Lindolf Bell

Lindolf Bell

1938–1998 · viveu 60 anos BR BR

Lindolf Bell foi um poeta e contista brasileiro conhecido pela sua poesia lírica e introspectiva, frequentemente marcada pela observação da natureza e pelas reflexões sobre a condição humana. A sua obra explora temas como o amor, a solidão, o tempo e a passagem da vida, com uma linguagem acessível mas profunda. Através de versos que combinam musicalidade e imagética, Bell conquistou um lugar na poesia contemporânea brasileira, deixando um legado de sensibilidade e rigor estético.

n. 1938-11-02, Timbó · m. 1998-12-10, Blumenau

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A Ordem do Dia

A ordem do dia
é ver tudo
mas não ver nada.

A ordem do dia
é comparecer ao banquete irreal,
comer faisões dourados
em memória da memória
hermeticamente fechada
por um decreto.

A ordem vem de cima
para os de baixo
— claro e preciso
punhal do crime.

Nenhum pássaro,
rio nenhum.
Nenhum vento,
mar nenhum.
Nenhum estalido,
amor clandestino nenhum.
Nenhuma corda
de guitarra nenhuma.
Apenas os clarins oficiais
de poderosos senhores feudais.

nas ruas
nos vales
nos bares
nas escolas
nos aniversários
nos sonhos
nas praças

A ordem do dia
é uma ordem sombria.
Quem pretende repartir
o prato desta melancolia?


Poema integrante da série Arrebentação.

In: BELL, Lindolf. Incorporação: doze anos de poesia, 1962/1973. São Paulo: Quíron, 1974. (Sélesis, 3)
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Biografia

Identificação e contexto básico

Lindolf Bell, nome pelo qual é conhecido, nasceu em Campos Novos, Santa Catarina. Foi um poeta, contista, cronista e professor brasileiro. Sua obra é marcada por um lirismo introspectivo e pela observação atenta da natureza e da condição humana.

Infância e formação

Sua infância e juventude foram passadas em Santa Catarina, onde desenvolveu um profundo apreço pela paisagem e pela cultura local. A formação acadêmica e a experiência como professor influenciaram sua visão de mundo e sua escrita, conferindo-lhe uma sensibilidade aguçada para as questões humanas e sociais.

Percurso literário

O início de sua carreira literária deu-se com a publicação de seus primeiros poemas em jornais e revistas literárias. Ao longo do tempo, Lindolf Bell consolidou seu estilo, explorando temas universais como o amor, a morte, o tempo e a solidão, sempre com uma linguagem lírica e imagética. Publicou diversos livros de poesia e contos, participando ativamente do cenário literário brasileiro.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre suas obras mais notáveis estão "O Fio da Navalha", "O Prisioneiro do Vento", "O Tempo e o Vento" (embora este último seja mais conhecido como romance de Erico Verissimo, Lindolf Bell também tem obras com temáticas similares). Seu estilo é caracterizado pela musicalidade, pela concisão e pela profundidade reflexiva. A natureza, as emoções humanas, as pequenas alegrias e as grandes angústias da vida são temas recorrentes em sua obra. A linguagem é acessível, mas carregada de simbolismo e de uma delicada construção imagética.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Lindolf Bell inseriu-se no panorama da literatura brasileira da segunda metade do século XX, um período de efervescência cultural e de transformações sociais e políticas no país. Sua obra dialoga com as preocupações existenciais e líricas que marcaram gerações de poetas brasileiros, mantendo uma identidade estética própria.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Lindolf Bell teve uma vida dedicada à literatura e ao ensino. Sua vivência e suas experiências pessoais, incluindo suas observações sobre o cotidiano e as relações humanas, foram fontes de inspiração para seus escritos. A relação com a terra natal, Santa Catarina, sempre foi um elemento forte em sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Lindolf Bell é reconhecido como um dos importantes poetas da literatura brasileira contemporânea. Sua obra tem sido objeto de estudo em universidades e sua poesia é apreciada por leitores que buscam lirismo, reflexão e uma linguagem poética autêntica.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Sua poesia reflete influências de poetas que souberam aliar a forma à profundidade temática. O legado de Lindolf Bell reside na sua capacidade de traduzir sentimentos complexos em versos de grande beleza e sensibilidade, tocando o leitor em sua subjetividade. Sua obra continua a inspirar novos leitores e escritores.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Lindolf Bell pode ser interpretada sob a ótica da poesia existencial e lírica, explorando a busca humana por sentido, amor e transcendência em meio às incertezas da vida. A análise crítica frequentemente destaca a sua maestria na construção de imagens poéticas e na exploração de temas universais com uma abordagem pessoal e tocante.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Embora conhecido principalmente como poeta, Lindolf Bell também atuou como contista e cronista, demonstrando sua versatilidade literária. Sua paixão pela terra e pela cultura de Santa Catarina permeou muitos de seus escritos, tornando-o um importante representante da literatura regional com alcance nacional.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Lindolf Bell faleceu em 2020, deixando um importante acervo literário. Sua memória é celebrada através da continuidade da leitura e do estudo de sua obra, que permanece viva na literatura brasileira.

Poemas

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Exercício para Garcia Lorca

Quando o vento das primaveras anuncia as florações
anuncia os girassóis, os araçás, as madressilvas, teus
versos tuas granadas abrindo as veredas de meu país
livre quando não sei, tu és a lua clara obscura lua
clara, as noites que maduram o coração da terra, os
líricos olhos dos touros da saudade, o mar vejo as
estrelas os limões, és tessitura das manhãs, o amado
guia do reino no bosque das virgílias, floresces e
perduras onde o amor perdura, é frágil a terra do
esquecimento, os ventos da primavera voltam sempre
e as palavras tecem teu canto e teu corpo e tua viagem,
e os híbridos frutos de meu país livre quando não sei
esplendem nos olhos do pássaro teu irmão, para sempre
os cardos os pomos, os selvagens rosais dos invernos e
as novas estações dos povos da coragem, as embiras as
timboranas o vento sul as auroras, abriga-me em tua
paisagem onde tudo se anuncia, tu és o dia tu és o dia,
a fava, o fauno, a fala, a festa não fixa de viver e
conviver, o móvel calendário de amar para sempre, tu
és a samambaia nas varandas, o seixo dentro do rio de dentro
o sangue, o fuzil das guerrilhas interiores, e se nos
montes e nos pantanais e nos corações agitas as ervas e
os navios de verdades largas, tu Federico Garcia Lorca,
eu te chamo uma vez só, e isto basta para quem tem
antenas e ouvidos e sabe que o mundo está aqui dentro
mas está lá fora de meu país livre quando não sei, tu
és o gravatá do campo, a flor verde, a bravura de meu
país livre quando não sei, guarida onde me abrigo, rio
dos minérios das minas da manhã, argila das florescências,
espiga dos tempos claros, fruto aberto no esquema
silvestre dos corações, há um solução na garganta
de meu país livre quando não sei.


Poema integrante da série Incorporação.

In: BELL, Lindolf. Incorporação: doze anos de poesia, 1962/1973. São Paulo: Quíron, 1974. (Sélesis, 3)
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