos, eles pertenciam ao homem superior. Isso era inumano. Então se produziu a igualdade pela recusa dos direitos humanos ao homem superior.
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Nossa cultura consiste em três gavetas, das quais duas se fecham quando uma está aberta: trabalho, diversão e instrução. Os malabaristas chineses dominam a vida toda com um só dedo. As coisas serão fáceis para eles, portanto. A esperança amarela!
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A democracia divide os homens em trabalhadores e preguiçosos. Ela não está preparada para aqueles que não têm tempo para trabalhar.
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Para se orientar em questões de política, bastam lembranças de opereta. Aquilo que pode ser dito contra a forma de governo absolutista, por exemplo, nos foi ensinado pelas figuras de um rei Bobèche, de um príncipe herdeiro Kasimir ou de um general Kantschukoff. Se a exigência dos frasistas de que a arte se ocupe dos assuntos públicos possui mesmo um sentido, então ela só pode estar se referindo à produção de operetas. Esta é criticada com razão por negligenciar há décadas os únicos assuntos humanos que não cabe levar à sério, ou seja, os assuntos públicos. Pois a forma artística da opereta é adaptada à essência de todos os desdobramentos políticos por conceder à estupidez uma improbabilidade redentora. Exigir que a criação artística se lance sobre os acontecimentos recém-saídos do forno é uma tolice; mesmo a sátira os desdenha, pois ainda que seja capaz de apreender os ridículos da política, estes ocorrem abaixo do nível de uma observação espirituosa de sentido superior.
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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.