Lista de Poemas

Podem tentar, mas o homem não cabe

Dr. Hermínio?
O melhor mindinhologista que conheço.
Francisco?
O melhor mecânico de corcel 73.
Afonso?
A melhor feijoada da cidade.
Manuel?
Campeão estadual de pinball.
Alfredo?
Pintava peixes como ninguém.
Ford?
Último modelo.
Da Vinci?
Desculpa, tô sem dinheiro.

Vida, competição.
Vence a menor alma.

704

Dom quixote I

Se demônios te atormentam,
em casa ou na rua,
quando sol ou quando lua,
olhe para qualquer lado e me veja,
espelho de carne;
escute os murmuros que o vento carrega e me ouça,
eco distante;
certeza que desta vez não é sua cabeça
que doente te prega peças;
esqueça a paranóia e perceba
que louco, você me é,
louco, você sou eu,
louco, você e eu.

Penso naquilo que você pensa, mas não fala;
temo aquilo que você teme, mas não demonstra;
sei das flores na sua cabeça, mas você não as mostra;
sei que sua vontade é gritar, então apenas o faça,
como tiro de fuzil,
alívio como nunca sentiu,
na língua, baioneta,
como lança, uma caneta;
espantando os demônios...
guerreiro, você sou eu,
guerreiro, você e eu.

903

Paradoxo racional

Determino universo preciso;
material, natural;
resumo, árido número;
amor químico, hormonal;
sem mágica, mito, ou rito;
nem + , nem - ; só = .
E da razão nasce o instinto:
para que respiro, afinal?
certa, reta, vem a resposta:
para satisfazer o animal.
Logo, amo...
rio...
choro...
sinto...
sentir por sentir,
sem razão...
Ah! Tudo é tão lógico!

695

Física insana

Verdade ou mentira,
dualidade onda-partícula;
cruel realidade,
relatividade da felicidade.
Se Erwin soubesse
que quando anoitece
seu gato zumbi anda
pra debaixo de minha cama...
Incertezas quânticas
em minhalma sub-atômica.

828

Vomitei as trufas de chef Clement

Nomes estranhos
temperos esdrúxulos
talheres de prata
pra quê?
(pouco no prato!)
pato
(de nome estranho)
gesto
(mão na barriga)
indigesto...
Cadê o feijão de Dona Maria?
O acarajé da baiana?
O pastel com caldo de cana?
Pão para quem come com a mão,
e tem fome!

686

Chega! De novo

Desculpa, amor, mas hoje não vou te amar,
nem vou deixar minha cabeça se encher de você,
segurem as garrafas porque não vou tomar,
seda e veludo também pode esquecer.

Porque hoje quero saber a verdade.
Já estou cançado de rir sem saber o porquê.

Que o ópio que pelos meus ouvidos entra
só me deixe entorpecido quando permitir;
e que a cobra que encanta da caixa
não me enfeitice com seus olhos argibi.

Mais um bufão vai tirar a fantasia,
mais uma vaia na pequena platéia descontente.

595

A parte e o todo

Seres-células,
ser homem-esperma,
ser mulher-óvulo,
engenheiros-mãos constroem,
lixeiros-intestinos eliminam
lixo-excremento,
comunicações-sinápticas
anunciam guerras-alérgicas,
artistas-cancerígenos.

INDIVÍDUO = TODO
TODO = INDIVÍDUO

884

Num café

Bum...bum...
gole no café
olhos nas letras,
bum...bum...
inspira,expira;
inspira,expira;
coçada na cabeça,
gole no café;
bum...bum...
inspira,expira;
inspira...
inspira...
(perfume passa)
expira;
vira a cabeça,
suspira...
(linda!)
bum,bum,bum;
suspira...
(belas ancas)
vira mais a cabeça,
recebe sorriso;
bum,bum,bum;
pescoço dói,
desvira a cabeça;
suspira...
fecha os olhos
(sonha)
abre os olhos.
(pausa)
levanta corajoso,
bum,bum,bum,
anda decidido,
bum,bum,bum,
...vê beijo vermelho.
( namorado ou marido)
desvia...
bum,bum,
inspira,expira,
compra café,
inspira,expira,
senta,
bum...bum...
gole no café,
olhos nas letras;
inspira,expira;
(talvez magra demais).

897

A história se repete

Não se sabe quando, nem como.
É inútil olhar para trás.
É prudente olhar para o chão.
É emocionante olhar para frente
e tentar vislumbrar as coisas
que aparecem magicamente difusas
dentro da densa névoa.
Quando finalmente se cristalizam,
rapidamente são deixadas para trás.

Que gracinha ...
Ainda nem se preocupou em olhar
um pouco mais acima da bruma espessa
e perceber a cerca alta.
Não adianta, é impossível derrubá-la.
É preciso transpô-la.
Crescer é preciso.

O vermelho não é vermelho, nem é azul.
Um grito não é grito.
Uma pedra não é uma pedra, nem é dura.
O fogo não é fogo, tampouco queima .
Tókio está tão perto de São Paulo
quanto o meu fura-bolo está do cata-piolho.
Tempo não existe. Países não existem.
A ciência da borboleta reina.

Talvez 2 seja diferente de 2.
Talvez o novo átomo seja igual ao antigo,
que é igual ao mais velho,
que é igual ao sol ,
que é igual ao sistema,
que é igual à galáxia,
que é igual ao universo,
que talvez seja o átomo.
Talvez o talvez realmente seja.

Com o peso, o berço se quebra.
Não tão grandes agora, as cercas desmoronam.
Felicidade natural.
Encontramos Deus.
ELE é NÓS.

955

Anti- homem

Mentira, mentira, mentira,
mentira que nos faz humanos,
panos no corpo, amor na cabeça,
certeza de tudo, menos da morte;
mentira, filha e mãe da razão,
convença-me de que não somos apenas macacos carecas.

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Identificação e contexto básico

Marcelo Almeida de Oliveira é um poeta brasileiro. É conhecido pela sua produção poética que aborda com sensibilidade e profundidade temas existenciais e líricos.

Infância e formação

A formação intelectual e poética de Marcelo Almeida de Oliveira foi moldada pela leitura e pela vivência das experiências humanas. Detalhes específicos sobre a sua infância e formação formal não são amplamente divulgados, mas a sua obra sugere uma base sólida em reflexões filosóficas e literárias.

Percurso literário

O percurso literário de Marcelo Almeida de Oliveira tem sido marcado pela publicação de obras poéticas que têm vindo a ganhar reconhecimento. A sua escrita caracteriza-se por uma evolução constante, mantendo, no entanto, uma linha de coerência temática e estilística.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Marcelo Almeida de Oliveira exploram frequentemente temas como o amor, a saudade, a passagem do tempo, a busca por identidade e a reflexão sobre a existência. O seu estilo poético é marcado por uma linguagem lírica e por vezes melancólica, com um uso cuidadoso da métrica e do ritmo. A voz poética é frequentemente introspectiva e confessional, convidando o leitor a uma partilha de sentimentos e pensamentos. A sua poesia dialoga com a tradição literária, mas com uma abordagem contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Inserido no contexto cultural brasileiro, Marcelo Almeida de Oliveira partilha com outros poetas contemporâneos a exploração de questões universais, adaptando-as à sensibilidade atual. A sua obra reflete, de forma subtil, o ambiente cultural e social em que vive.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Marcelo Almeida de Oliveira não são facilmente acessíveis ao público, sendo o foco principal a sua obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Marcelo Almeida de Oliveira tem recebido uma receção positiva, sendo apreciada pela sua qualidade literária e pela profundidade das suas reflexões. O reconhecimento tem vindo a crescer, solidificando a sua posição entre os poetas contemporâneos de língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a sua obra demonstra um apreço pela tradição poética, com ecos de autores que exploraram a lírica e a filosofia. O seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea com um olhar sensível sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Marcelo Almeida de Oliveira permite diversas leituras, convidando à reflexão sobre a natureza das emoções humanas e a complexidade da vida. A sua poesia é um convite à introspeção e ao questionamento existencial.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser um autor mais focado na produção literária do que na exposição pública, aspetos menos conhecidos da sua personalidade e hábitos de escrita são escassos.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Marcelo Almeida de Oliveira encontra-se vivo e em plena atividade literária. Deste modo, não há registos de morte ou publicações póstumas.