Quando a ansiedade fala mais alto

A ansiedade não chega fazendo barulho.

Ela sussurra.

Transforma possibilidades em certezas,
faz do distante uma ameaça,
e do amanhã
um lugar onde tudo parece desmoronar.

Ela acelera os pensamentos,
encurta a respiração,
e convence o coração
de que é preciso lutar
contra perigos que ainda nem existem.

Enquanto a vida acontece,
a mente atravessa tempestades imaginárias,
ergue muralhas,
ensaia despedidas,
coleciona medos.

Mas a realidade
raramente caminha na mesma velocidade
das inquietações.

O tempo possui um ritmo próprio.

E a vida, muitas vezes,
resolve em silêncio
aquilo que a preocupação passou dias tentando controlar.

Há uma coragem discreta
em permanecer.

Em aceitar que nem toda pergunta
precisa de resposta imediata.

Que nem toda incerteza
é um sinal de perigo.

Respirar também é confiar.

Confiar que nem tudo depende das próprias mãos,
que a paz não nasce do controle absoluto,
mas da capacidade de continuar caminhando
mesmo sem enxergar toda a estrada.

Porque, quando a ansiedade fala mais alto,
a serenidade quase sempre responde
baixinho.

E é justamente por isso
que precisa ser ouvida.

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Comentários (1)

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"Quando a Alegria fala mais alto do que a Alergia, não há perigo...". Mil abraços, Bia. Bem-vinda. Vou comemorar com uma "cachaça preta, ISTO É, um cafezinho", a verdadeira pinga do povão brasileiro. Conhece café ? hehehe... DARLAN