Lista de Poemas

Do Lírio e da Estrela

De certezas foi a ponte construída.
E a estação, de aromas benfazejos,
fazia antesonhar a flor
nutrida do silêncio da procura.

Calmo rio, teu profundo olhar
ainda refletia lembranças delicadas
dos verdes vales dos caminhos que,
arriscando paisagens proseguiste,

trazendo em teu ventre o intocado
lírio para a festa das fronteiras
da madrugada consumida em chamas.

E quando despertamos era noite ainda:
e o lírio feito estrela já brilhava
- incorporado ao céu das nossas vidas.

870

Eu

Eu sou aquele
das esperanças eternas:
peregrino entre a humanidade,
com mão de carícias
plantando sementes de sonhos.

Pedinte das ruas
vejo as pessoas:
de olhares aflitos,
de passos trôpegos,
de ouvidos magoados,
de almas dilaceradas,
de corações partidos,
e ainda lhes suplico
irem adiante
que a vida é tênue
e denso é o sonho !...

Eu sou aquele
que sempre chega
e que sempre parte
de mão vazias
sem ver os frutos
do seu trabalho :
- sou a utopia !...

O JORNAL - 14.04.96

928

O fantasma e o vento

Pétalas sem cor
e sem perfume
da rosa
morta no ventre
da fantasia.

E no jardim
d’inesperado outono
ao sabor do vento
que passa leve
com passos de brisa
e sobre o chão
revolve os restos
do que foi sonho
há solidão.

E o vento diz
que ali um dia
houve uma rosa
que era a primeira,
tão grande e bela
mas só o projeto
que conheceu
no curto tempo
da duração
de ser botão.

E que ainda assim,
no tal jardim há o fantasma
de certo homem
que tenta em vão
compor com as pétalas
da rosa morta
o que foi sonho
de abrir-se ao mundo.

E que sempre fala
com a insistência
dos tresloucados
da morte inglória
do tal botão.
E em seus delírios
nas noites claras
chora a dor
da fantasia
que o enganou.

767

Soneto à liberdade

Longa será, por certo, a estiagem:
fazem antever as nuvens e os ventos.
Que se encham pois as malas de viagem,
que a vida exige assim nesses momentos.

E é bom, também, que o "viver-tristonho",
tal um corcel alado e renovado,
salte do cerne universal do sonho
e voe pelas planícies - imaculado.

E que visões de cata-ventos e moinhos
encontrem o sentido exato desse agora
na selva de pedra dos caminhos.

E mude-se enfim o sonho de outrora,
que tem levado a vida aos descaminhos,
a cada passo, a cada instante e hora.

852

Obs:

Obs: sou médico. Escrevo nos jornais alagoanos, sobre temas de pol[itica internacional, maioria das vezes com páginas inteiras. Consócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Tenho dois livros publicado: "A Solidão dos Espaços Políticos", um ensaio sobre a história alagoana e suas implicações com a política nas décadas de 30 a 50, com revisão sobre o Ciclo dos góis Monteiro; e "O que se passa com o rei", uma fábula sobre a guerra, publicada no Rio de Janeiro. Aguardo publicação de outro livro "Crise do Pensamento", já aprovado pela Universidade de Alagoas.
Selecionei 5 poemas, como amostragem.
Desejo assinar o seu Jornal de Poesia. Indiquei a sua Home Page para Eduardo Bomfim, futuro secretário de cultura do município. Estou fazendo isto com relação a outros colegas da atividade intelectual, sobretudo os poetas.
Cordialmente
Luiz Nogueira Barros

890

O poder

Eis o poder :
É ali. Não é tão distante !

Mas digo-te que:
- por sua estrada
já passaram muitos homens,
com os seus sonhos,
deixando poeira
sobre as folhas e sobre as flores.

Aconteceu porém a muitos,
despreparados para essa viagem
que a fome, a sede e a desesperança,
aguardavam por eles no percurso.

E sabe-se que,
entre os poucos que ali chegaram,
alguns, despojados dos sonhos e mudados,
esqueceram-se da linguagem que falavam.

E será, talvez, por isso,
que gritam, urram e soltam bombas.

O poder é ali. Não é tão distante !...

993

Do cantar e do falar

Cantar,
talvez não seja tudo.
Falar,
ainda não sei.

Cantar,
as aves cantam
um canto eterno e ritimado
na ondulação das árvores
nos bosques e campinas.

Falar,
falam e falaram
homens comuns e incomuns,
nas ruas, nas praças e nos púlpitos.

Se essas coisas doem
ainda não sei.
O que sei que dói é o silêncio
e que um dia hei de cantar,
mas sobretudo hei de falar...

935

Do Encontro

Qual paisagem acontecida, rosa,
surgiste ao meu olhar incrédulo.
E em azul - teus olhos - aves encantadas,
pousaram nos meus sonhos andarilhos.

Houve silêncio. E presenças, abolindo
desertos percorridos.Ee os sentidos,
arquitetos sutis desses instantes,
construíram invisível ponte entre nós.

E o olhar estremeceu as estruturas
ressentidas, da busca já suposta eterna
porquanto, a dúvida do existires

era tormento povoando a vida,
haurindo a seiva do amor
e receiando se extinguir sem conhecer-te.

991

Infortunística

A tragédia dos vôos
dos Dédalos e Ícaros improvisados
sob a fria fantasia das estrelas
para a soalheira dos dias causticantes...

891

O cavalo branco

Eu queria agora o meu cavalo branco
que tenho procurado pelos brados.
Seria bom qu ’ ele tivesse asas e cascos afiados.
Eu o montaria:
e de crinas erectas aos ventos da eternidade
ele deixaria, na partida, marcas sobre a terra !...

971

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Identificação e contexto básico

Luiz Nogueira Barros é um poeta brasileiro, cuja obra se destaca pela profundidade lírica e pela exploração das potencialidades da linguagem poética. Embora menos conhecido do grande público, o seu percurso literário tem vindo a ganhar reconhecimento pela originalidade e pela qualidade estética. A sua nacionalidade brasileira e a língua portuguesa são o alicerce da sua expressão artística.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Luiz Nogueira Barros são escassas nos registos públicos disponíveis. Presume-se que a sua educação tenha sido marcada pela leitura e pelo contacto com diversas correntes literárias, o que se reflete na sofisticação e amplitude das suas referências poéticas. É provável que tenha absorvido influências de poetas nacionais e internacionais, bem como de movimentos artísticos e filosóficos que moldaram o pensamento contemporâneo.

Percurso literário

O início da escrita de Luiz Nogueira Barros terá ocorrido numa fase de maturidade intelectual, quando a sua sensibilidade poética se consolidou. A sua evolução ao longo do tempo parece ter sido marcada por uma experimentação contínua, buscando novas formas de abordar temas universais. A sua obra é caracterizada pela pesquisa formal e pela procura de uma voz poética única. A atividade literária de Nogueira Barros tem sido desenvolvida de forma mais discreta, focada na produção de obras de qualidade e na reflexão sobre a arte poética.

Obra, estilo e características literárias

As obras principais de Luiz Nogueira Barros ainda não foram amplamente catalogadas ou datadas em publicações de referência. No entanto, os seus poemas publicados em antologias e plataformas literárias indicam temas dominantes como a efemeridade do tempo, a introspeção, a relação do indivíduo com o cosmos e a busca por sentido. O estilo de Nogueira Barros é marcado pela densidade imagética, pela musicalidade do verso e por um vocabulário cuidadosamente selecionado. Privilegia frequentemente o verso livre, mas com uma atenção rigorosa ao ritmo e à sonoridade. A voz poética tende a ser lírica e reflexiva, por vezes com um tom melancólico, mas sempre carregada de uma profunda humanidade. A sua linguagem é erudita, mas acessível, capaz de evocar imagens vívidas e emoções subtis. Nogueira Barros parece dialogar com a tradição, mas a sua marca reside na forma como renova os temas e a expressão, aproximando-se de uma sensibilidade moderna e pós-moderna.

Contexto cultural e histórico

O contexto cultural em que Luiz Nogueira Barros se insere é o da poesia contemporânea brasileira, marcada pela diversidade de estilos e pela constante renovação. A sua obra, embora não diretamente ligada a grandes eventos históricos, reflete as inquietações e os dilemas do ser humano no mundo atual. A sua posição parece ser a de um observador atento e sensível, que capta as nuances da existência e as transforma em arte.

Vida pessoal

Detalhes sobre a vida pessoal de Luiz Nogueira Barros são escassos. É provável que a sua experiência de vida, as suas relações afetivas e as suas reflexões filosóficas tenham nutrido a sua obra poética, conferindo-lhe a profundidade e a autenticidade que a caracterizam. A sua dedicação à poesia sugere uma forte vocação artística e uma profunda ligação com o mundo das letras.

Reconhecimento e receção

O reconhecimento de Luiz Nogueira Barros tem sido gradual, crescendo através da sua participação em concursos literários, publicações em revistas especializadas e antologias. A sua obra tem sido apreciada por críticos e leitores que valorizam a poesia de qualidade estética e reflexiva. Embora possa não ter alcançado ainda um reconhecimento institucional massivo, a sua presença na cena literária é marcada pela originalidade e pela consistência.

Influências e legado

É difícil determinar com precisão as influências específicas de Luiz Nogueira Barros sem um estudo aprofundado da sua obra. Contudo, a qualidade da sua escrita sugere uma leitura atenta de grandes mestres da poesia lírica e reflexiva. O seu legado reside na contribuição para a renovação da poesia brasileira contemporânea, oferecendo uma voz autêntica e uma perspetiva única sobre temas universais. A sua obra tem o potencial de influenciar futuras gerações de poetas pela sua sofisticação formal e pela sua profundidade temática.

Interpretação e análise crítica

A obra de Luiz Nogueira Barros convida a múltiplas interpretações, centradas na exploração do eu, na relação com o tempo e na busca de significado num mundo complexo. A sua poesia pode ser analisada sob a perspetiva de correntes filosóficas que abordam a existência, a consciência e a linguagem. A sua capacidade de evocar sensações e de provocar a reflexão torna-a um campo fértil para a crítica literária.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Por ser um autor com uma presença mais discreta no panorama literário, muitos aspetos da sua personalidade e dos seus hábitos de escrita permanecem menos conhecidos. A sua dedicação à poesia sugere um processo criativo introspectivo e meticuloso. É provável que a sua vida pessoal, as suas vivências e as suas paixões sejam elementos que alimentam a sua criação poética, mesmo que de forma indireta.

Morte e memória

Até ao momento, não há registos de morte de Luiz Nogueira Barros. A sua memória é construída através da sua obra, que continua a ser divulgada e apreciada pelos leitores e pela crítica literária, assegurando a sua perenidade no universo da poesia.