Lista de Poemas

Luta

Luta mais feroz não há que a dos erros
saindo das cavernas mais recônditas
de portas derrubadas aos últimos instantes:
quando a morte é certa e a vida uma tolice !...

934

Do partir e do voltar

Partir. Voltar.
Outra vez partir
e outra vez voltar,
compõem somente
um quadro natural
do tentar-viver.

Se mais, talvez,
estranha sinfonia
de aflitos pés
buscando o tom da vida
com riscos de não ouvi-lo.

E assim,
para uma existência machucada
o sonho pode acabar numa única saída:
esquecer roteiros e apagar paisagens...

910

Viagem

Parto pleno de ventura e na aventura
da viagem empreendida levo o que sobrou
da infância, da juventude e do agora :
fantasia que um dia foi futuro.

Palavras ditas e juradas serão tolas
quando os momentos são de indiferenças.
Mas se o pensar a fala justifica
o tempo é grave amigo e jamais falha.

Hei de seguir assim a antevisão do olhar
e no desenho das paisagens presumidas
serei tudo o que vi, sofri e aprendi.

E tudo será novo como o sempre:
que os sonhos inatingidos não abortam,
pois são gestações que sabem esperar.

842

Breves palavras sobre a poética deAntonio Massa

Antônio Massa me faz senti-lo como uma espécie de poeta do desencanto, no tocante ao seu canto e suas queixas sobre a condição humana. O poema Cartesianos é o mais expressivo dos versos que eu li. Nele o racionalismo é ponto de partida, e dentro do qual está, com toda a clareza, uma grande queixa, uma ode, um hino e, finalmente um manifesto pela liberdade, a liberdade que exigiria romper com os laços do convencionalismo racionalista das coisas institucionalizadas. Importa pois, sair das formas geométricas dentro das quais estamos perdidos, engradados, resignados a um teorema.
O racionalismo, então pré-racionalismo, com Santo Agostinho, em "A Cidade de Deus", estava assim expresso, no século III : "Intelligas ut creda; credi ut intelligas"( Ver para crer, crer para compreender). Mas tarde o santo diria " Se eu me engano é porque sou, pois quem não se engana não é" , num rompante próprio dos padres filósofos, da filosofia patrística que procurava explicar Deus não mais à luz dos dogmas e sim de um entendimento racional. René Descartes, século XIV, retoma as perquirições agostinianas e, com o " Penso, logo existo" ( Cogito, ergo sum ), passa à história como o criador do racionalismo, face aos seus conhecimentos das ciências matemáticas...
O racionalismo, portanto, foi apenas a busca das dimensões reais das coisas, quando a humanidade ainda se debatia entre a mitologia, a religião e as ciências. E não poderia ter nada a ver com convencionalismo, muito mais um categoria sócio-político e elemento fundamental das sociedades humanas que nos contiveram em números, datas, e um código de obrigações, forçando a que o poeta, angustiado, afirme em "Firma Reconhecida", com todos tons e matizes da alma que busca o sentido do existir, do homem que busca um papel humano, ou humanístico:

Está tudo no papel
e em todos os papéis
homens carimbados
buscando papel de gente.

Mas Antonio Massa, em Cartesianos, abre fogo contra o racionalismo
Por demais acartesianados
não distinguimos o espírito
despido de números ou códigos.
E segue :
Nem entendemos que o silêncio
foi criado a fim de ouvirmos seu doce pranto.

E prossegue falando das nossas preocupações sobre quantos raios o sol emite ou de quantos pelos há na pubis; da nossa incapacidade de separarmos o homem do lobisomen que há dentro de nós, insensível e incapaz de conceder, conceber, perdoar, empreender, etc, no tocante a certas necessidades e relações entre seres humanos, por vezes não institucionalizadas e por isto estranhas e condenadas...
Num crescendo, Antonio Massa pretende dar por encerrada sua queixa quando nos afirma:
Estamos esperando
que a praia seque
e o mar se vá
para sentarmos, então, ao nada
e queixarmos academicamente
- Onde foi que erramos a conta ?

Quando imagino que o poema lembra uma ode á liberdade, lembro-me de Max Nordau, que escreveu sobre as mentiras convencionais do século XX. E até mesmo de Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que desteta os que se escondem por detrás de uma estrela e não lutam pela terra...
Quando tudo parece estar finalizando, então, Antonio Massa dá uma receita de como encerar o homem, na verdade a sua vaiade, o seu egoismo, a sua pretendida identidade, no fundo mesmo a sua caricatura, em Instruções para se Encerar um Homem. E depois de muitas peripécias chega ao topo do homem, a cabeça, afirmando:
Ao chegar ao topo,
deve-se abrir a caixa
e sujar o homem com seu
conteúdo
e quando
depois de ofuscada a cera
teremos um homem perfeito.

...o que o poeta parece nos querer dizer, que o brilho, o polimento dado no homem tanto pode ser efêmero como necessário, por vezes, que a caricatura do homem que somos e temos sido é algo incômodo.
Mas quando menos se espera que o tema está terminado Antonio Massa nos informa, em Não há vagas, que o homem continua procurando vagas ( espaço ) em todos os lugares:
...nas casas, nas mágoas
no ofício de gente
no prato do irmão.

...nos muros , na arte
e nos arremates
de vida e de sorte.

...apesar de tudo, numa fatalidade dramática, se não estiver enganado. Mas agora um certo "darwinismo social" toma conta do tema do poeta
porque, feliz ou felizmente

...os senhores da Ordem
justos e prestos
buscam informatizar
as alas do inferno.

...impedindo-nos mesmo de uma morte tranquila...
O que há de belo nos poetas e nas poesias são as suas afirmativas e negativas, as suas contraposições metafísicas, mas, de repente, a espiral dialética que lhes permitem sair no outro lado do túnel.
Continuo acreditando no Zaratustra, de Nietzsche, quando nos afirma que às vezes é preciso termos o caos dentro de nós para darmos à luz uma estrela cintilante.
Pode ter sido, não sei, o caos que Antonio Massa vê em torno do homem o motivo para que ele desse ao mundo a sua estrela cintilante, sob forma de poesia.
Quem sabe,finalmente, e também, não lhe moveu, inconscientemente, a alma de Gonçalves Dias, o poeta guerreiro que o convocou para não se intimidar diante do mundo e do homem, ordenando-lhe denunciar as prefigurações do ente que está mais próximo dele mesmo e sobre o qual ele tem algumas dúvidas...
O mundo é assim mesmo, meu caro poeta. Mas apesar de tudo estaremos sempre a sair do outro lado do túnel. E você saiu, com sua poesia, apesar das "dores do mundo", do melancólico mas extraordinário Schopenhauer...
Quando Nietzsche, do "Ecce Homo", trata do homem no tocante à "vontade do advento" nos afirma, categoricamente: "...aquilo que não o aniquila, torna-o bem mais forte..."
O advento da poesia, em sua vida, meu caro poeta, é a sua estrela cintilante.
Vá em frente...
Luiz Nogueira Barros

980

Milagre

E operou-se o milagre do silêncio
na boca que para o mundo se fechou.
E nos sentidos, que descobriram transparências
escondidas nas muralhas de argamassa e pedras:
que os sonhos inda imaturos não percebiam,
enganados - por séculos de mentiras...

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Identificação e contexto básico

Luiz Nogueira Barros é um poeta brasileiro, cuja obra se destaca pela profundidade lírica e pela exploração das potencialidades da linguagem poética. Embora menos conhecido do grande público, o seu percurso literário tem vindo a ganhar reconhecimento pela originalidade e pela qualidade estética. A sua nacionalidade brasileira e a língua portuguesa são o alicerce da sua expressão artística.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Luiz Nogueira Barros são escassas nos registos públicos disponíveis. Presume-se que a sua educação tenha sido marcada pela leitura e pelo contacto com diversas correntes literárias, o que se reflete na sofisticação e amplitude das suas referências poéticas. É provável que tenha absorvido influências de poetas nacionais e internacionais, bem como de movimentos artísticos e filosóficos que moldaram o pensamento contemporâneo.

Percurso literário

O início da escrita de Luiz Nogueira Barros terá ocorrido numa fase de maturidade intelectual, quando a sua sensibilidade poética se consolidou. A sua evolução ao longo do tempo parece ter sido marcada por uma experimentação contínua, buscando novas formas de abordar temas universais. A sua obra é caracterizada pela pesquisa formal e pela procura de uma voz poética única. A atividade literária de Nogueira Barros tem sido desenvolvida de forma mais discreta, focada na produção de obras de qualidade e na reflexão sobre a arte poética.

Obra, estilo e características literárias

As obras principais de Luiz Nogueira Barros ainda não foram amplamente catalogadas ou datadas em publicações de referência. No entanto, os seus poemas publicados em antologias e plataformas literárias indicam temas dominantes como a efemeridade do tempo, a introspeção, a relação do indivíduo com o cosmos e a busca por sentido. O estilo de Nogueira Barros é marcado pela densidade imagética, pela musicalidade do verso e por um vocabulário cuidadosamente selecionado. Privilegia frequentemente o verso livre, mas com uma atenção rigorosa ao ritmo e à sonoridade. A voz poética tende a ser lírica e reflexiva, por vezes com um tom melancólico, mas sempre carregada de uma profunda humanidade. A sua linguagem é erudita, mas acessível, capaz de evocar imagens vívidas e emoções subtis. Nogueira Barros parece dialogar com a tradição, mas a sua marca reside na forma como renova os temas e a expressão, aproximando-se de uma sensibilidade moderna e pós-moderna.

Contexto cultural e histórico

O contexto cultural em que Luiz Nogueira Barros se insere é o da poesia contemporânea brasileira, marcada pela diversidade de estilos e pela constante renovação. A sua obra, embora não diretamente ligada a grandes eventos históricos, reflete as inquietações e os dilemas do ser humano no mundo atual. A sua posição parece ser a de um observador atento e sensível, que capta as nuances da existência e as transforma em arte.

Vida pessoal

Detalhes sobre a vida pessoal de Luiz Nogueira Barros são escassos. É provável que a sua experiência de vida, as suas relações afetivas e as suas reflexões filosóficas tenham nutrido a sua obra poética, conferindo-lhe a profundidade e a autenticidade que a caracterizam. A sua dedicação à poesia sugere uma forte vocação artística e uma profunda ligação com o mundo das letras.

Reconhecimento e receção

O reconhecimento de Luiz Nogueira Barros tem sido gradual, crescendo através da sua participação em concursos literários, publicações em revistas especializadas e antologias. A sua obra tem sido apreciada por críticos e leitores que valorizam a poesia de qualidade estética e reflexiva. Embora possa não ter alcançado ainda um reconhecimento institucional massivo, a sua presença na cena literária é marcada pela originalidade e pela consistência.

Influências e legado

É difícil determinar com precisão as influências específicas de Luiz Nogueira Barros sem um estudo aprofundado da sua obra. Contudo, a qualidade da sua escrita sugere uma leitura atenta de grandes mestres da poesia lírica e reflexiva. O seu legado reside na contribuição para a renovação da poesia brasileira contemporânea, oferecendo uma voz autêntica e uma perspetiva única sobre temas universais. A sua obra tem o potencial de influenciar futuras gerações de poetas pela sua sofisticação formal e pela sua profundidade temática.

Interpretação e análise crítica

A obra de Luiz Nogueira Barros convida a múltiplas interpretações, centradas na exploração do eu, na relação com o tempo e na busca de significado num mundo complexo. A sua poesia pode ser analisada sob a perspetiva de correntes filosóficas que abordam a existência, a consciência e a linguagem. A sua capacidade de evocar sensações e de provocar a reflexão torna-a um campo fértil para a crítica literária.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Por ser um autor com uma presença mais discreta no panorama literário, muitos aspetos da sua personalidade e dos seus hábitos de escrita permanecem menos conhecidos. A sua dedicação à poesia sugere um processo criativo introspectivo e meticuloso. É provável que a sua vida pessoal, as suas vivências e as suas paixões sejam elementos que alimentam a sua criação poética, mesmo que de forma indireta.

Morte e memória

Até ao momento, não há registos de morte de Luiz Nogueira Barros. A sua memória é construída através da sua obra, que continua a ser divulgada e apreciada pelos leitores e pela crítica literária, assegurando a sua perenidade no universo da poesia.