Lista de Poemas

A língua é a vara de vedor que encontra fontes de pensamento.

 

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A ciência é análise espectral. A arte é síntese luminosa.

 

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Considero a política uma maneira pelo menos tão excelente de liquidar a seriedade da vida quanto o jogo de baralho, e visto que há homens que vivem de jogar baralho, o político profissional é um fenômeno perfeitamente compreensível. Tanto mais que ele sempre ganha às custas daqueles que não tomam parte no jogo. Mas está correto que o palpiteiro político pague as contas, já que a observação paciente constitui o conteúdo de sua vida. Se não houvesse política, o cidadão teria apenas a sua vida interior, ou seja, nada que pudesse ocupá-lo.
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O pensamento está no mundo, mas não o temos. Ele está decomposto em elementos linguísticos pelo prisma da experiência material: o artista os compõe num pensamento.

 

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“Mais vale suportar os males que temos do que ir em busca de males desconhecidos.” Só não entendo como a justificação da forma monárquica de Estado possa chegar ao entusiasmo.
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Quando alguém está diante do tribunal, não há certamente nenhum fato da chamada vida pregressa com o qual não se poderia produzir instantaneamente uma “impressão desfavorável” e proporcionar aquele “movimento” registrado na ata da sala de audiências. Não é de se acreditar como os delitos realmente se aglomeram em torno de um homem que alguma vez se meteu com algum deles! Aquilo que se dividiu ao longo de quarenta anos, quando projetado no lapso de tempo de uma audiência, age como uma ilustração viva; aquilo que passou pela peneira do tempo, obtém uma atualidade reforçada, como se tivesse acontecido durante a prisão preventiva. O passado não ilumina apenas o ato, com o qual nada tem a ver, mas também é iluminado por ele, e o caráter do réu é sempre contemplado de dois lados. Esse é o método que se adapta convenientemente ao pensamento não perspectivo das cabeças julgadoras medianas. Ele significa sentar o banco dos réus na cabeça de um homem perdido.
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Quem é ela? É cega para o direito, olha de soslaio para o poder e é acometida pela doença de Basedow quando está diante da moral. E sacrificamos nossa liberdade pelos belos olhos dessa mulherzinha!
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O segredo do agitador consiste em parecer tão idiota quanto seus ouvintes, de modo que eles acreditem ser tão inteligentes quanto ele.
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Quando se pensa que a mesma conquista técnica serviu à Crítica da razão pura e a uma reportagem sobre a viagem da Sociedade Vienense de Canto Coral, toda discórdia abandona nosso peito e louvamos a onipotência do Criador.
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A relação dos jornais com a vida é mais ou menos a mesma das cartomantes com a metafísica.
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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.