Marcelo Almeida de Oliveira

Marcelo Almeida de Oliveira

n. 1969 BR BR

Marcelo Almeida de Oliveira é um poeta brasileiro cuja obra se destaca pela sensibilidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a efemeridade do tempo e a busca por sentido. A sua poesia é caracterizada por uma linguagem cuidada e por uma profunda reflexão sobre a condição humana. Através de versos que conjugam a tradição com a contemporaneidade, Marcelo Almeida de Oliveira tem vindo a consolidar o seu espaço na poesia lusófona, oferecendo ao leitor um olhar introspectivo sobre a vida e as suas complexidades.

n. 1969-02-08, Manaus

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Ária para Ariano

Salve guerreiro!
vejo que o tempo
não secou tua alma,
continua ela molhada,
como a verde lama
do mangue cinzento
onde tens morada.

Ferozmente guarda a nascente,
cristalina progenitora,
semente já fora,
agora é raiz;
onde banhava nossos pais,
e onde todos devemos.

Salve irmão!
Continua na luta,
e saibas que
Tu és sua sina
e salvação.
Tu és uno!
Tu és una!

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Biografia

Identificação e contexto básico

Marcelo Almeida de Oliveira é um poeta brasileiro. É conhecido pela sua produção poética que aborda com sensibilidade e profundidade temas existenciais e líricos.

Infância e formação

A formação intelectual e poética de Marcelo Almeida de Oliveira foi moldada pela leitura e pela vivência das experiências humanas. Detalhes específicos sobre a sua infância e formação formal não são amplamente divulgados, mas a sua obra sugere uma base sólida em reflexões filosóficas e literárias.

Percurso literário

O percurso literário de Marcelo Almeida de Oliveira tem sido marcado pela publicação de obras poéticas que têm vindo a ganhar reconhecimento. A sua escrita caracteriza-se por uma evolução constante, mantendo, no entanto, uma linha de coerência temática e estilística.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Marcelo Almeida de Oliveira exploram frequentemente temas como o amor, a saudade, a passagem do tempo, a busca por identidade e a reflexão sobre a existência. O seu estilo poético é marcado por uma linguagem lírica e por vezes melancólica, com um uso cuidadoso da métrica e do ritmo. A voz poética é frequentemente introspectiva e confessional, convidando o leitor a uma partilha de sentimentos e pensamentos. A sua poesia dialoga com a tradição literária, mas com uma abordagem contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Inserido no contexto cultural brasileiro, Marcelo Almeida de Oliveira partilha com outros poetas contemporâneos a exploração de questões universais, adaptando-as à sensibilidade atual. A sua obra reflete, de forma subtil, o ambiente cultural e social em que vive.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Marcelo Almeida de Oliveira não são facilmente acessíveis ao público, sendo o foco principal a sua obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Marcelo Almeida de Oliveira tem recebido uma receção positiva, sendo apreciada pela sua qualidade literária e pela profundidade das suas reflexões. O reconhecimento tem vindo a crescer, solidificando a sua posição entre os poetas contemporâneos de língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a sua obra demonstra um apreço pela tradição poética, com ecos de autores que exploraram a lírica e a filosofia. O seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea com um olhar sensível sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Marcelo Almeida de Oliveira permite diversas leituras, convidando à reflexão sobre a natureza das emoções humanas e a complexidade da vida. A sua poesia é um convite à introspeção e ao questionamento existencial.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser um autor mais focado na produção literária do que na exposição pública, aspetos menos conhecidos da sua personalidade e hábitos de escrita são escassos.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Marcelo Almeida de Oliveira encontra-se vivo e em plena atividade literária. Deste modo, não há registos de morte ou publicações póstumas.

Poemas

20

Ária para Ariano

Salve guerreiro!
vejo que o tempo
não secou tua alma,
continua ela molhada,
como a verde lama
do mangue cinzento
onde tens morada.

Ferozmente guarda a nascente,
cristalina progenitora,
semente já fora,
agora é raiz;
onde banhava nossos pais,
e onde todos devemos.

Salve irmão!
Continua na luta,
e saibas que
Tu és sua sina
e salvação.
Tu és uno!
Tu és una!

961

Shopping center

Olhos de desejo barato.
Vitrines de beleza barata.
sozinhos todos
homens,
desejando,
sozinhos.
Alheios à música ambiente.
- Meu Deus! Quanta falta de amor!
Lágrima solitária
molhou despercebida.

995

Sementemente

Do concreto armado rachado
nasceu a semente doente,
raízes sedentas cavaram o asfalto,
do esgoto fedido se fez nutriente.
E por milagre talvez, vingou a semente;
galhos tortos, mas fortes;
folhas disformes, mas verdes;
um pouco estranha, sem dúvida;
um tanto linda, sendo vida.
Do seu galho mais alto se abriu uma flor,
do lisérgico entardecer roubou sua cor,
farol fosforescente a noite ilumina,
esperando o beija-flor de alumínio;
cibernético (o beijo).

822

Natureza morta (still life with death)

É no negro completo das noites
que moram todos os mundos.
Preta é a tinta de todas as cores
já pintadas em telas imundas.
Triste melancolia?
Não...
O que seria a alva castidade
senão limitação?
O que seria o profundo silêncio
Senão todos os sons?
O que seria o abismo da noite
Senão o berço dos sonhos?
O que seria a morte
Senão o tudo inevitável?

828

Podem tentar, mas o homem não cabe

Dr. Hermínio?
O melhor mindinhologista que conheço.
Francisco?
O melhor mecânico de corcel 73.
Afonso?
A melhor feijoada da cidade.
Manuel?
Campeão estadual de pinball.
Alfredo?
Pintava peixes como ninguém.
Ford?
Último modelo.
Da Vinci?
Desculpa, tô sem dinheiro.

Vida, competição.
Vence a menor alma.

733

Chuva

Chuva lava
leva tudo
toda lama
chove mundo
sujo ama
leva tudo
todo ódio
toda mente
chove gente.

1 120

Anti- homem

Mentira, mentira, mentira,
mentira que nos faz humanos,
panos no corpo, amor na cabeça,
certeza de tudo, menos da morte;
mentira, filha e mãe da razão,
convença-me de que não somos apenas macacos carecas.

1 039

Num café

Bum...bum...
gole no café
olhos nas letras,
bum...bum...
inspira,expira;
inspira,expira;
coçada na cabeça,
gole no café;
bum...bum...
inspira,expira;
inspira...
inspira...
(perfume passa)
expira;
vira a cabeça,
suspira...
(linda!)
bum,bum,bum;
suspira...
(belas ancas)
vira mais a cabeça,
recebe sorriso;
bum,bum,bum;
pescoço dói,
desvira a cabeça;
suspira...
fecha os olhos
(sonha)
abre os olhos.
(pausa)
levanta corajoso,
bum,bum,bum,
anda decidido,
bum,bum,bum,
...vê beijo vermelho.
( namorado ou marido)
desvia...
bum,bum,
inspira,expira,
compra café,
inspira,expira,
senta,
bum...bum...
gole no café,
olhos nas letras;
inspira,expira;
(talvez magra demais).

923

Chega! De novo

Desculpa, amor, mas hoje não vou te amar,
nem vou deixar minha cabeça se encher de você,
segurem as garrafas porque não vou tomar,
seda e veludo também pode esquecer.

Porque hoje quero saber a verdade.
Já estou cançado de rir sem saber o porquê.

Que o ópio que pelos meus ouvidos entra
só me deixe entorpecido quando permitir;
e que a cobra que encanta da caixa
não me enfeitice com seus olhos argibi.

Mais um bufão vai tirar a fantasia,
mais uma vaia na pequena platéia descontente.

618

Física insana

Verdade ou mentira,
dualidade onda-partícula;
cruel realidade,
relatividade da felicidade.
Se Erwin soubesse
que quando anoitece
seu gato zumbi anda
pra debaixo de minha cama...
Incertezas quânticas
em minhalma sub-atômica.

858

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