Os Voluntários do Norte
São os do Norte que vêm!
Tobias Barreto
Quando o menino de engenho
Chegou exclamando: — "Eu tenho,
Ó Sul, talento também!”,
Faria, gesticulando,
Saiu à rua gritando:
— "São os do Norte que vêm!"
Era um tumulto horroroso!
— "Que foi?” indagou Cardoso
- Desembarcando de um trem.
E inteirou-se. Senão quando,
Os dois saíram gritando:
— "Ê vêm os do Norte! Ê vêm!..."
Aos dois juntou-se o Vinícius
De Morais, flor dos Vinícius
E Melo Morais também!
— “Que foi?” as gentes falavam...
E os três amigos bradavam:
— "São os do Norte que vêm!"
Nisso aparece em cabelo
O novelista Rebelo,
Que é Dias da Cruz também!
Mais uma voz para o coro!
E foi um tremendo choro:
— "Ê vêm os do Norte! É vêm!..."
E o clamor ia engrossando
Num retumbar formidando
Pelas cidades além...
— "Que foi?” as gentes falavam,
E eles pálidos bradavam:
— "São os do Norte que vêm!"
Improviso
Cecília, és libérrima e exata
Como a concha.
Mas a concha é excessiva matéria,
E a matéria mata.
Cecília, és tão forte e tão frágil.
Como a onda ao termo da luta.
Mas a onda é água que afoga:
Tu, não, és enxuta.
Cecília, és, como o ar,
Diáfana, diáfana.
Mas o ar tem limites:
Tu, quem te pode limitar?
Definição:
Concha, mas de orelha:
Água, mas de lágrima;
Ar com sentimento.
— Brisa, viração
Da asa de uma abelha.
7 de outubro de 1945
Presepe
Chorava o menino.
Para a mãe, coitada,
Jesus pequenito,
De qualquer maneira
(Mães o sabem...), era
Das entranhas dela
O fruto bendito.
José, seu marido,
Ah esse aceitava,
Carpinteiro simples,
O que Deus mandava.
Conhecia o filho
À que vinha neste
Mundo tão bonito,
Tão mal habitado?
Não que ele temesse
O humano flagício:
O fele o vinagre,
Escárnios, açoites,
O lenho nos ombros,
A lança na ilharga,
A morte na cruz.
Mais do que tudo isso
O amedrontaria
A dor de ser homem,
O horror de ser homem,
— Esse bicho estranho
Que desarrazoa
Muito presumido
De sua razão;
— Esse bicho estranho
Que se agita em vão;
Que tudo deseja
Sabendo que tudo
É o mesmo que nada;
— Esse bicho estranho
Que tortura os que ama;
Que até mata, estúpido,
Ao seu semelhante
No ilusivo intento
De fazer o bem!
Os anjos cantavam
Que o menino viera
Para redimir
O homem — essa absurda
Imagem de Deus!
Mas o jumentinho,
Tão manso e calado
Naquele inefável,
Divino momento,
Ele bem sabia
Que inútil seria
Todo o sofrimento
No Sinédrio, no horto,
Nos cravos da cruz;
Que inútil seria
O fele vinagre
Do bestial flagício;
Ele bem sabia
Que seria inútil
O maior milagre;
Que inútil seria
Todo sacrifício...
1949
Baladilha Arcaica
Na velha torre quadrangular
Vivia a Virgem dos Devaneios...
Tão alvos braços... Tão lindos seios...
Tão alvos seios por afagar...
A sua vista não ia além
Dos quatro muros que a enclausuravam
E ninguém via — ninguém, ninguém —
Os meigos olhos que suspiravam.
Entanto fora, se algum zagal,
Por noites brancas de lua cheia,
Ali passava, vindo do val,
Em si dizia: — Que torre feia!
Um dia a Virgem desconhecida
Da velha torre quadrangular
Morreu inane, desfalecida,
Desfalecida de suspirar...
O Lutador
Buscou no amor o bálsamo da vida,
Não encontrou senão veneno e morte.
Levantou no deserto a roca-forte
Do egoísmo, e a roca em mar foi submergida!
Depois de muita pena e muita lida,
De espantoso caçar de toda sorte,
Venceu o monstro de desmedido porte
— À ululante Quimera espavorida!
Quando morreu, línguas de sangue ardente,
Aleluias de fogo acometiam,
Tomavam todo o céu de lado a lado,
E longamente, indefinidamente,
Como um coro de ventos sacudiam
Seu grande coração transverberado!
30 de setembro — 1º de outubro de 1945
Jacqueline
Jacqueline morreu menina.
Jacqueline morta era mais bonita do que os anjos.
Os anjos!... Bem sei que não os há em parte alguma.
Há é mulheres extraordinariamente belas que morrem ainda meninas.
Houve tempo em que olhei para os teus retratos de menina como olho agora para a pequena imagem de Jacqueline morta.
Eras tão bonita!
Eras tão bonita, que merecerias ter morrido na idade de Jacqueline
— Pura como Jacqueline.
O Desmemoriado de Vigário Geral
Lembrava-se, como se fosse ontem, isto é, há quarenta séculos, que um exército de pirâmides o contemplava. Mas não saberia precisar onde, a que luz ou em que sol de que extinta constelação. Não obstante preferia que fosse na estrela mais branca do cinturão de Órion.
É verdade: havia uma mulher que telefonava. Mas tão distante, meu Deus, que era como se lhe faltasse a ela e para todo o sempre um atributo humano indispensável.
Se lhe propunham exemplos — o xeque do pastor, o pau de amarrar égua, mal-assombrado de Guapi, futura cidade, ele dissimulava. Era tão horrível de se ver.
Afinal um dia foi encontrado morto e quando já nem tudo era possível, uma aventura banal.
A Sereia de Lenau
Quando na grave solidão do Atlântico
Olhavas da amurada do navio
O mar já luminoso e já sombrio,
Lenau! teu grande espírito romântico
Suspirava por ver dentro das ondas
Até o álveo profundo das areias,
A enxergar alvas formas de sereias
De braços nus e nádegas redondas.
Ilusão! que sem cauda aqueles seres,
Deixando o ermo monótono das águas,
Andam em terra suscitando mágoas,
Misturadas às filhas das mulheres.
Nikolaus Lenau, poeta da amargura!
Uma te amou, chamava-se Sofia.
E te levou pela melancolia
Ao oceano sem fundo da loucura.
Conto Cruel
A uremia não o deixava dormir. A filha deu uma injeção de sedol.
— Papai verá que vai dormir.
O pai aquietou-se e esperou. Dez minutos... Quinze minutos... Vinte minutos... Quem disse que o sono chegava? Então, ele implorou chorando:
— Meu Jesus-Cristinho!
Mas Jesus-Cristinho nem se incomodou.
Pierrot Branco
Atrás de minha fronte esquálida,
Que em insônias se mortifica,
Brilha uma como chama pálida
De pálida, pálida mica...
Não a acendeu a ardente febre,
Ai de mim, da consumpção hética
Que esgalga, até que um dia a quebre,
A minha carcaça caquética!
Nem a alumiou a fantasia
Por velar de rúbido pejo
Aquela agitação sombria
Que em pancadas de mau desejo
Tortura o coração aflito,
Sugere requintes de gozo,
Por concriar — sonho infinito —
O andrógino miraculoso!
A chama que em suave lampejo
A esquálida tez me ilumina,
Não a ateou febre nem desejo,
— Mas um beijo de Colombina
divo manu
nao entendi
viva la revolucion, viva lenin, viva che, viva marighella
Muito bom, Bandeira e os outros sao demais. Mas Faltam as poetas nesta página, né?
De que trata o poema
Muiii belooo
esse texto e muito bom minha professora nos passou esse texto ,muito interessante
Manuel Bandeira... Bem mais que tudinho de bombom!
muito legal eu adorei essa estoria do manuel bandeira
Grande poeta que mudou a história do Brasil, com seus poemas de tocar o coração, apesar de eu ter apenar 12 anos as poesias desse cara me encantam!
Para todos estes ignorantes que não possui inteligência suficiente para compreender o valor de uma poesia eu vos digo que, tudo quanto falaste é uma grande prova de sua ignorância, pois Manuel foi uma pessoa de modo que vocês nunca serão.ignorantes.
homem que saber fazer poema que inspirar nos te adoramos(as)
adorei
ótimo