Coisa ruim, exasperante, é música
de pernilongo no seio da amada

madrugada, sim, empecilhos
ao bom humor há tantos quantos grãos de areia
neste quintal onde penso ver um 
septuagenário tomando sol, um animal
talvez rogando alguma praga
ou até mesmo perdoando 
alguma paga em atraso.

Coisa ruim é mulher de mau humor
o canal sem calor, Ó
dias de rota improvisada, Ó velhos
tamancos sobre os quais ainda me arranco
em busca de nenhum tempo invertido

lá vou eu nessa agonia, trilogia, dia e noite
cefaleia e amnésia na panela de pressão
entre o não e o perdão.

"Mas como enveredaste para tomos bíblicos ?
Antes um ofídio." - ouvimos na feira de artesanato.

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Comentários (1)

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2026-07-27

É assim mesmo, Bia, melhor, são assim mesmo os textos: eles vêm e exigem sair. Sempre foi assim. No caso dos livros em papel não é muito diferente. Eis um exemplo: o livro sobre algumas letras do Clube da Esquina estava dentro de mim havia séculos. Um domingo, eu estava no humilde bar da Lolosa, de repent, eis que uma frase de uma garotinha, brincando com os amiguinhos, ela disse isso: "Depois nós vai lá no Cube", assim mesmo. Olhei para a danadinha, e na mesma hora pedi papel e caneta, e ali mesmo escrevi os oito primeiros poemas do livro. Despedi-me da amiga, peguei o ônibus, e voltei para Bêagá, quase febril. Em dez / doze dias o livro estava pronto. Nem revise, raramente conserto um texto meu. Já tem uns doze anos isso; talvez um pouco mais, preciso conferir. Grato pelas visitas. Darlan